“A decisão é da Mesa do Congresso”, diz Alcolumbre ao barrar pressão por CPI do Banco Master

“A decisão é da Mesa do Congresso”, diz Alcolumbre ao barrar pressão por CPI do Banco Master
Crédito: Divulgação
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 22 de maio de 2026 1

A pressão pela criação de uma CPI mista para investigar o Banco Master ganhou novo capítulo no Congresso Nacional. Durante sessão conjunta realizada nesta quinta-feira, 21 de maio, deputados e senadores cobraram do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, a leitura dos requerimentos de abertura da comissão, mas o senador rejeitou os pedidos e afirmou que a decisão cabe à Mesa do Congresso.

A fala de Alcolumbre ocorreu em meio à cobrança de parlamentares de diferentes partidos, que defendem a instalação de uma CPMI para apurar denúncias envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro. Segundo a Câmara dos Deputados, Alcolumbre afirmou que o momento da leitura de requerimentos é um ato discricionário da Presidência e que a prioridade da sessão era a análise de vetos.

O presidente do Congresso também sustentou que a votação dos vetos deveria avançar por envolver temas de interesse dos municípios, especialmente os de menor porte. Com isso, os pedidos de leitura dos requerimentos da CPI do Banco Master não foram atendidos naquele momento.

Entre os parlamentares que defenderam a abertura da comissão estavam deputados e senadores da oposição e também nomes ligados à base governista. O senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, foi um dos que pediram a CPI. O parlamentar aparece em conversas divulgadas anteriormente envolvendo Daniel Vorcaro e tratativas relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A movimentação colocou o caso Banco Master novamente no centro do debate político em Brasília. Parlamentares querem investigar a atuação do banco, a relação de Vorcaro com agentes públicos e possíveis conexões políticas reveladas em mensagens, gravações e apurações que vêm sendo divulgadas nos últimos meses.

Apesar da pressão, Alcolumbre não leu os requerimentos e manteve a decisão sob controle da Presidência da Mesa do Congresso. Na prática, sem a leitura formal, a CPMI não avança para instalação, mesmo que haja assinaturas suficientes de deputados e senadores.

A resistência do presidente do Congresso gerou reação imediata no plenário. Parlamentares cobraram transparência e defenderam que uma investigação parlamentar poderia esclarecer a extensão das relações políticas envolvendo o Banco Master. Já Alcolumbre reforçou que a condução da sessão seguiria a pauta definida para análise dos vetos presidenciais.

O caso tem potencial de ampliar o desgaste político em Brasília porque envolve nomes de diferentes campos partidários. A pressão pela CPI do Banco Master reúne setores da oposição e também parlamentares governistas, embora haja divergências sobre o alcance da investigação e os efeitos políticos da instalação da comissão.

Com a decisão de Alcolumbre, a criação da CPMI segue travada no Congresso. A expectativa agora é saber se os parlamentares irão insistir na leitura dos requerimentos nas próximas sessões ou se o tema será levado novamente ao Supremo Tribunal Federal, como já ocorreu em tentativas anteriores de destravar a investigação.

Para o Diário Tocantinense, o episódio mostra que o caso Banco Master deixou de ser apenas uma apuração financeira e passou a ter forte impacto político nacional. A disputa em torno da CPI expõe o desconforto de diferentes grupos no Congresso e mantém o nome de Daniel Vorcaro no centro de uma crise que ainda pode gerar novos desdobramentos em Brasília.

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