Tiro fatal e revolta em Couto Magalhães: filho de vereador morre após disparo de policial civil; SSP investiga possível legítima defesa

Tiro fatal e revolta em Couto Magalhães: filho de vereador morre após disparo de policial civil; SSP investiga possível legítima defesa
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 20 de julho de 2026 0

Luciano Ferreira da Silva e Silva, de 29 anos, filho do vereador Lindomar Gomes da Silva, conhecido como Preto das Máquinas, morreu após ser atingido por um tiro disparado por um policial civil de folga. O caso aconteceu na tarde de domingo, 19 de julho, na Praia do Porto Franco, no distrito de Porto Franco do Araguaia, em Couto Magalhães.

Luciano trabalhava como garçom em um estabelecimento comercial onde moradores acompanhavam a final da Copa do Mundo. Conforme as informações preliminares, uma discussão teria começado no local e terminado em luta corporal envolvendo o policial e outras pessoas.

Durante o confronto, o agente efetuou um disparo de arma de fogo que atingiu Luciano. O jovem chegou a ser socorrido e encaminhado para uma unidade de saúde do município, mas não resistiu aos ferimentos.

Em manifestação oficial, a Secretaria da Segurança Pública do Tocantins informou que a Polícia Civil instaurou um inquérito para esclarecer toda a dinâmica da ocorrência.

“A Corregedoria-Geral da Segurança Pública foi comunicada sobre o caso e acompanhará a apuração no âmbito administrativo”, declarou a SSP.

A pasta acrescentou que as investigações também deverão analisar uma “eventual configuração de legítima defesa”. Os laudos periciais, depoimentos de testemunhas, imagens e demais diligências deverão subsidiar a conclusão do inquérito.

O corpo de Luciano foi encaminhado ao Núcleo de Medicina Legal de Paraíso do Tocantins para realização dos exames de necropsia.

A Polícia Militar informou que foi acionada por volta das 16h40 para atender uma ocorrência de homicídio. Segundo a corporação, o suspeito deixou o local em um veículo de passeio após o disparo. A ocorrência foi registrada e encaminhada à Polícia Civil, responsável pela investigação e pelas providências legais.

Prefeito relata ameaças antes do disparo

O prefeito de Couto Magalhães, Júlio César Brasil, afirmou que estava no local e apresentou uma versão diferente de parte da narrativa registrada inicialmente pelas forças de segurança.

Segundo o gestor, o policial teria discutido com várias pessoas, caminhado até o veículo e retornado armado, apontando a arma e fazendo ameaças. Em seguida, teria ocorrido a luta corporal que terminou com Luciano baleado.

O prefeito também declarou que o policial saiu do estabelecimento com a arma em mãos e sem prestar socorro à vítima. A identidade citada pelo gestor não foi oficialmente confirmada pela Secretaria da Segurança Pública.

Familiares manifestaram preocupação com a condução das investigações e disseram temer eventual corporativismo por o autor do disparo pertencer à Polícia Civil. De acordo com informações apresentadas pela família, o agente teria se apresentado horas depois em Guaraí.

Essas declarações integram uma das versões do caso e ainda deverão ser confrontadas com depoimentos, imagens, exames periciais e outros elementos reunidos durante a investigação.

Cidade cobra justiça

A morte provocou forte comoção em Couto Magalhães. Luciano foi descrito por familiares, amigos e autoridades municipais como um jovem tranquilo, trabalhador e querido pela comunidade.

Por envolver um policial civil, o caso será investigado criminalmente pela própria Polícia Civil e acompanhado administrativamente pela Corregedoria-Geral da Segurança Pública.

Até a conclusão das investigações, não existe definição oficial sobre a existência de legítima defesa, excesso no uso da força ou eventual responsabilização criminal do policial. A apuração deverá estabelecer como a discussão começou, quem participou da luta corporal, em quais circunstâncias a arma foi utilizada e o que aconteceu depois do disparo.

O Diário Tocantinense deixa espaço aberto para manifestações da defesa do policial envolvido, dos familiares de Luciano e das autoridades responsáveis pela investigação.

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