De volta ao jogo: Luxemburgo chega ao palanque de Dorinha e promete ser “voz nacional” do Tocantins
Oficializado pelo Podemos após tentativa frustrada em 2022, ex-técnico da Seleção Brasileira aposta na experiência de liderança, defende participação política e anuncia atuação independente no Senado
Um dos nomes mais conhecidos nacionalmente no palanque que oficializou Professora Dorinha como candidata ao Governo do Tocantins, Vanderlei Luxemburgo iniciou uma nova etapa de sua trajetória fora dos campos. O ex-técnico da Seleção Brasileira participou da convenção da coligação União pelo Tocantins, realizada nesta quarta-feira (5), no Espaço Cultural de Palmas, já homologado pelo Podemos para disputar uma das duas vagas do estado no Senado Federal.
No evento, Luxemburgo defendeu a participação política e a importância do voto nas eleições de 2026. A presença no palanque de Dorinha também consolidou uma candidatura que atravessou divergências internas, negociações partidárias e a lembrança de uma tentativa eleitoral interrompida quatro anos atrás.
O Podemos havia oficializado Luxemburgo e o ex-prefeito de Araguaína Ronaldo Dimas como candidatos ao Senado durante convenção realizada na segunda-feira (3), em Palmas. Na mesma reunião, a legenda confirmou o apoio à candidatura de Dorinha ao governo.
Luxemburgo quer transformar liderança no futebol em atuação política
Ao apresentar as razões para disputar o Senado, Luxemburgo afirmou que pretende usar em Brasília a experiência acumulada ao longo de décadas como treinador, gestor e empresário.
Responsável por comandar clubes como Flamengo, Palmeiras, Corinthians, Cruzeiro, Santos e Real Madrid, além da Seleção Brasileira, ele procura transferir para a política conceitos recorrentes em sua carreira: liderança, formação de equipes, tomada de decisões e cobrança por resultados.
“Quero ser uma voz nacional representando o Tocantins”, declarou durante a convenção do Podemos.
O discurso procura afastar a candidatura da ideia de que a notoriedade construída no futebol seria suficiente para conquistar uma vaga. Luxemburgo afirma que pretende discutir problemas nacionais sem perder a ligação com o Tocantins, estado onde passou a morar, investir e desenvolver atividades empresariais.
A candidatura também busca dialogar com eleitores que cobram renovação na representação política. O desafio será transformar o reconhecimento nacional do treinador em propostas concretas para áreas como esporte, educação, segurança, desenvolvimento econômico e proteção social.
Divergências com o Podemos ficam para trás
A homologação ocorreu depois de semanas de ruídos internos. Durante a convenção do Podemos, Luxemburgo reconheceu que houve divergências na construção da chapa, mas afirmou que os problemas foram superados.
O ex-técnico dirigiu parte do discurso ao prefeito de Palmas e presidente estadual do partido, Eduardo Siqueira Campos. Segundo ele, os desentendimentos foram encerrados para permitir que a legenda entrasse unida na disputa.
“Tivemos um entrevero muito grande, mas ficou tudo para trás”, afirmou.
Luxemburgo também agradeceu a Eduardo pela participação na articulação que garantiu sua candidatura. A declaração serviu para sinalizar pacificação dentro do Podemos, que chega à eleição com dois candidatos ao Senado, chapas para deputado federal e estadual e apoio formal a Dorinha.
Na convenção da União pelo Tocantins, realizada dois dias depois, o treinador passou a dividir o palco com os demais postulantes ao Senado ligados à candidatura da senadora. A situação cria uma disputa interna por espaço, já que o eleitor tocantinense escolherá apenas dois senadores.
Candidato promete independência
Apesar de integrar o grupo de Dorinha, Luxemburgo afirma que não pretende abandonar a independência política. Segundo ele, a intenção é caminhar pelo centro e manter diálogo respeitoso com representantes da direita e da esquerda.
Essa posição permite que o candidato apoie a chapa estadual sem assumir automaticamente todos os alinhamentos nacionais dos partidos que fazem parte da coligação. Também abre espaço para que ele procure eleitores de diferentes correntes ideológicas.
A estratégia, porém, exigirá explicações durante a campanha. Luxemburgo terá de mostrar como pretende conciliar o apoio a Dorinha com uma atuação independente no Congresso e quais critérios utilizará para votar em temas nacionais.
O Podemos ainda discute sua posição na eleição presidencial. A direção nacional deverá definir o caminho após novas reuniões, enquanto os integrantes do partido no Tocantins receberam liberdade para construir seus posicionamentos dentro da realidade estadual.
Bets, violência contra a mulher e jornada de trabalho entram no discurso
Na apresentação de sua candidatura, Luxemburgo citou pautas que vão além do futebol. Entre os temas mencionados estão o crescimento das apostas esportivas, o enfrentamento ao feminicídio e o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1.
Ao falar sobre as plataformas de apostas, o candidato relacionou o tema à necessidade de proteger famílias e jovens dos impactos provocados pelo endividamento e pelo comportamento compulsivo. Ele também defendeu medidas contra a violência direcionada às mulheres e indicou que pretende acompanhar no Senado as discussões sobre mudanças na jornada de trabalho.
As referências ainda não constituem um programa completo. Durante a campanha, Luxemburgo deverá detalhar quais projetos pretende apresentar, quais mudanças defende na legislação e como essas propostas poderiam ser executadas.
Tentativa de 2022 terminou antes da campanha
A homologação de 2026 possui um significado particular para Luxemburgo. Em 2022, ele também tentou disputar o Senado pelo Tocantins, mas o diretório estadual do PSB retirou sua candidatura durante a convenção partidária.
Naquele ano, Luxemburgo criticou a condução do processo, afirmou que não participou das discussões que levaram à retirada de seu nome e decidiu não concorrer a outro cargo. O ex-prefeito de Palmas Carlos Amastha acabou escolhido para ocupar a candidatura ao Senado pelo partido.
Quatro anos depois, o cenário é diferente. Luxemburgo chega ao fim do período das convenções com o nome aprovado pelo Podemos e integrado a uma das maiores alianças partidárias da disputa estadual.
A candidatura ainda precisa ser registrada e analisada pela Justiça Eleitoral. Os partidos têm até as 19 horas do dia 15 de agosto para apresentar os pedidos, e a propaganda eleitoral começa oficialmente no dia seguinte.
Reconhecimento nacional será colocado à prova
Luxemburgo inicia a disputa com uma vantagem incomum entre candidatos estreantes: é conhecido em todo o país. Ao mesmo tempo, precisará convencer o eleitor de que a experiência no futebol pode ser convertida em atuação parlamentar.
A passagem pela convenção de Dorinha marcou essa transição. No palanque, o treinador apresentou-se não apenas como uma celebridade esportiva, mas como candidato disposto a participar do debate político, defender propostas e representar o estado nacionalmente.
Depois de comandar equipes dentro de campo, Luxemburgo entra em uma disputa na qual o resultado dependerá de sua capacidade de construir alianças, apresentar ideias e demonstrar conhecimento sobre as necessidades dos 139 municípios tocantinenses.