Portelinhando Crônicas: Entre a Taça da Espanha e as Luvas de Vozinha

Portelinhando Crônicas: Entre a Taça da Espanha e as Luvas de Vozinha
João PortelinhaPor João Portelinha 20 de julho de 2026 0

Mesmo reconhecendo a grandeza de Messi e a dor estampada naquela imagem, torci pela Espanha.

O futebol também é feito dessas escolhas afetivas: admiramos um génio, respeitamos a sua história, mas entregamos a nossa torcida a outra camisola.

A Espanha conquistou a taça. Contudo, o meu verdadeiro herói desta Copa não levantou o troféu. Chama-se Vozinha, guarda-redes de Cabo Verde.

Ele defendeu mais do que uma baliza. Defendeu a honra de um pequeno arquipélago que aprendeu a ser imenso dentro de campo.

Em cada mergulho, parecia levar consigo as ilhas, o Atlântico, a morabeza e a esperança de um povo habituado a lutar contra ventos maiores do que o seu próprio território.

Há ainda um detalhe que torna essa campanha extraordinária: Cabo Verde foi a única seleção que enfrentou as duas finalistas desta Copa — Espanha e Argentina — e não perdeu para nenhuma delas nos 90 minutos regulamentares.

É uma estatística que vale mais do que muitos troféus, porque revela competitividade, organização e coragem. Os gigantes chegaram à final, mas Cabo Verde mostrou que também podia olhá-los de frente, sem medo e sem submissão.

Messi saiu derrotado, mas continuou gigante. A Espanha venceu com mérito. E Vozinha provou que nem todos os heróis precisam chegar à final.

Há vitórias que não cabem no placar. Há campanhas que não terminam com medalhas, mas permanecem gravadas na memória pela dignidade, pela entrega e pela coragem com que foram construídas.

A taça ficou com a Espanha. A grande final colocou espanhóis e argentinos frente a frente. Mas uma parte da grandeza desta Copa vestiu as luvas cabo-verdianas de Vozinha, guardião de uma seleção que enfrentou os dois finalistas e encerrou os 90 minutos de cada partida sem conhecer a derrota.

A Espanha ficou com o mundo. Vozinha ficou com a minha admiração.

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