Quem é Samir Xaud? Do jaleco ao comando da CBF, médico atravessa poder, denúncias e pressão após queda do Brasil
Presidente da entidade ganhou projeção nacional em rápida ascensão no futebol e viu o nome entrar no centro de reportagens sobre viagens e mulheres em eventos esportivos; CBF negou uso indevido de recursos
Samir Xaud saiu de Roraima para ocupar uma das cadeiras mais poderosas do esporte brasileiro. Médico, empresário e dirigente esportivo, ele assumiu a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em maio de 2025, após construir apoio entre federações estaduais e clubes. Sua trajetória, no entanto, rapidamente deixou de ser observada apenas pelo futebol.
Nascido em Boa Vista, Samir cresceu em uma família diretamente ligada ao esporte. O pai, José Gama Xaud, conhecido como Zeca Xaud, comandou por décadas a Federação Roraimense de Futebol. Samir também teve passagem pelo futebol como goleiro antes de seguir a formação médica e, posteriormente, avançar na administração esportiva. A CBF registra sua formação nas áreas de infectologia e medicina esportiva.
A ascensão ao comando da CBF ocorreu após a saída de Ednaldo Rodrigues. Samir conseguiu o apoio necessário para registrar sua candidatura e foi eleito presidente da entidade para mandato até 2029. Em pouco tempo, passou a acompanhar diretamente a Seleção Brasileira e a participar das principais decisões do futebol nacional.
Mas foi fora das quatro linhas que seu nome ganhou forte repercussão em 2026.
Reportagens publicadas durante a Copa do Mundo levantaram questionamentos sobre viagens internacionais de mulheres apontadas como próximas ao presidente da CBF. Uma das informações divulgadas envolveu a empresária Camila Cristina Andrade, de Roraima. Segundo as publicações, ela esteve em Nova York no início de junho e foi fotografada em um jantar com Samir. Os veículos também relacionaram a estadia ao período em que o dirigente cumpria compromissos ligados ao futebol e à Copa.
Dias depois, Samir seguiu para a Cidade do México, onde esteve na abertura do Mundial acompanhado da esposa, Natalia Xaud. A sequência das viagens levou algumas reportagens a tratarem Camila como uma suposta relação extraconjugal do dirigente. Essa versão, porém, surgiu de reportagens e alegações jornalísticas e não foi comprovada por decisão judicial ou confirmação pública de Samir sobre a existência do relacionamento.
Outro nome citado foi o da influenciadora e farmacêutica Tamires Fernandes Barcellos, conhecida como Tatá Barcellos. Reportagens afirmaram que ela viajou para Doha, no Catar, durante a Copa Intercontinental de 2025, disputada entre Flamengo e PSG, e teria tido acesso a espaços ligados ao evento. As publicações questionaram se despesas da viagem teriam sido vinculadas à CBF.
As denúncias ganharam repercussão porque não se limitaram à vida pessoal de Samir. O principal questionamento passou a ser se recursos ou a estrutura da CBF teriam sido usados para custear despesas particulares de pessoas próximas ao dirigente.
A CBF negou as acusações de uso indevido de dinheiro da entidade. Em posicionamento divulgado após a repercussão, a confederação afirmou que suas despesas são exclusivamente relacionadas às atividades institucionais e que gastos pessoais de dirigentes são pagos pelos próprios responsáveis. A entidade também declarou que a gestão é baseada em transparência, responsabilidade administrativa e integridade.
Portanto, as informações sobre mulheres apontadas como acompanhantes ou supostos relacionamentos de Samir permanecem no campo das alegações divulgadas pela imprensa. O que a CBF desmentiu oficialmente foi a acusação de utilização irregular de recursos da entidade para despesas pessoais.
A repercussão atingiu o ambiente da Seleção Brasileira. Durante a Copa, Samir deixou momentaneamente a região onde a delegação estava concentrada e seguiu para Orlando. A CBF informou que o deslocamento já fazia parte da programação do dirigente. Reportagens relataram que ele estava abatido com a exposição do caso.
Mesmo em meio à crise, Samir voltou a acompanhar atividades da Seleção e esteve no último treino antes do confronto contra a Noruega, no início de julho.
A história de Samir Xaud no comando da CBF ainda é recente, mas já reúne poder, rápida ascensão e forte exposição pública. O médico de Roraima que chegou praticamente desconhecido de grande parte dos torcedores ao topo do futebol brasileiro agora enfrenta o desafio de separar sua vida pessoal dos questionamentos sobre a gestão da entidade.
As possíveis mulheres ligadas a ele em viagens e eventos esportivos viraram manchete. As acusações de gastos irregulares foram negadas pela CBF. E, enquanto novas informações seguem sendo divulgadas, Samir permanece sob os holofotes.
Hoje, a pergunta já não é apenas quem é o presidente da CBF. É como Samir Xaud atravessará uma crise que começou fora de campo, ganhou espaço durante a Copa e passou a colocar também sua gestão sob questionamento.