Arroba em alta muda estratégia no campo e pressiona custo da reposição no Tocantins
A alta da arroba voltou a acelerar as negociações da pecuária no Tocantins e mudou a estratégia de produtores rurais em diferentes regiões do estado. Com frigoríficos ampliando a procura por animais prontos para abate e leilões registrando valorização da reposição, pecuaristas passaram a recalcular o momento ideal para vender ou segurar o gado.
Levantamentos recentes da Scot Consultoria mostram que o boi China a prazo opera no Tocantins na faixa de R$ 336 por arroba, enquanto o valor líquido gira próximo de R$ 330. Em negociações observadas em municípios do sul e norte do estado, compradores relatam boi comum entre R$ 340 e R$ 345, vaca gorda próxima de R$ 320 e novilha na faixa de R$ 330.
Para o pecuarista de Gurupi, João Batista Mendes, o momento é positivo para quem possui animal terminado no pasto, mas exige cautela na hora da reposição.
“Quem vende agora consegue uma arroba melhor do que no começo do ano. O problema é que o bezerro também subiu. O produtor vende bem, mas compra caro depois”, afirmou.
A pressão sobre a reposição virou um dos principais pontos de preocupação no setor. Em leilões recentes ligados ao mercado tocantinense, bezerros desmamados ultrapassaram R$ 1,5 mil por cabeça, cenário que reduziu margens de produtores que dependem da compra de animais para recria e engorda.
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Paraíso do Tocantins, Marcelo Guimarães, o mercado entrou em uma fase de expectativa por causa do comportamento das exportações brasileiras de carne bovina.
“O frigorífico continua comprando porque a exportação está forte, principalmente para a China. Mas o produtor ainda fica em dúvida se vende agora ou espera o segundo semestre, quando normalmente diminui a oferta de gado no pasto”, explicou.
A avaliação é compartilhada pelo comprador de gado Paulo César Almeida, que atua em negociações entre Tocantins, Goiás e Pará. Segundo ele, as escalas de abate seguem relativamente apertadas em parte dos frigoríficos da região Norte.
“Tem indústria buscando animal pronto praticamente todos os dias. Isso ajuda a sustentar o preço da arroba. Mas ninguém acredita em disparada muito forte porque o consumo interno ainda enfrenta dificuldade”, disse.
O cenário também começa a atingir o consumidor. Com a arroba mais valorizada e o custo da reposição em alta, frigoríficos e supermercados monitoram reajustes no preço da carne bovina em diferentes cidades do estado.
Na avaliação do consultor agropecuário Ricardo Veloso, o mercado deve continuar volátil nas próximas semanas.
“O produtor precisa olhar para caixa, custo de reposição e qualidade do pasto. Não existe resposta única. Para alguns, vale vender agora. Para outros, pode compensar esperar mais um pouco”, analisou.