Empresária se entrega à Polícia Civil e contrato de R$ 139 milhões das UPAs volta ao centro da crise em Palmas
Investigada na Operação Falsa Emergência, Cláudia Fernanda é apontada como uma das articuladoras do contrato de terceirização das unidades; apuração busca esclarecer quem autorizou, intermediou e executou os serviços
PALMAS — A apresentação da empresária Cláudia Fernanda Cândido da Silva à Polícia Civil, nesta segunda-feira (15), recolocou no centro do debate um dos contratos mais controversos da saúde pública de Palmas: a terceirização da gestão das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Norte e Sul, avaliada em R$ 139 milhões.
Investigada na Operação Falsa Emergência, deflagrada pela Polícia Civil do Tocantins, Cláudia era considerada foragida desde o último dia 10, quando foi cumprida a segunda fase da operação que também resultou nas prisões da então secretária municipal de Saúde, Dhieine Caminski, e do superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa.
A empresária se apresentou espontaneamente no Fórum de Palmas acompanhada por advogado, passou por audiência de custódia e teve o mandado de prisão preventiva cumprido pelas autoridades.
O que a investigação tenta responder
Embora a operação já tenha produzido prisões, buscas e apreensões, algumas perguntas permanecem centrais para o avanço das investigações:
- Quem idealizou a contratação emergencial?
- Quem autorizou a dispensa do chamamento público?
- Qual foi o papel efetivo da empresária no processo?
- Houve direcionamento da contratação?
- Quais serviços foram efetivamente prestados à população?
- O valor contratado corresponde à execução realizada?
Esses questionamentos estão no foco da investigação conduzida pela Divisão Especializada de Combate à Corrupção (Decor), que apura possíveis crimes de corrupção, fraude em contratação pública, organização criminosa, falsidade documental e lavagem de dinheiro.
Papel da empresária é alvo de investigação
Segundo a Polícia Civil, Cláudia Fernanda é apontada como uma das principais articuladoras do esquema investigado e teria atuado na interlocução entre agentes públicos e interesses ligados à contratação sob suspeita.
O Ministério Público também sustenta que ela teria ligação com a entidade contratada para administrar as UPAs. A Santa Casa de Misericórdia de Itatiba, entretanto, informou publicamente que a empresária não possui vínculo de representação com a instituição.
A defesa de Cláudia afirma que ainda não teve acesso integral aos autos do processo e que somente após a análise completa da investigação deverá se manifestar sobre as acusações.
BMW, viagens e suspeita de vantagem indevida
Entre os elementos apresentados pelos investigadores está a suspeita de que a empresária tenha disponibilizado benefícios ao então superintendente de Atenção à Saúde, Andreis Vicente da Costa.
Conforme documentos citados na investigação, uma BMW X1 teria sido alugada pela empresária um dia antes da formalização da justificativa utilizada para dispensar o chamamento público da contratação. O Ministério Público investiga se o veículo foi colocado à disposição do servidor como vantagem indevida relacionada ao contrato. Relatórios também apontam viagens e proximidade entre os investigados.
Contrato continua sob análise
Outro ponto destacado pelas autoridades é que o contrato investigado permanece sob análise justamente pelo elevado valor envolvido e pelo impacto direto nos serviços de saúde oferecidos à população de Palmas.
A Justiça considerou, ao decretar as prisões preventivas, que a continuidade da execução contratual e a necessidade de preservação das provas justificavam as medidas cautelares adotadas.
Enquanto as investigações avançam, a principal discussão permanece aberta: além das responsabilidades individuais, será preciso esclarecer como um contrato de R$ 139 milhões foi estruturado, validado e executado dentro da administração pública municipal.
A Prefeitura de Palmas informou que acompanha o caso e aguarda acesso integral aos autos para se manifestar oficialmente sobre as investigações.