“As mulheres têm voz”, diz Flávia Teles ao defender maior participação feminina na política

“As mulheres têm voz”, diz Flávia Teles ao defender maior participação feminina na política
Flávia Teles afirma que pretende construir uma trajetória política própria e disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026. Crédito: Bruno Moreira/Diário de Aparecida
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 11 de junho de 2026 0

Ex-primeira-dama de Goiânia afirma que pretende disputar vaga na Câmara Federal e aponta baixa presença feminina nos espaços de poder como um dos desafios da política brasileira

A decisão da empresária Flávia Teles de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026 traz novamente para o debate um tema recorrente na política brasileira: a baixa participação feminina nos cargos de poder.

Viúva do ex-governador e ex-prefeito Maguito Vilela, Flávia afirma que sua entrada na disputa eleitoral não representa apenas uma continuidade do legado político do marido, mas também uma tentativa de ampliar a presença de mulheres nos espaços de decisão.

Filiada recentemente ao PSDB, ela será candidata a deputada federal e diz que pretende concentrar sua atuação em pautas ligadas à educação, saúde, proteção social e combate à violência contra a mulher.

“Eu quero mostrar para as mulheres que elas têm voz. Muitas vezes elas têm ideias, capacidade e vontade de participar, mas cresceram ouvindo que determinados assuntos não eram para elas. Isso precisa mudar”, afirmou durante entrevista ao Diário de Aparecida.

Mulheres seguem minoria

Embora representem mais da metade da população brasileira e do eleitorado nacional, as mulheres continuam ocupando uma parcela reduzida dos cargos eletivos.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que a representação feminina no Congresso Nacional permanece distante da proporcionalidade observada no eleitorado. O cenário se repete em assembleias legislativas, câmaras municipais e governos estaduais.

A situação também é observada no Tocantins. Apesar do crescimento da participação feminina nas últimas eleições, mulheres ainda enfrentam dificuldades para acessar estruturas partidárias, financiamento de campanha e espaços de liderança política.

Para Flávia, o problema vai além da política institucional.

“Às vezes a mulher tem vontade de participar, tem boas ideias, mas não encontra incentivo nem dentro da própria casa. Existe uma construção cultural que ainda limita muito a participação feminina”, afirmou.

Legado e construção de identidade

A futura candidata reconhece que sua trajetória está ligada à história política construída ao lado de Maguito Vilela, mas afirma que pretende construir uma identidade própria.

“Eu tenho orgulho da trajetória do Maguito e das coisas que aprendi com ele. Mas estou começando a me apresentar como Flávia Teles, mostrando meus projetos e aquilo que acredito”, declarou.

Segundo ela, a decisão de disputar a Câmara Federal está relacionada à possibilidade de ampliar o alcance de projetos sociais e destinar recursos para diferentes regiões.

A ex-primeira-dama também destacou trabalhos realizados ao longo dos últimos anos em instituições de apoio a pessoas com deficiência, idosos e mulheres em situação de vulnerabilidade social. Parte dessas experiências deverá compor a plataforma que pretende defender durante a campanha.

Violência contra a mulher entre prioridades

Entre as bandeiras anunciadas por Flávia está a defesa de políticas públicas voltadas à proteção de mulheres vítimas de violência.

Ela defende ações que vão além da denúncia e da proteção imediata, incluindo qualificação profissional, geração de renda e acompanhamento psicológico.

“Muitas vezes a mulher denuncia, mas depois não tem condições de reconstruir a vida. É preciso oferecer apoio para que ela consiga autonomia financeira e não volte para uma situação de violência”, afirmou.

Ao iniciar sua caminhada eleitoral, Flávia Teles passa a integrar um grupo ainda reduzido de mulheres que buscam ampliar a presença feminina nos espaços de decisão política. Um debate que ultrapassa fronteiras partidárias e continua presente em estados como Goiás, Tocantins e em todo o país.

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