Quem está por trás das chapas de 2026? DT abre suplentes do Senado, partidos e patrimônio dos candidatos ao Governo
Levantamento do Diário Tocantinense cruza dados do TSE, registros eleitorais e convenções e mostra como antigos aliados mudaram de lado, quem poderá assumir o Senado como suplente, quanto evoluiu o patrimônio declarado dos candidatos e o que cada grupo promete para o Tocantins
A eleição de 2026 no Tocantins começa a revelar muito mais do que os nomes que estarão na urna. Por trás dos candidatos ao Governo e ao Senado existem vices, primeiros e segundos suplentes, partidos, alianças políticas, patrimônio declarado e planos de governo que ajudam a mostrar como cada grupo pretende chegar ao poder e administrar o Estado a partir de 2027.
Em levantamento realizado nesta segunda-feira, 10 de agosto, o Diário Tocantinense cruzou informações disponíveis no sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral, dados de pleitos anteriores, resultados das convenções partidárias e propostas apresentadas pelos principais candidatos.
A fotografia ainda não é definitiva. Os partidos, federações e coligações têm até 15 de agosto para apresentar os pedidos de registro de candidatura. O próprio TSE informa que o DivulgaCandContas reúne os dados dos candidatos que já tiveram pedidos de registro apresentados, o que significa que novas declarações de bens, suplentes e documentos ainda podem entrar no sistema nos próximos dias.
Até agora, o Tocantins caminha para uma disputa pelo Governo com seis nomes apresentados pelas convenções: Professora Dorinha, pelo União Brasil; Vicentinho Júnior, pelo PSDB; Laurez Moreira, pelo PSD; Ataídes Oliveira, pelo Novo; Witer Naves, pelo PSOL; e Du Pereira, pela Democracia Cristã.
O cenário mostra uma mudança profunda em relação a 2022.
Há quatro anos, Wanderlei Barbosa e Laurez Moreira estavam na mesma chapa. Wanderlei foi eleito governador tendo Laurez como vice, com 481.496 votos, o equivalente a 58,14% dos votos válidos.
Ronaldo Dimas terminou em segundo, com 186.361 votos, ou 22,5%. Paulo Mourão ficou em terceiro, com 88.143 votos, e Irajá Abreu recebeu 63.048 votos.
Quatro anos depois, aquela fotografia praticamente desapareceu.
Wanderlei Barbosa está no grupo que sustenta a candidatura de Professora Dorinha, enquanto Laurez deixou a condição de vice para disputar diretamente o comando do Palácio Araguaia.
Dorinha também mudou completamente de posição no tabuleiro.
Em 2022, ela disputou o Senado e venceu com 395.408 votos, correspondentes a 50,42% dos votos válidos da eleição senatorial. Agora, tenta trocar Brasília pelo Palácio Araguaia.
A chapa de Dorinha tem Atos Gomes, do Republicanos, como candidato a vice-governador. A candidatura foi oficializada na convenção do grupo realizada em 5 de agosto.
A composição governista possui ainda uma característica importante: diferentes candidatos ao Senado mantêm proximidade com o mesmo campo político que sustenta Dorinha.
Eduardo Gomes, Carlos Gaguim, Eli Borges, Ronaldo Dimas e Vanderlei Luxemburgo estão entre os nomes que disputam as duas vagas ao Senado dentro desse amplo espectro de alianças.
Isso cria uma situação curiosa: políticos que estarão juntos na campanha para o Governo poderão disputar diretamente entre si o voto para senador.
Vicentinho Júnior entra na corrida pelo Governo tendo como vice o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres, do MDB.
A chapa une PSDB e MDB e tem no deputado federal Alexandre Guimarães seu principal nome para o Senado. A composição foi construída justamente em torno da força parlamentar e municipal dos integrantes do grupo.
A comparação com 2022 também é significativa.
Vicentinho disputava naquele momento a Câmara dos Deputados. Amélio buscava uma cadeira na Assembleia Legislativa. Alexandre Guimarães concorria igualmente a deputado federal.
Em 2026, os três passaram para a chapa majoritária: Vicentinho ao Governo, Amélio na Vice-Governadoria e Alexandre na disputa pelo Senado.
Laurez Moreira também chega a 2026 em posição completamente diferente daquela ocupada quatro anos atrás.
Ele foi eleito vice-governador na chapa de Wanderlei Barbosa em 2022. Agora lidera uma composição própria pelo PSD e terá o coronel Júlio Manoel da Silva Neto como candidato a vice.
O grupo de Laurez reúne forças como PSD, PSB, PDT e a Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV.
Para o Senado, o principal nome desse campo é Paulo Mourão, do PT.
A mudança é expressiva. Em 2022, Paulo Mourão disputou o Governo contra Wanderlei e Laurez. Em 2026, passa a integrar justamente a chapa liderada por Laurez, agora como candidato ao Senado.
Ataídes Oliveira volta a disputar o Governo pelo Novo.
Sua vice é a subtenente da Polícia Militar Rosileia Dias Carneiro. Para o Senado, o partido lançou o coronel da reserva do Corpo de Bombeiros Nilton Santos.
Ataídes já conhece uma disputa pelo Palácio Araguaia. Em 2014, concorreu ao Governo do Tocantins. Também já exerceu mandato de senador e, em 2022, tentou retornar à Casa.
Na eleição senatorial de quatro anos atrás, Ataídes recebeu 69.420 votos, o equivalente a 8,85% dos votos válidos.
Witer Naves representa a Federação PSOL-Rede.
Professor, geógrafo e pesquisador, ele terá a advogada Lúcia Viana como candidata a vice-governadora. A chapa também apresentou Professor Osvaldo Soares, pelo PSOL, e Fábio Ribeiro, pela Rede, para o Senado.
A sexta candidatura é a de Du Pereira, pela Democracia Cristã.
Empresário, jornalista e radialista, Du foi lançado inicialmente em outra perspectiva eleitoral, mas acabou escolhido pelo partido para disputar o Governo.
Até a última atualização consultada nesta segunda-feira pelo Diário Tocantinense, a composição da Vice-Governadoria ainda não havia sido definitivamente divulgada pelo grupo. Para o Senado, a DC homologou o médico Flávio Braga.
A disputa pelo Senado merece um capítulo próprio.
Em 2022, o eleitor tocantinense escolheu apenas um senador. Em 2026, serão duas vagas.
Isso acontece porque o Senado renova alternadamente um terço e dois terços de suas 81 cadeiras.
Em 2018, quando o Tocantins também escolheu dois senadores, Eduardo Gomes e Irajá Abreu conquistaram os mandatos.
Oito anos depois, são essas cadeiras que voltam ao ciclo eleitoral.
Eduardo tenta a reeleição.
Irajá desistiu de tentar renovar seu mandato.
A saída dele abriu ainda mais a disputa pela segunda cadeira e liberou lideranças políticas que estavam ligadas ao seu projeto.
Com o encerramento das convenções, dez partidos apresentaram 11 candidatos ao Senado no Tocantins.
São eles: Alexandre Guimarães, do MDB; Eduardo Gomes, do PL; Carlos Gaguim, do União Brasil; Eli Borges, do Republicanos; Ronaldo Dimas e Vanderlei Luxemburgo, ambos do Podemos; Paulo Mourão, do PT; Fábio Ribeiro, da Rede; Professor Osvaldo Soares, do PSOL; Nilton Santos, do Novo; e Flávio Alves Braga, da Democracia Cristã.
Mas existe uma parte dessas chapas que normalmente recebe muito menos atenção do eleitor: os suplentes.
Cada candidato ao Senado possui primeiro e segundo suplentes.
Eles não são nomes meramente decorativos.
Se o senador eleito deixar definitivamente o mandato, morrer, renunciar ou assumir outro cargo em situação que gere vacância, o primeiro suplente poderá ocupar a cadeira. Dependendo das circunstâncias, o segundo também pode entrar na linha sucessória.
Alexandre Guimarães terá Igor Danin como primeiro suplente e Thiago Simas Moura como segundo.
Eduardo Gomes terá o empresário e ex-senador Luiz Pastore na primeira suplência e a tenente Lusinete Bispo Araújo como segunda suplente.
A composição de Eduardo é diferente da chapa que o levou ao Senado em 2018. Naquela eleição, Siqueira Campos e Ogari Pacheco figuravam como seus suplentes.
Carlos Gaguim terá o empresário e reitor Muniz Araújo como primeiro suplente. Aluisio Gregorio Motta Junior aparece na segunda suplência.
Eli Borges terá o empresário e pastor Suelismar Caetano como primeiro suplente e o ex-vereador Elson Ribeiro como segundo.
Na chapa de Ronaldo Dimas, o ex-secretário de Palmas Sérgio Vieira Marques, conhecido como Soró, ocupa a primeira suplência. Antônia Gonçalves, ligada ao setor empresarial de Araguaína, aparece como segunda suplente.
Vanderlei Luxemburgo terá o empresário Jair Corrêa Júnior como primeiro suplente e o vereador de Augustinópolis Daniel Walison como segundo.
Paulo Mourão terá Sávio Barbalho como primeiro suplente e Mari Carneiro como segunda suplente.
Fábio Ribeiro terá Giane Oliveira da Silva na primeira suplência e Deusivete dos Santos na segunda.
Professor Osvaldo Soares terá Dayana Vieira como primeira suplente e Arenaldo Gomes como segundo.
Nilton Santos terá Eglison Abade na primeira suplência e Flávio José Costa na segunda.
As composições foram definidas pelas convenções e integram o desenho das candidaturas apresentadas para as duas cadeiras do Tocantins no Senado.
No caso da Democracia Cristã, a definição completa da suplência de Flávio Braga ainda estava em processo de consolidação no material consultado pelo DT.
Existe ainda uma terceira cadeira do Tocantins no Senado que não está diretamente em disputa em 2026, mas que pode mudar de titular dependendo do resultado da eleição para governador.
É justamente a cadeira conquistada por Professora Dorinha em 2022.
Se Dorinha for eleita governadora e deixar definitivamente o Senado para assumir o Palácio Araguaia, sua primeira suplente passa a ocupar papel fundamental na sucessão do mandato.
Por isso, a eleição para governador poderá produzir efeitos também sobre a composição da bancada tocantinense em Brasília.
Outro ponto levantado pelo Diário Tocantinense é o patrimônio declarado pelos candidatos.
Nesse quesito, os números disponíveis até esta segunda-feira mostram diferenças expressivas.
Laurez Moreira declarou R$ 9.635.406,23 em patrimônio em 2026.
Na eleição de 2022, quando disputou a Vice-Governadoria, havia declarado R$ 3.244.891,83.
Isso representa um aumento nominal de R$ 6.390.514,40 em quatro anos.
Percentualmente, o patrimônio declarado por Laurez cresceu aproximadamente 196,9%.
Em outras palavras, o valor informado à Justiça Eleitoral em 2026 é quase três vezes o declarado em 2022.
Entre os itens que aparecem na atual declaração está um rebanho bovino avaliado em mais de R$ 5,2 milhões, além de propriedades rurais, veículos, participações empresariais, aplicações e outros bens.
Professora Dorinha declarou R$ 2.352.740,28 em 2026.
Em 2022, quando disputou o Senado, havia informado patrimônio de R$ 720 mil.
A diferença é de R$ 1.632.740,28.
Em termos percentuais, o crescimento nominal é de aproximadamente 226,8%.
Isso produz um dado interessante.
Laurez teve, até agora, o maior crescimento em valores absolutos, com acréscimo de aproximadamente R$ 6,39 milhões.
Dorinha, porém, apresenta o maior crescimento proporcional entre os candidatos cujos valores de 2022 e 2026 já permitem comparação: cerca de 226,8%.
Na declaração atual de Dorinha constam participação em imóvel residencial, aplicações financeiras e veículo.
Witer Naves aparece, no registro consultado, sem bens de valor positivo declarados.
Como não existe uma candidatura anterior comparável disponível no mesmo recorte eleitoral utilizado pelo levantamento, não é possível estabelecer crescimento ou redução patrimonial entre 2022 e 2026.
A situação de Vicentinho Júnior exige uma observação.
Na última eleição, em 2022, ele declarou aproximadamente R$ 3,71 milhões em bens.
Na eleição anterior, em 2018, o valor declarado havia sido de aproximadamente R$ 3,11 milhões.
Entre 2018 e 2022, portanto, houve aumento nominal de aproximadamente R$ 601,7 mil, algo em torno de 19,3%.
Entretanto, até o fechamento desta apuração nesta segunda-feira, o novo valor patrimonial de Vicentinho para 2026 ainda não estava consolidado no recorte do sistema consultado pelo Diário Tocantinense.
Por isso, não é possível afirmar neste momento quanto seu patrimônio aumentou ou diminuiu desde 2022.
Assim que a declaração de 2026 for disponibilizada, o parâmetro para comparação será o patrimônio de aproximadamente R$ 3,71 milhões declarado há quatro anos.
A situação de Ataídes Oliveira também chama atenção pelo tamanho do patrimônio registrado na última eleição.
Em 2022, Ataídes declarou aproximadamente R$ 38,16 milhões.
Em 2018, havia declarado cerca de R$ 29,27 milhões.
Entre aqueles dois pleitos, portanto, houve aumento nominal de aproximadamente R$ 8,89 milhões, correspondente a cerca de 30,4%.
Esse é um dado importante porque coloca Ataídes, historicamente, entre os políticos com maior patrimônio declarado nas eleições tocantinenses.
Entretanto, assim como ocorre com Vicentinho, até o recorte consultado nesta segunda-feira a declaração de bens de Ataídes referente a 2026 ainda não permitia uma comparação definitiva com 2022.
Assim, o DT não atribui aumento ou redução patrimonial ao candidato neste momento.
No caso de Du Pereira, a situação é semelhante em relação à comparação histórica.
Como sua candidatura ao Governo ainda estava sendo incorporada ao sistema eleitoral e não existe uma declaração anterior equivalente que permita uma comparação direta nas mesmas condições, não é possível estabelecer, por enquanto, quanto o patrimônio teria aumentado ou diminuído.
A fotografia patrimonial já fechada, portanto, é a seguinte: Laurez passou de R$ 3,24 milhões para R$ 9,63 milhões, aumento de R$ 6,39 milhões ou 196,9%; Dorinha passou de R$ 720 mil para R$ 2,35 milhões, crescimento de R$ 1,63 milhão ou 226,8%; Witer aparece sem bens de valor positivo declarados; Vicentinho tinha R$ 3,71 milhões em 2022; Ataídes declarou R$ 38,16 milhões naquele pleito; e os valores atualizados destes últimos, juntamente com o quadro de Du Pereira, ainda dependem da consolidação dos registros de 2026.
É importante fazer uma ressalva.
O crescimento ou a redução de patrimônio declarado não representa, por si só, qualquer irregularidade.
Os valores são informados pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral e podem sofrer influência de aquisição ou venda de imóveis, rebanhos, veículos, aplicações, participações empresariais, recebimentos, investimentos e diferentes critérios de avaliação utilizados de uma eleição para outra.
O objetivo do levantamento do Diário Tocantinense é permitir ao eleitor comparar os dados públicos apresentados pelos próprios candidatos.
Além dos nomes e do patrimônio, o conteúdo dos planos de governo ajuda a mostrar as diferenças entre os projetos apresentados para o Tocantins.
Dorinha chega à campanha com algumas das metas mais objetivas já divulgadas.
Na saúde, seu plano prevê ampliar o programa permanente de cirurgias eletivas para 20 mil procedimentos por ano.
Também propõe colocar o Hospital Geral de Araguaína em funcionamento com capacidade total prevista de 400 leitos, concluir o novo Hospital da Mulher e Maternidade Estadual de Palmas e o Hospital Geral de Gurupi, além de construir uma nova maternidade em Araguatins.
A candidata defende ainda regionalização do atendimento especializado, fortalecimento dos hospitais municipais, concursos e convocações para a Saúde e expansão de residências profissionais.
Na segurança pública, Dorinha propõe concurso anual para inclusão de policiais militares, além de concursos para a Polícia Civil e modernização das forças estaduais.
Na infraestrutura, aparecem projetos ligados à BR-235, à travessia da Ilha do Bananal, à ponte entre Caseara e Santana e à integração de rodovias, Ferrovia Norte-Sul, aeroportos e potencial hidroviário.
Na educação, o programa prevê ampliação das escolas de tempo integral, fortalecimento da alfabetização, recuperação da aprendizagem, ensino técnico ligado às vocações regionais, cursinhos gratuitos para Enem e vestibulares, bolsas, auxílio-permanência e concursos para áreas com falta de professores.
O projeto econômico de Dorinha coloca ainda a industrialização da produção agrícola como uma das prioridades, defendendo maior processamento de grãos, carnes, óleos vegetais e biocombustíveis dentro do próprio Tocantins.
Vicentinho Júnior vem apresentando a educação como uma das áreas centrais de sua plataforma.
Entre as propostas está a construção de 50 novas escolas de tempo integral com centros de tecnologia digital.
O programa também prevê o Tocantins para o Mundo, destinado a intercâmbios internacionais para estudantes, fortalecimento do ensino técnico e profissionalizante, maior conectividade nas escolas rurais e formação tecnológica para professores.
Vicentinho também propõe ampliar a bolsa permanência para combater a evasão, realizar busca ativa de estudantes que abandonaram a escola e aproximar a formação profissional das demandas econômicas de cada região.
Na área dos profissionais da educação, aparecem propostas como descanso de voz dos professores e medidas relacionadas à valorização dos contratados.
O grupo também vem apresentando propostas para saúde, infraestrutura, geração de emprego, desenvolvimento regional e fortalecimento dos municípios.
Laurez Moreira tenta construir sua candidatura em torno da experiência administrativa e do discurso de mudança em relação ao atual grupo governista.
Entre as áreas defendidas estão redução das filas na saúde, valorização dos servidores públicos, fortalecimento da agricultura familiar, infraestrutura, industrialização, tecnologia e geração de empregos.
A composição com o PT também cria para Laurez a possibilidade de defender uma interlocução direta com o Governo Federal na busca por recursos e grandes projetos.
A escolha do coronel Silva Neto para a Vice-Governadoria adiciona ainda segurança pública e gestão à construção política da chapa.
Ataídes Oliveira concentra sua mensagem no combate à corrupção, redução de práticas que considera ineficientes na administração pública e adoção de um modelo de gestão baseado em resultados.
Durante a construção da candidatura, ele relacionou uma eventual mudança administrativa à melhoria da saúde, educação, segurança e infraestrutura.
Seu discurso também defende maior eficiência do Estado e ambiente favorável para geração de empregos e investimentos.
Witer Naves apresenta uma proposta de perfil mais ligado à esquerda programática.
O projeto da Federação PSOL-Rede coloca entre as prioridades o fortalecimento dos serviços públicos, redução das desigualdades, valorização dos servidores, participação popular na administração, proteção ambiental e defesa do Cerrado.
Também aparecem no programa propostas de desenvolvimento regional que considerem comunidades tradicionais, populações mais vulneráveis e regiões com menor acesso aos serviços públicos.
Du Pereira busca se apresentar como alternativa aos grupos tradicionais que dominam a política tocantinense.
Sua candidatura tem enfatizado mudança na forma de administrar, atenção direta às pessoas e críticas à repetição de promessas eleitorais.
Como o registro e os documentos da chapa ainda estavam em fase de consolidação no momento desta apuração, uma comparação detalhada entre seu programa definitivo e os planos dos demais candidatos deverá ser feita após 15 de agosto.
Quando 2026 é comparado a 2022, uma conclusão se torna evidente: o tabuleiro político do Tocantins foi praticamente desmontado e reconstruído em quatro anos.
Wanderlei Barbosa e Laurez venceram juntos em 2022. Agora estão em campos políticos opostos.
Dorinha saiu de uma eleição para o Senado, na qual obteve mais de 395 mil votos, para disputar o Governo.
Vicentinho deixa a corrida proporcional pela Câmara dos Deputados e tenta chegar ao Palácio Araguaia.
Amélio Cayres sai da condição de deputado estadual e presidente da Assembleia para disputar a Vice-Governadoria.
Alexandre Guimarães deixa a corrida para deputado federal e tenta chegar ao Senado.
Paulo Mourão, que enfrentou Wanderlei e Laurez na eleição para governador de 2022, agora disputa o Senado apoiando Laurez.
Ronaldo Dimas, segundo colocado na disputa pelo Governo em 2022, abandona a corrida pelo Palácio Araguaia e tenta uma das duas vagas ao Senado.
Ataídes, que disputou o Senado há quatro anos, retorna à corrida pelo Governo.
E a desistência de Irajá de buscar a reeleição ao Senado deixa aberta uma cadeira conquistada por ele em 2018.
O cenário senatorial de 2026, por isso, tem muito mais relação com 2018 do que com 2022.
Em 2018, o Tocantins escolheu dois senadores. Eduardo Gomes e Irajá foram eleitos. Em 2026, novamente são duas vagas.
Eduardo tenta renovar o mandato, enquanto a ausência de Irajá abre espaço para uma disputa envolvendo deputados federais, ex-candidatos ao Governo, empresários, religiosos, militares e outras lideranças políticas. E ainda existe a possibilidade de uma quarta movimentação na bancada.
Caso Dorinha seja eleita governadora, a cadeira que conquistou em 2022 poderá passar para sua suplência.
Isso significa que o resultado de outubro poderá alterar não apenas quem governa o Tocantins, mas também praticamente toda a configuração política do Estado em Brasília.
É exatamente por isso que conhecer apenas o nome do candidato principal não basta. O vice pode se tornar governador. O suplente pode se tornar senador. Os partidos mostram quem sustenta politicamente cada projeto.
O patrimônio permite comparar a evolução dos bens declarados. E os planos de governo oferecem ao eleitor um documento concreto para cobrar, futuramente, aquilo que foi prometido durante a campanha.
O levantamento feito pelo Diário Tocantinense nesta segunda-feira é uma fotografia anterior ao encerramento definitivo dos registros.
Até 15 de agosto, o TSE ainda poderá receber novas informações, declarações de bens, documentos e composições.A partir de 16 de agosto, começa oficialmente a propaganda eleitoral.
Depois do fechamento dos registros, será possível fazer uma nova comparação definitiva, com os seis candidatos ao Governo lado a lado, incluindo patrimônio atualizado de todos, vices, coligações, candidatos ao Senado, primeiros e segundos suplentes e as principais metas registradas nos respectivos planos de governo.
Até lá, uma coisa já está clara: a eleição de 2026 não é apenas uma disputa entre seis nomes pelo Palácio Araguaia.
É uma reorganização quase completa das forças que comandaram, enfrentaram ou sustentaram o poder político tocantinense nas últimas eleições.