Wanderlei reduziu a pressão da folha: dados oficiais confirmam ajuste e reforçam credibilidade da gestão fiscal
Os números oficiais mostram que as medidas adotadas durante a gestão do governador Wanderlei Barbosa tiveram efeito concreto sobre as contas públicas do Tocantins. O índice de despesas com pessoal do Poder Executivo caiu de 46,64% para 45,69% da Receita Corrente Líquida Ajustada no segundo quadrimestre de 2025.
A redução de 0,95 ponto percentual retirou o Estado da zona acima do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal e devolveu maior segurança para o planejamento financeiro do governo.
O relatório publicado no Diário Oficial do Estado considera o período de janeiro a agosto de 2025, quando a administração estadual ainda estava sob o comando de Wanderlei Barbosa. O governador foi afastado apenas em 3 de setembro daquele ano, o que reforça que a maior parte das decisões responsáveis pelo resultado foi tomada durante sua gestão.
Informações publicadas pelo jornalista Luiz Armando Costa e analisadas pelo Diário Tocantinense também apontam que o ajuste não surgiu de uma medida isolada. O resultado foi construído por ações administrativas, fiscais e previdenciárias adotadas ao longo dos meses.
No primeiro quadrimestre de 2025, o comprometimento da Receita Corrente Líquida Ajustada com a folha havia chegado a 46,64%. O percentual estava acima do limite prudencial de 46,55%, situação que obrigava o Estado a restringir novas despesas com servidores.
Pela Lei de Responsabilidade Fiscal, o limite máximo para as despesas com pessoal do Poder Executivo estadual é de 49%. O limite prudencial corresponde a 46,55%, enquanto o limite de alerta é de 44,10%.
No segundo quadrimestre, o índice recuou para 45,69%. A despesa total com pessoal ficou em aproximadamente R$ 6,98 bilhões, diante de uma Receita Corrente Líquida Ajustada de cerca de R$ 15,29 bilhões.
Os dados não são projeções nem números produzidos por grupos políticos. Eles constam no Relatório de Gestão Fiscal publicado oficialmente pelo Estado e demonstram que houve uma redução real da pressão da folha sobre as receitas públicas.
Entre as medidas atribuídas à gestão de Wanderlei estão a redução de contratos temporários, a não renovação de determinadas contratações e o controle mais rigoroso da entrada de novas despesas permanentes.
Também foram adotadas mudanças relacionadas ao Instituto de Gestão Previdenciária do Tocantins, o Igeprev. O governo encaminhou ajustes para regulamentar alíquotas patronais e promoveu a transferência de beneficiários do fundo financeiro para o fundo previdenciário.
Essas medidas contribuíram para diminuir a dependência de aportes diretos do Tesouro Estadual e organizar as obrigações previdenciárias de médio e longo prazo.
O trabalho envolveu ainda as secretarias da Fazenda, do Planejamento e Orçamento e da Administração, responsáveis por acompanhar a arrecadação, a capacidade de pagamento, o crescimento da folha e os resultados atuariais da Previdência.
O núcleo de controle das despesas com pessoal, criado para acompanhar continuamente a evolução da folha, também teve participação no processo. O objetivo era impedir que novas contratações e vantagens fossem autorizadas sem a avaliação prévia de seu impacto financeiro.
O resultado ganhou dimensão política porque o relatório foi publicado durante a gestão interina de Laurez Moreira. Na época, integrantes da administração temporária apresentaram a redução como demonstração de equilíbrio fiscal.
A análise do período, porém, mostra que o relatório abrangia os oito primeiros meses de 2025. Wanderlei permaneceu no comando do Estado durante praticamente todo o quadrimestre analisado.
Isso não impede que medidas administrativas posteriores tenham contribuído para a manutenção do resultado, mas dá consistência à afirmação de que a base do reenquadramento foi construída durante a gestão de Wanderlei.
O próprio governador reivindicou o reconhecimento pelo ajuste e afirmou que as decisões foram tomadas para preservar o equilíbrio financeiro sem abandonar as responsabilidades sociais do Estado.
“As medidas foram tomadas para garantir responsabilidade fiscal sem abrir mão da responsabilidade social. O equilíbrio financeiro do Estado é condição indispensável para avançar em projetos de desenvolvimento que atendam a população”, declarou Wanderlei.
A redução para 45,69% também representou uma mudança importante em relação ao primeiro quadrimestre. Quando o índice ultrapassa o limite prudencial, a legislação restringe a criação de cargos, a concessão de vantagens, as alterações de carreiras e as contratações de pessoal, salvo nas exceções previstas em lei.
Ao retornar para uma faixa abaixo de 46,55%, o Tocantins recuperou maior capacidade de planejamento. Isso não significa autorização automática para aumentar gastos, mas reduz o risco de sanções e permite que o governo organize concursos, investimentos e políticas de valorização dos servidores com maior previsibilidade.
O resultado também ajuda a preservar a capacidade do Estado de investir em saúde, educação, segurança pública e infraestrutura. Quanto maior o comprometimento das receitas com salários e encargos, menor tende a ser o espaço disponível para obras, equipamentos, manutenção de serviços e novos programas.
A análise de Luiz Armando Costa, entretanto, também apresenta um alerta: o resultado positivo precisa ser mantido. As projeções orçamentárias para 2026 indicam crescimento das despesas com pessoal, enquanto novas contratações, concursos e reajustes podem voltar a pressionar a folha.
Segundo os dados examinados pelo jornalista, as despesas salariais do Executivo cresceram cerca de 7% em 2025, ao mesmo tempo em que os investimentos apresentaram redução. Para 2026, a previsão orçamentária aponta elevação de aproximadamente 11,4% nas despesas com pessoal.
O alerta não elimina o resultado obtido. Ao contrário, demonstra a importância das medidas adotadas por Wanderlei e a necessidade de continuidade do controle fiscal.
A credibilidade de uma gestão não depende apenas da divulgação de números positivos, mas da capacidade de preservar esses resultados ao longo do tempo. O Tocantins continua acima do limite de alerta de 44,10%, embora tenha retornado para uma posição abaixo do limite prudencial.
Por isso, ainda será necessário controlar o crescimento das despesas permanentes, acompanhar a arrecadação, fortalecer o Igeprev e evitar decisões que possam novamente colocar o Estado próximo ao limite máximo.
O dado central, contudo, é objetivo: a pressão da folha diminuiu. O índice caiu de 46,64% para 45,69%, e o relatório se refere a um período administrado quase integralmente por Wanderlei Barbosa.
Os números oficiais dão respaldo ao trabalho realizado e reforçam a imagem de uma gestão que, diante do risco de desequilíbrio, tomou medidas para reorganizar as contas e devolver maior segurança fiscal ao Tocantins.