Posse baixa, pênalti perdido e escolhas contestadas expõem queda do Brasil
Derrota para a Noruega por 2 a 1 coloca Ancelotti sob pressão após atuação cautelosa nas oitavas
A eliminação do Brasil para a Noruega, por 2 a 1, nas oitavas de final da Copa do Mundo, não foi explicada apenas pelos dois gols de Erling Haaland. A queda brasileira expôs uma soma de decisões contestadas, baixa produção ofensiva e uma estratégia que deixou a Seleção longe da própria identidade. Com apenas 34% de posse de bola, menor índice do Brasil em Copas desde o início da série histórica em 1966, Carlo Ancelotti saiu do jogo pressionado pela atuação e pelas escolhas feitas antes e durante a partida.
O primeiro ponto de discussão foi a postura. Contra uma Noruega forte fisicamente e com Haaland como principal ameaça, o Brasil optou por não pressionar alto. A ideia parecia clara: reduzir espaços às costas da defesa e impedir transições rápidas. O problema é que a equipe entregou campo demais, teve dificuldade para sustentar a bola e passou boa parte do jogo reagindo ao adversário.
A decisão mais questionada veio ainda no primeiro tempo. Bruno Guimarães assumiu a cobrança do pênalti, mas parou no goleiro Ørjan Nyland. Ancelotti explicou depois que a escolha seguiu a ordem interna de cobradores, já que Neymar, Igor Thiago e Raphinha não estavam em campo no momento da penalidade. Ainda assim, a cobrança perdida mudou o clima da partida e deu força emocional à Noruega.
O banco também virou tema. Neymar começou fora e entrou apenas no fim, quando o Brasil já precisava correr contra o tempo. O camisa 10 ainda marcou de pênalti nos acréscimos, mas o gol não foi suficiente para evitar a eliminação. A escolha dividiu opiniões: havia quem defendesse sua entrada mais cedo pela capacidade de decisão; por outro lado, o Brasil já tinha dificuldade física e pouca compactação.
Brasil ficou sem resposta
Outro ponto cobrado foi o pouco uso de Luiz Henrique, jogador capaz de acelerar pelos lados e quebrar linhas em jogadas individuais. Em uma partida na qual o Brasil teve pouca posse e pouca profundidade, a ausência de alternativas mais agressivas aumentou a sensação de que Ancelotti demorou a reagir.
A Noruega, ao contrário, encontrou respostas no segundo tempo. As entradas feitas por Stale Solbakken mudaram o ritmo ofensivo da equipe. Andreas Schjelderup participou dos dois gols de Haaland, primeiro em uma jogada pelo alto e depois em uma finalização de longa distância que definiu a classificação norueguesa para as quartas.
Ancelotti acertou ao reconhecer o risco de jogar com a defesa exposta contra Haaland. O centroavante norueguês atravessa grande fase e chegou ao sétimo gol na Copa. Mas o cuidado virou excesso. O Brasil não controlou a partida, não pressionou como precisava e não conseguiu impor superioridade técnica.
A derrota também reacendeu uma discussão maior: o Brasil pode jogar uma Copa do Mundo abrindo mão da bola? Contra a Noruega, a resposta veio no placar. A Seleção terminou eliminada, com baixa posse, poucas soluções criativas e decisões que continuarão sendo debatidas.
Mais do que um tropeço, a queda deixa uma cobrança direta sobre Ancelotti. O treinador precisará explicar não apenas por que o Brasil perdeu, mas por que aceitou jogar tão pouco em uma partida que exigia protagonismo.