Caiado sobe o tom contra Flávio Bolsonaro e diz que atuação do senador prejudicou interesses do Brasil
O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), elevou o tom contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta quarta-feira (8) ao afirmar que o parlamentar “conspirou contra a economia brasileira” ao atuar junto ao governo dos Estados Unidos em meio à discussão sobre a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. A declaração amplia o distanciamento entre duas das principais lideranças da direita que disputam espaço para as eleições presidenciais de 2026.
As críticas de Caiado foram motivadas pelo encontro realizado por Flávio Bolsonaro com o presidente norte-americano Donald Trump, na Casa Branca, em maio. Dias depois da reunião, o governo dos Estados Unidos anunciou novas tarifas sobre produtos brasileiros, medida que provocou forte reação do setor produtivo e abriu um novo foco de tensão diplomática entre os dois países. Segundo Caiado, qualquer articulação política que resulte em prejuízo econômico ao Brasil deve ser repudiada.
“O Brasil está acima de qualquer projeto pessoal ou eleitoral. Quem age para prejudicar a economia brasileira conspira contra os interesses nacionais”, afirmou o ex-governador.
A manifestação marca um novo capítulo da disputa entre Caiado e Flávio Bolsonaro pela liderança do eleitorado conservador. Desde que foi escolhido candidato do PSD ao Palácio do Planalto, Caiado passou a adotar um discurso mais incisivo em relação ao senador, que representa o grupo político liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Embora ambos estejam posicionados no campo da direita, os dois têm adotado estratégias diferentes para conquistar apoio. Enquanto Flávio concentra sua campanha no eleitorado bolsonarista, Caiado busca ampliar o diálogo com setores do agronegócio, da segurança pública e do empresariado, apresentando sua experiência administrativa como principal ativo eleitoral.
A declaração também ocorre em um momento delicado para as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O anúncio das tarifas sobre produtos brasileiros gerou preocupação entre exportadores e representantes da indústria, que temem impactos sobre setores estratégicos da economia nacional. O episódio intensificou o debate sobre o papel de lideranças políticas brasileiras em negociações internacionais e sobre os reflexos dessas articulações para o comércio exterior.
Até o momento, Flávio Bolsonaro não havia respondido diretamente às declarações de Caiado. O senador tem defendido que mantém diálogo com autoridades estrangeiras dentro de sua atuação parlamentar e nega ter trabalhado contra os interesses econômicos do Brasil.
Nos bastidores, aliados avaliam que o confronto evidencia a fragmentação da direita brasileira na corrida presidencial de 2026. A troca de críticas entre dois dos principais nomes do campo conservador ocorre em um cenário de intensa disputa por apoio partidário e pelo eleitorado identificado com o legado do ex-presidente Jair Bolsonaro.