Áudio vazado: “Nasci e vou morrer jornalista”; Vicentinho cita “stalking”, diz que já ajudou profissional e caso reacende debate sobre liberdade de imprensa

Áudio vazado: “Nasci e vou morrer jornalista”; Vicentinho cita “stalking”, diz que já ajudou profissional e caso reacende debate sobre liberdade de imprensa
Crédito: Montagem
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 24 de junho de 2026 0

A jornalista Verônica Bolzan afirma que recebeu uma ligação do deputado federal e pré-candidato ao Governo do Tocantins, Vicentinho Júnior, após registrar uma imagem do parlamentar em um local público de Brasília. O caso ganhou repercussão nesta quarta-feira, 24, após a profissional divulgar um desabafo nas redes sociais e apontar o episódio como tentativa de intimidação ao exercício da atividade jornalística.

Segundo Verônica, a fotografia foi feita na semana passada, durante seu horário de almoço, em Brasília, onde mora há quase dez anos e atua na cobertura política. A imagem, conforme o relato, mostrava Vicentinho Júnior em um encontro com o vereador de Palmas Vinícius Pires, ambos agentes públicos com atuação no Tocantins.

Após o registro, a foto teria sido compartilhada com colegas da imprensa e utilizada em uma matéria jornalística sobre movimentação política. A jornalista afirma que, nesta terça-feira, 23, recebeu ligação do deputado, na qual ele teria informado que pretende processá-la criminalmente pelo episódio.

Em seu desabafo, Verônica declarou: “Nasci e vou morrer jornalista”. Ela também disse que a ligação foi gravada e que, durante a conversa, foi alvo de acusações que considera tentativa de intimidação.

“Fui alvo de acusações que, na minha avaliação, representam uma tentativa de intimidação e de cerceamento da minha liberdade de atuação profissional”, afirmou a jornalista.

Ainda segundo Verônica, após a repercussão do caso, uma publicação em um site utilizou uma imagem de sua mãe, que, conforme destacou, não tem qualquer relação com o episódio nem com sua atividade profissional. “Diante disso, fica a pergunta: até onde vai a tentativa de cerceamento do trabalho jornalístico?”, questionou.

Do outro lado, trechos da ligação atribuídos a Vicentinho Júnior também passaram a circular e foram publicados por veículos de imprensa. Na conversa, o parlamentar teria questionado a forma como a imagem foi feita, citado a identificação de um veículo e afirmado que poderia acionar medidas judiciais.

Em um dos trechos divulgados, Vicentinho teria lembrado que já ajudou a profissional anteriormente e, ao falar sobre o caso, afirmou que pretende adotar providências. O deputado também teria dito: “Eu vou entrar contra você com tudo que couber”.

Ainda conforme os trechos divulgados, Vicentinho teria citado a possibilidade de responsabilização por “stalking”, termo em inglês usado para se referir ao crime de perseguição. No Brasil, a conduta passou a ser prevista de forma específica no Código Penal após a Lei nº 14.132/2021, que acrescentou o artigo 147-A.

Pela legislação brasileira, o crime de perseguição ocorre quando alguém persegue outra pessoa de forma reiterada, por qualquer meio, ameaçando sua integridade física ou psicológica, restringindo sua capacidade de locomoção ou invadindo ou perturbando sua liberdade ou privacidade. A pena prevista é de reclusão de seis meses a dois anos, além de multa.

Ou seja, para a configuração do crime, a lei exige, em regra, reiteração da conduta, não bastando apenas um ato isolado. Por isso, qualquer avaliação sobre eventual enquadramento jurídico depende de análise do caso concreto, das provas, do contexto e de decisão das autoridades competentes.

Em outro momento da conversa, o deputado teria acusado a jornalista de atuar a serviço do prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos. Verônica negou a acusação e afirmou que não estava seguindo o parlamentar, mas exercendo sua atividade jornalística.

A repercussão do caso ampliou o debate sobre liberdade de imprensa, direito à informação, atuação de jornalistas em locais públicos e os limites da reação de agentes políticos diante da cobertura jornalística.

A eventual adoção de medidas judiciais é um direito de qualquer pessoa que entenda ter sido prejudicada. No entanto, a discussão pública se concentra no teor das declarações atribuídas ao deputado, na menção ao crime de stalking, no uso do mandato como argumento durante a conversa e na interpretação da jornalista de que houve tentativa de constrangimento profissional.

O caso ocorre em um ambiente político já aquecido no Tocantins, com movimentações de pré-candidatos, articulações eleitorais e aumento da vigilância pública sobre encontros entre lideranças partidárias e agentes com mandato.

O Diário Tocantinense reforça que o espaço permanece aberto para manifestação do deputado federal Vicentinho Júnior, de sua assessoria, da jornalista Verônica Bolzan e de demais citados. Caso haja envio de nota oficial, posicionamento ou esclarecimento, o conteúdo poderá ser publicado na íntegra.

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