Boi gordo chega a R$ 320 por arroba e reforça aquecimento da pecuária no Tocantins

Boi gordo chega a R$ 320 por arroba e reforça aquecimento da pecuária no Tocantins
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 9 de julho de 2026 0

Valorização do mercado beneficia produtores, enquanto preço da vaca magra para reposição alcança até R$ 3,5 mil em algumas negociações

Fernanda Cappellesso

A pecuária tocantinense segue apresentando sinais de aquecimento em 2026. Com o boi gordo sendo comercializado por até R$ 320 a arroba e a vaca magra alcançando valores de até R$ 3,5 mil, o mercado continua movimentando negociações entre pecuaristas, frigoríficos e compradores em diferentes regiões do estado.

O cenário reflete uma combinação de fatores, entre eles a oferta mais restrita de animais prontos para o abate, a demanda da indústria frigorífica e a expectativa positiva para as exportações brasileiras de carne bovina. Os preços variam conforme a qualidade genética, idade, peso, acabamento do animal, distância até os frigoríficos e condições de negociação.

Com um dos maiores rebanhos bovinos do país, o Tocantins mantém a pecuária como uma das principais atividades econômicas do estado. Segundo dados da Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec), o rebanho estadual supera 11 milhões de cabeças de gado, colocando o estado entre os maiores produtores de bovinos do Brasil.

Para os pecuaristas, o momento é de atenção às oscilações do mercado. Embora a valorização da arroba represente aumento na rentabilidade para quem possui animais prontos para o abate, os custos de reposição também cresceram. A vaca magra, utilizada para recompor o rebanho, já é negociada por até R$ 3,5 mil, exigindo planejamento financeiro por parte dos produtores.

Especialistas explicam que a reposição costuma acompanhar o movimento de valorização do boi gordo. Quando a arroba sobe, a procura por animais para recria e engorda também aumenta, elevando os preços de todo o ciclo produtivo.

Mercado acompanha exportações

Outro fator que influencia diretamente as cotações é o mercado internacional. O Brasil permanece como um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, tendo a China como principal destino da produção nacional. Alterações no ritmo das exportações, na oferta de animais ou na demanda dos frigoríficos costumam refletir rapidamente nos preços pagos ao produtor.

Além do mercado externo, o período de seca também interfere na comercialização. Com menor disponibilidade de pastagens naturais em parte do ano, muitos pecuaristas antecipam a venda dos animais, enquanto outros investem em suplementação alimentar para manter o ganho de peso e aproveitar momentos de maior valorização da arroba.

A recomendação de analistas do setor é que o produtor acompanhe diariamente as cotações regionais antes de fechar negócios. Diferenças entre municípios, qualidade do lote, escala de abate dos frigoríficos e custos de transporte podem alterar significativamente o valor final recebido pelo pecuarista.

Mesmo diante das oscilações naturais do mercado, a pecuária segue como um dos pilares da economia tocantinense, movimentando toda a cadeia produtiva, desde a produção de insumos até o transporte, a indústria frigorífica e as exportações. Com preços sustentados e demanda aquecida, a expectativa do setor é de continuidade das negociações ao longo dos próximos meses, mantendo o Tocantins entre os principais estados produtores de carne bovina do país.

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