Interdição de ponte em Pedro Afonso muda rotina da região e força operação emergencial de balsas no Rio Tocantins

Interdição de ponte em Pedro Afonso muda rotina da região e força operação emergencial de balsas no Rio Tocantins
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 28 de maio de 2026 0

A interdição total da ponte da BR-235 sobre o Rio Tocantins, em Pedro Afonso, alterou drasticamente a rotina de moradores, caminhoneiros, produtores rurais e comerciantes da região central do estado. Após identificação de fissuras, trincas e sinais de subsidência na estrutura, a Agência Tocantinense de Regulação (ATR) autorizou uma operação emergencial de balsas entre Pedro Afonso e Tupirama para garantir a travessia de veículos e pedestres.

A medida foi adotada após laudos técnicos apontarem risco estrutural na ponte, considerada estratégica para o transporte regional. A travessia por balsa começou ainda nesta semana e rapidamente se tornou a única alternativa direta para milhares de pessoas que dependem diariamente da ligação entre os dois municípios.

Segundo informações divulgadas pela operação emergencial, as balsas funcionam em sistema contínuo ao longo do dia, com prioridade para veículos leves, motocicletas, ambulâncias, transporte de passageiros e abastecimento regional. A operação também atende pedestres e pequenos produtores rurais.

Motoristas relatam aumento no tempo de deslocamento e filas nos horários de pico, principalmente no início da manhã e no fim da tarde. Caminhoneiros e produtores rurais afirmam que o impacto logístico já começou a atingir entregas, transporte de grãos, combustível e abastecimento do comércio local.

O comerciante João Batista Pereira, morador de Pedro Afonso, afirma que a interdição gerou preocupação imediata entre empresários da região.

“A ponte é fundamental para tudo aqui. Tem caminhão de mercadoria, transporte escolar, produtor rural, trabalhador. Quando interditou, muita gente ficou sem saber como ia funcionar a travessia”, disse.

A Agência Tocantinense de Regulação informou que a operação das balsas ocorre em caráter emergencial para reduzir os impactos sociais e econômicos provocados pela interdição da ponte. Técnicos acompanham diariamente o fluxo de veículos e a necessidade de ampliação da estrutura de atendimento.

Moradores também demonstram preocupação com estudantes e trabalhadores que atravessam diariamente o Rio Tocantins. Em alguns horários, filas passaram a se formar nas proximidades do embarque.

A estudante Ana Clara Rodrigues conta que a travessia passou a fazer parte da rotina da família.

“Agora tudo depende do horário da balsa. Quem estuda ou trabalha precisa sair mais cedo porque qualquer atraso vira problema”, afirmou.

Segundo especialistas em infraestrutura, situações de subsidência e fissuras em pontes exigem monitoramento rigoroso porque indicam possível comprometimento da base estrutural da construção.

O engenheiro civil e especialista em estruturas Paulo Henrique Barros explica que sinais como rachaduras e afundamentos precisam ser tratados com prioridade máxima.

“Quando existe subsidência, significa que pode haver movimentação ou perda de estabilidade na fundação da ponte. A interdição é uma medida preventiva para evitar acidentes”, afirmou.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) ainda avalia os próximos passos para recuperação da estrutura. Técnicos devem concluir novas inspeções antes de definir se haverá reforço estrutural, recuperação parcial ou necessidade de intervenção mais profunda na ponte.

Enquanto isso, comerciantes e produtores rurais da região temem prejuízos econômicos caso a situação se prolongue durante os próximos meses. Pedro Afonso é um dos polos agrícolas e industriais do Tocantins, com forte movimentação de transporte de cargas e circulação de trabalhadores entre municípios vizinhos.

A expectativa das autoridades é ampliar a capacidade operacional das balsas nos próximos dias para reduzir filas e minimizar impactos à população.

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