Tocantins aposta R$ 157 milhões em energia solar e tenta transformar sol em economia para os cofres públicos
Governo autoriza construção de 10 usinas fotovoltaicas e associa projeto à modernização da infraestrutura pública; desafio agora será transformar investimento em redução efetiva de gastos
PALMAS — Em um estado onde o calor frequentemente ultrapassa os 35 graus e o sol é um dos recursos mais abundantes durante boa parte do ano, o Governo do Tocantins decidiu transformar a radiação solar em estratégia de economia. Nesta segunda-feira (16), o governador Wanderlei Barbosa autorizou a implantação de 10 usinas fotovoltaicas no Estado, em um investimento estimado em R$ 157 milhões.
A cerimônia realizada em Palmas também marcou a assinatura do contrato do programa Escolas do Futuro, iniciativa voltada à modernização da infraestrutura educacional estadual.
Mais do que uma obra de geração de energia, o projeto levanta uma questão que vem ganhando espaço em governos de todo o país: quanto o setor público pode economizar ao produzir sua própria energia?
Um dos estados mais ensolarados do Brasil
O Tocantins possui uma das maiores incidências solares do país. Estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico apontam que a região Norte e parte do Cerrado brasileiro apresentam condições favoráveis para geração fotovoltaica durante praticamente todo o ano.
Na prática, isso significa que escolas, hospitais, prédios administrativos e outras estruturas públicas podem reduzir significativamente os gastos com energia elétrica ao utilizar sistemas próprios de geração.
Nos últimos anos, estados como Minas Gerais, Goiás, Bahia e Mato Grosso ampliaram investimentos em energia solar justamente para reduzir despesas correntes da administração pública.
Agora, o Tocantins tenta seguir a mesma estratégia.
O desafio não é gerar energia. É economizar
O anúncio das 10 usinas fotovoltaicas vem acompanhado de uma expectativa financeira importante.
Atualmente, uma das maiores despesas de manutenção da máquina pública está relacionada ao consumo de energia elétrica em escolas, hospitais, unidades administrativas, sistemas de abastecimento de água e iluminação pública.
A expectativa do governo é que a geração própria permita compensar parte desses custos ao longo dos próximos anos.
O desafio, entretanto, não está apenas na construção das usinas.
Especialistas do setor energético costumam destacar que o sucesso de projetos desse tipo depende da capacidade de conectar a geração ao consumo, reduzir perdas operacionais e garantir manutenção eficiente dos equipamentos ao longo da vida útil dos sistemas, que pode ultrapassar duas décadas.
O que se sabe sobre as usinas
O Governo do Tocantins informou que serão implantadas 10 usinas fotovoltaicas distribuídas pelo Estado, com investimento total de R$ 157 milhões.
A gestão estadual ainda deverá detalhar oficialmente quais municípios receberão as unidades, qual será a capacidade instalada de geração de energia, os prazos para conclusão das obras e quais estruturas públicas serão beneficiadas diretamente pela produção energética.
Também não foram divulgadas, até o momento, estimativas oficiais sobre a economia anual esperada com o funcionamento dos sistemas.
Esses números serão fundamentais para medir o retorno efetivo do investimento.
Corrida nacional pela energia solar
O anúncio ocorre em um momento de expansão acelerada da energia fotovoltaica no Brasil.
Dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica indicam que a fonte solar já ocupa posição de destaque na matriz elétrica nacional, atrás apenas das hidrelétricas em capacidade instalada.
O setor movimentou centenas de bilhões de reais em investimentos na última década e passou a ser visto não apenas como alternativa ambiental, mas também como ferramenta de redução de custos energéticos.
A tendência tem levado estados e municípios a adotarem sistemas próprios de geração para abastecimento de prédios públicos.
Escolas do Futuro entra no pacote
Durante a solenidade também foi formalizado o contrato do programa Escolas do Futuro.
A iniciativa integra a estratégia estadual de modernização da infraestrutura educacional e pretende ampliar investimentos em tecnologia, inovação, conectividade e melhoria dos ambientes escolares.
A expectativa do governo é que parte dos benefícios da nova estrutura energética esteja associada à expansão e modernização das unidades educacionais.
O que ainda precisa ser respondido
Embora o anúncio represente um dos maiores investimentos recentes do Estado em energia renovável, algumas informações permanecem aguardadas pela população e pelos órgãos de controle:
- Quais municípios receberão as 10 usinas?
- Qual será a capacidade total de geração?
- Quando as obras serão concluídas?
- Quanto o Estado espera economizar por ano?
- Quais órgãos públicos serão beneficiados?
- Como funcionará a integração entre as usinas e o programa Escolas do Futuro?
As respostas a essas perguntas serão determinantes para avaliar o impacto real do projeto.
Sol não falta. O desafio é transformar luz em resultado
O Tocantins está entre os estados brasileiros com maior potencial para geração solar. A discussão agora deixa de ser climática e passa a ser econômica.
O sol já existe.
Os R$ 157 milhões também.
O que a população vai observar nos próximos anos é se a promessa de energia limpa conseguirá se transformar em redução de despesas, melhoria dos serviços públicos e maior eficiência da máquina estadual.
Porque, no fim das contas, o sucesso do projeto não será medido pela quantidade de painéis instalados, mas pela economia produzida e pelo retorno entregue aos contribuintes.