Fim da escala 6×1: veja como votaram os deputados do Tocantins e o que muda para os trabalhadores

Fim da escala 6×1: veja como votaram os deputados do Tocantins e o que muda para os trabalhadores
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 29 de maio de 2026 0

Câmara aprova PEC que reduz jornada para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso; proposta segue agora para análise do Senado

A Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que prevê a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias de trabalho e dois dias de descanso remunerado. A votação ocorreu na noite de quarta-feira (27) e terminou com ampla maioria favorável: foram 472 votos a favor e 22 contra no primeiro turno, e 461 votos favoráveis contra 19 contrários no segundo turno. O texto segue agora para análise do Senado Federal.

A proposta representa uma das maiores mudanças nas regras trabalhistas brasileiras desde a Constituição de 1988 e reacendeu o debate sobre produtividade, saúde mental, qualidade de vida e impactos econômicos para empresas de diferentes portes.

No Tocantins, os oito deputados federais votaram favoravelmente à PEC nos dois turnos de votação, acompanhando a ampla maioria da Câmara. Segundo os registros divulgados após a votação, nenhum parlamentar tocantinense apareceu entre os votos contrários ao texto.

Como votaram os deputados do Tocantins

Deputado Partido Voto
Alexandre Guimarães MDB Favorável
Carlos Gaguim União Brasil Favorável
Eli Borges PL Favorável
Filipe Martins PL Favorável
Lázaro Botelho PP Favorável
Ricardo Ayres Republicanos Favorável
Toinho Andrade Republicanos Favorável
Vicentinho Júnior PP Favorável

A aprovação ocorreu após meses de pressão de sindicatos, movimentos trabalhistas e discussões dentro do Congresso Nacional. O texto aprovado foi construído a partir de negociações entre o governo federal, lideranças da Câmara e parlamentares da comissão especial responsável pela proposta.

O que muda na prática

A PEC estabelece uma transição gradual.

Pelas regras aprovadas pelos deputados, 60 dias após a promulgação da emenda constitucional a jornada semanal cairá de 44 para 42 horas, mantendo dois dias de descanso semanal. Após 12 meses, a carga horária será reduzida para 40 horas semanais, sem redução salarial para os trabalhadores.

A proposta também preserva regimes especiais já existentes, como a escala 12×36, desde que regulamentados por acordos ou convenções coletivas. Além disso, uma futura lei complementar deverá definir regras específicas para microempresas, empresas de pequeno porte e microempreendedores individuais (MEIs).

O que dizem trabalhadores e empresários

Entre trabalhadores do comércio e dos serviços, a aprovação foi recebida como avanço na qualidade de vida. Entidades sindicais argumentam que a redução da jornada pode diminuir o desgaste físico e emocional, melhorar o convívio familiar e reduzir afastamentos relacionados a problemas de saúde mental.

Por outro lado, representantes empresariais defendem cautela na implementação das mudanças. O principal argumento é que pequenos negócios, especialmente em cidades do interior, podem enfrentar aumento de custos operacionais e necessidade de novas contratações para manter o funcionamento durante toda a semana.

Economistas apontam que os impactos dependerão da forma como a transição será regulamentada e dos mecanismos de adaptação criados para empresas menores.

Próximo passo

Para entrar em vigor, a PEC ainda precisa ser aprovada pelo Senado Federal em dois turnos, com apoio mínimo de 49 senadores. Caso seja aprovada sem alterações, a proposta seguirá para promulgação pelo Congresso Nacional.

Enquanto isso, o debate já mobiliza trabalhadores, empresários e lideranças políticas em todo o país.

A principal discussão agora não é mais se a proposta avançará na Câmara — isso já aconteceu. A pergunta passa a ser como o Brasil fará a transição para um novo modelo de jornada de trabalho.

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