Fila de até 10 horas na balsa entre Pedro Afonso e Tupirama revolta motoristas após interdição de ponte
Travessia emergencial virou gargalo logístico no norte do Tocantins; usuários relatam longas esperas, prejuízos e dificuldades para atravessar o Rio Tocantins
A travessia por balsa entre os municípios de Pedro Afonso e Tupirama se transformou em um dos principais pontos de tensão logística do Tocantins após a interdição total da ponte sobre o Rio Tocantins, localizada na BR-235. Motoristas, caminhoneiros e moradores relatam filas extensas, espera de até 10 horas e dificuldades para realizar a travessia, que passou a funcionar como alternativa emergencial após o bloqueio da estrutura.
Segundo relatos publicados por veículos regionais e compartilhados nas redes sociais, condutores que chegaram à fila durante a noite permaneceram aguardando até a manhã seguinte para conseguir atravessar o rio. Em alguns casos, usuários afirmaram ter enfrentado mais de 10 horas de espera.
A situação passou a afetar diretamente moradores, trabalhadores, estudantes, caminhoneiros e produtores rurais que dependem diariamente da ligação entre os dois municípios. Vídeos divulgados por usuários mostram longas filas de veículos nos acessos à balsa e concentração de caminhões aguardando autorização para embarque.
A ponte foi interditada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) após vistoria técnica identificar agravamento de fissuras, novas trincas e sinais de subsidência — processo que indica afundamento da estrutura e aumento do risco para o tráfego. Diante da situação, a travessia hidroviária passou a ser utilizada como solução emergencial.
A operação está sendo realizada pela empresa Pipes Empreendimentos Ltda., autorizada em caráter excepcional pela Agência Tocantinense de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos (ATR). Atualmente, duas balsas operam no local durante 24 horas por dia.
Com o aumento da demanda, surgiram reclamações sobre o tempo de espera e a organização da fila. Motoristas também relataram dificuldades causadas pela presença simultânea de caminhões de carga, veículos leves e ônibus no mesmo sistema de embarque.
Em nota divulgada à imprensa regional, a ATR informou que acompanha permanentemente a operação e confirmou que a empresa estuda reforçar a estrutura utilizada na travessia. Segundo o órgão, existe a possibilidade de ampliação da capacidade operacional com embarcação de maior porte e sistema específico para caminhões que transportam combustíveis.
O prefeito de Pedro Afonso, Joaquim Pinheiro, também confirmou que uma terceira balsa deverá ser incorporada à operação nos próximos dias para reduzir o tempo de espera e melhorar o fluxo de veículos nos dois lados do rio.
Além dos transtornos para moradores, o problema já gera preocupação econômica. A região é rota importante para transporte de mercadorias, produção agropecuária e abastecimento de municípios do norte do Estado. Caminhoneiros relatam atrasos em entregas e aumento dos custos operacionais devido ao tempo parado nas filas.
Enquanto DNIT, Governo do Tocantins e órgãos reguladores discutem alternativas para minimizar os impactos, a população segue cobrando uma solução definitiva para restabelecer a ligação rodoviária entre Pedro Afonso e Tupirama.
Por enquanto, a balsa continua sendo o único caminho disponível para milhares de pessoas que dependem diariamente da travessia sobre o Rio Tocantins.