Alexandre Guimarães reage a reportagem e defende assessores; DT sustenta apuração responsável, independente e sem conteúdo pago

Alexandre Guimarães reage a reportagem e defende assessores; DT sustenta apuração responsável, independente e sem conteúdo pago
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 27 de julho de 2026 1

Deputado se manifestou nos comentários da publicação, destacou os resultados de sua equipe e questionou se o conteúdo seria uma “publicidade pejorativa paga”. Jornal esclarece, ponto a ponto, que a matéria nasceu de dados oficiais da Câmara, não apontou ilegalidade e não teve solicitação, interferência ou pagamento de terceiros.

A reportagem do Diário Tocantinense sobre a estrutura, os gastos e a atuação parlamentar do deputado federal Alexandre Guimarães ganhou um novo capítulo após o parlamentar se manifestar nos comentários da própria publicação.

Na primeira reação, Alexandre defendeu os profissionais que trabalham em seu mandato e declarou: “Quem trabalha precisa de equipe”. O deputado também afirmou ter orgulho dos assessores, citou o reconhecimento de seu trabalho e ressaltou que as atividades são desenvolvidas com lisura.

Em seguida, ao destacar o alcance de sua atuação pelo Tocantins com 25 assessores, o parlamentar comparou sua estrutura com a de prefeituras, gabinetes estaduais e do Senado. No mesmo comentário, questionou se uma suposta “publicidade pejorativa paga” deveria entrar naquele nível de debate.

A manifestação do deputado é legítima e foi mantida publicamente nos comentários. Diante dos questionamentos apresentados, o Diário Tocantinense publica esta suíte — continuidade jornalística motivada por um fato novo — para reconstruir o episódio e esclarecer cada ponto com serenidade, respeito e responsabilidade.

 Como começou a primeira reportagem

A matéria original foi publicada com o título “Gabinete cheio e verba no limite: Alexandre Guimarães mantém 25 assessores e acumula gastos milionários na Câmara”.

O conteúdo teve como ponto de partida uma pesquisa realizada nas páginas oficiais da Câmara dos Deputados. Foram consultadas informações públicas sobre a composição do gabinete, a utilização da verba destinada ao pagamento dos secretários parlamentares, as despesas do mandato e a participação do deputado nas atividades legislativas.

Os números apresentados não vieram de adversários políticos, mensagens anônimas, documentos sem origem ou informações repassadas de maneira reservada. Eles foram coletados no portal institucional da própria Câmara dos Deputados.

A página oficial informa que cada deputado pode contratar entre cinco e 25 secretários parlamentares para serviços de secretaria, assistência e assessoramento direto ao mandato, em Brasília ou nos estados. O limite mensal atual da verba de gabinete é de R$ 165.806,07.

 O deputado teve seu direito de envio de nota antes da publicação

Antes de publicar a primeira reportagem, solicitou uma nota ao deputado Alexandre Guimarães.  O objetivo era incluir no mesmo conteúdo a explicação do parlamentar sobre a quantidade de profissionais, os gastos, a atuação da equipe e os resultados alcançados pelo mandato.

Até o encerramento da matéria, a manifestação não havia sido encaminhada à redação. O conteúdo foi publicado com os dados disponíveis e com o espaço mantido aberto para o posicionamento do deputado.

Posteriormente, Alexandre Guimarães escolheu se manifestar nos comentários da própria publicação. As mensagens não foram apagadas nem ocultadas. Elas foram consideradas pelo jornal e deram origem a esta nova reportagem.

 Alexandre Guimarães tem direito a manter 25 assessores

O deputado está amparado pelas normas da Câmara para montar uma equipe com até 25 secretários parlamentares.   Esses profissionais podem atuar em Brasília ou no estado representado pelo parlamentar, prestando serviços diretamente relacionados ao exercício do mandato. A indicação dos assessores e a distribuição das remunerações são atribuições do próprio deputado, desde que respeitados os limites e as regras da Casa.

Portanto, manter 25 assessores, por si só, não representa crime ou irregularidade. Em nenhum trecho da primeira reportagem o Diário Tocantinense afirmou que Alexandre Guimarães estaria proibido de possuir essa equipe. Também não declarou que os servidores não trabalham, que são desnecessários ou que foram contratados ilegalmente.

O deputado tem o direito de formar sua equipe. A imprensa e a sociedade, por outro lado, têm o direito de conhecer o tamanho, o custo e os resultados dessa estrutura.

O que significa a expressão “gabinete cheio”

A expressão “gabinete cheio” foi empregada para indicar que o parlamentar utiliza a quantidade máxima de secretários parlamentares permitida pela Câmara.

Ela não foi utilizada como sinônimo de gabinete ilegal, irregular ou improdutivo. O título teve linguagem jornalística e chamou atenção para um dado objetivo: a existência de 25 assessores ligados ao mandato, dentro do teto permitido pelas regras da instituição.

O deputado pode discordar da escolha editorial ou considerar que o título não representa adequadamente o trabalho desenvolvido. Essa discordância é legítima. No entanto, ela não altera a origem oficial do número apresentado.

O que significa “verba no limite”

A expressão “verba no limite” não significa que o gabinete ultrapassou o valor permitido. Os números oficiais mostram que, em diferentes meses de 2026, os gastos com secretários parlamentares ficaram próximos do total disponível. Em janeiro, por exemplo, foram utilizados R$ 132.652,56 dos R$ 133.170,54 disponíveis. Em abril, o gasto foi de R$ 164.316,53; em maio, R$ 161.649,64; e, em junho, R$ 163.018,94.

Dizer que um valor ficou próximo do limite não significa afirmar que houve estouro do teto.

A primeira matéria não apontou pagamento acima do permitido nem apresentou qualquer acusação de desvio. O objetivo foi mostrar o volume dos recursos utilizados e permitir que o leitor avaliasse os números juntamente com os resultados do mandato.

A reportagem não acusou o deputado de ilegalidade

O texto original não afirmou que Alexandre Guimarães: cometeu crime, desviou recursos, manteve servidores fantasmas, fraudou documentos ou ultrapassou deliberadamente os limites estabelecidos pela Câmara.

A matéria apresentou informações públicas sobre a utilização de recursos custeados pelo contribuinte. Divulgar o custo de uma estrutura pública não equivale a condenar quem utiliza essa estrutura. Da mesma maneira, publicar dados de presença, ausências, proposições, emendas e despesas não significa declarar que o parlamentar agiu ilegalmente.

A legalidade de uma despesa e o interesse jornalístico em divulgá-la são questões diferentes. Um gasto pode estar dentro das regras e, ainda assim, ser objeto de acompanhamento público.

O direito do deputado de explicar e responder

Alexandre Guimarães possui pleno direito de discordar da reportagem, defender seus assessores, demonstrar resultados e questionar a abordagem adotada.

A Constituição protege a honra, a imagem e o direito de resposta. A Lei nº 13.188/2015 também disciplina a possibilidade de resposta ou retificação diante de conteúdo que uma pessoa considere ofensivo ou incorreto.

Ao afirmar que conseguiu realizar um amplo trabalho no Tocantins com 25 assessores, o deputado apresentou sua justificativa para a dimensão da equipe.

Essa explicação é relevante e passa a integrar o debate público. O parlamentar também pode encaminhar uma nota mais detalhada, apresentar as atribuições dos profissionais, relacionar os municípios atendidos e demonstrar os resultados produzidos pelo gabinete.

O espaço permanece aberto.

O direito do jornalista de pesquisar e informar

A liberdade de imprensa e o acesso à informação são garantias constitucionais. A atividade jornalística possui o direito de buscar, organizar e divulgar informações de interesse público, especialmente aquelas relacionadas ao funcionamento do Estado e à utilização de recursos públicos.

Esse direito não elimina a responsabilidade do veículo. Cabe à imprensa verificar as fontes, apresentar corretamente os dados, evitar acusações sem provas, respeitar o contraditório e corrigir erros objetivos caso sejam demonstrados.

Foi esse o procedimento adotado pelo Diário Tocantinense: consulta a uma fonte oficial, pedido de posicionamento antes da publicação, apresentação dos dados e manutenção do espaço para manifestação após a postagem.

O jornal não reivindica o direito de atacar. Reafirma o dever editorial de apurar com responsabilidade.

Não houve pagamento pela reportagem

O Diário Tocantinense esclarece de forma categórica que a reportagem não foi paga, encomendada ou solicitada por qualquer adversário político de Alexandre Guimarães.

Não houve contato, proposta, pedido, orientação, intermediação ou pagamento por parte de candidato, partido, parlamentar, empresário, grupo político ou terceiro interessado na publicação do conteúdo.

Nenhuma pessoa procurou o jornal para solicitar uma matéria contra o deputado. Também não houve negociação financeira relacionada à apuração ou à publicação.

O assunto nasceu exclusivamente da consulta aos dados públicos disponibilizados pela Câmara dos Deputados. A nova matéria também não decorre de qualquer pagamento. Ela existe porque o deputado reagiu ao primeiro conteúdo e apresentou questionamentos públicos que merecem esclarecimento.

O que é publicidade paga

Publicidade paga é o conteúdo financiado por uma pessoa, empresa, instituição ou grupo para promover uma mensagem ou determinado interesse.

Uma reportagem jornalística, por sua vez, nasce de uma decisão editorial e é construída por meio de pesquisa, apuração, documentos, entrevistas e dados.

Quando existe publicidade contratada, ela deve ser tratada como anúncio, informe publicitário ou conteúdo patrocinado. Não foi isso que aconteceu no caso analisado.

A reportagem sobre o gabinete de Alexandre Guimarães foi produzida como conteúdo editorial, sem contratação e sem interferência externa.

 O que significa “pejorativo”

Pejorativo é o conteúdo que procura diminuir, depreciar, ridicularizar ou atribuir uma característica ofensiva a alguém.

O deputado possui o direito de considerar que o título adotou um tom crítico ou que não valorizou adequadamente os resultados de sua equipe.

O Diário Tocantinense, entretanto, esclarece que não teve a intenção de atacar pessoalmente o parlamentar ou os servidores do gabinete. Também não utilizou expressões que acusassem Alexandre Guimarães de corrupção, fraude ou prática criminosa.

Os termos empregados no título foram vinculados à quantidade de assessores e ao percentual de utilização da verba, conforme os dados pesquisados.

 Independência não significa ser contra ou a favor

O jornalismo não pode ser reduzido à ideia de que toda publicação positiva é favorável e toda matéria crítica é contrária a alguém.

Noticiar uma ação, uma emenda ou um resultado positivo não transforma um veículo em aliado do parlamentar. Da mesma forma, divulgar gastos ou fazer questionamentos não o transforma automaticamente em adversário.

Independência editorial significa publicar fatos de interesse público, sejam eles positivos, negativos ou explicativos.

O compromisso do Diário Tocantinense não é trabalhar contra Alexandre Guimarães nem atuar em sua defesa política. É informar o leitor com base nos dados disponíveis e assegurar que o deputado apresente sua versão.

A fala do deputado passa a integrar a cobertura

A afirmação de que “quem trabalha precisa de equipe” é a principal justificativa apresentada por Alexandre Guimarães para a estrutura de seu gabinete.

O parlamentar também ressaltou o orgulho dos assessores, defendeu a lisura do trabalho e destacou as ações realizadas em diferentes regiões do Tocantins.

Esses argumentos são registrados nesta suíte porque o contraditório não deve existir apenas como uma frase informando que “o espaço está aberto”. Quando a manifestação ocorre, ela deve ser considerada e apresentada ao público.

14. Os dois direitos podem coexistir

Não existe incompatibilidade entre o direito de Alexandre Guimarães de possuir uma equipe completa e o direito da imprensa de informar quanto essa estrutura custa. O deputado pode defender o mandato, demonstrar entregas e contestar a abordagem.

O jornal pode consultar os dados oficiais, apresentar números, formular questionamentos e explicar seus critérios editoriais.O exercício de um direito não precisa anular o outro. O debate público se fortalece quando há transparência, responsabilidade e respeito entre as partes.

Espaço permanentemente aberto

O Diário Tocantinense reafirma que não apontou ilegalidade na manutenção dos 25 assessores e não questiona o direito do deputado de organizar sua equipe dentro das normas da Câmara.

Também reafirma que a primeira matéria foi construída a partir de dados reais e oficiais, sem viés político, pagamento ou solicitação de terceiros. O espaço continua aberto para que Alexandre Guimarães encaminhe nota, documentos, informações sobre as atribuições dos assessores e um balanço das ações realizadas pelo gabinete.

Da mesma maneira, caso seja demonstrado algum erro objetivo nos números apresentados, o jornal realizará a verificação e a correção necessária.

Apurar gastos públicos não é declarar culpa. Defender uma equipe não impede a fiscalização. E discordar de uma reportagem não transforma o debate, necessariamente, em disputa política.

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