Declarações de bens dos vices chamam atenção no Tocantins; erro faz patrimônio saltar de R$ 2 milhões para R$ 2 bilhões e campanha pede correção
As declarações patrimoniais dos candidatos a vice-governador do Tocantins começaram a revelar diferenças expressivas entre os integrantes das chapas que disputam o Palácio Araguaia nas eleições de 2026. Os dados apresentados à Justiça Eleitoral vão de candidatos que informaram não possuir bens a declarar a patrimônio superior a R$ 14 milhões. No meio desse levantamento, um erro de preenchimento acabou fazendo uma candidata aparecer inicialmente com mais de R$ 2 bilhões em patrimônio.
Conforme apurado pelo Diário Tocantinense a partir dos dados eleitorais e das informações divulgadas sobre as declarações apresentadas pelos candidatos, Amélio Cayres, candidato a vice na chapa encabeçada por Vicentinho Júnior, aparece até o momento com o maior patrimônio entre os nomes levantados: R$ 14.463.126,00. Os bens informados incluem imóveis, veículos e equipamentos.
Na chapa de Laurez Moreira, o candidato a vice Silva Neto declarou R$ 839.757,37 em patrimônio. Entre os bens informados estão imóveis e terrenos.
Mas foi a declaração apresentada pela candidata a vice-governadora Lúcia Viana, integrante da chapa de Professor Witer pela Federação PSOL-Rede, que provocou maior repercussão.
Nos dados inicialmente apresentados à Justiça Eleitoral, Lúcia apareceu com patrimônio de aproximadamente R$ 2,075 bilhões.
O número chamou atenção imediatamente por colocar a candidata em uma faixa patrimonial muito superior aos demais nomes da disputa estadual.
A diferença, no entanto, ocorreu por erro no preenchimento das informações.
Segundo nota divulgada pela própria candidatura, o patrimônio correto de Lúcia Viana é de aproximadamente R$ 2,07 milhões, conforme documentos comprobatórios apresentados pela campanha. A divergência entre o valor correto e aquele lançado inicialmente chega a aproximadamente R$ 2,068 bilhões.
A inconsistência pôde ser percebida também pela análise individual dos bens.
Entre os exemplos identificados estava um Renault Sandero que apareceu registrado por R$ 25 milhões, quando o valor correto seria de aproximadamente R$ 25 mil. A multiplicação equivocada dos valores acabou elevando artificialmente o patrimônio total da candidata para a casa dos bilhões.
Após a repercussão, as equipes jurídica e contábil da candidatura solicitaram a retificação da declaração perante a Justiça Eleitoral, com o objetivo de substituir os valores lançados incorretamente pelos números correspondentes aos documentos patrimoniais da candidata.
Em nota, a campanha classificou o episódio como um erro material durante a inserção das informações.
“Trata-se de um erro formal de digitação, plenamente verificável e passível de correção, que não modifica a realidade patrimonial da candidata nem compromete a regularidade de seu pedido de registro de candidatura”, afirmou a assessoria.
A candidatura também sustentou que não houve intenção de omitir patrimônio, prestar informação falsa ou induzir a Justiça Eleitoral e a sociedade ao erro. Segundo a equipe, a correção foi solicitada assim que a inconsistência foi identificada.
Com a retificação anunciada, Lúcia deve passar da cifra inicial de R$ 2,075 bilhões para aproximadamente R$ 2,07 milhões, alterando completamente sua posição dentro do levantamento patrimonial dos candidatos a vice no Tocantins.
Na chapa de Professora Dorinha, o candidato a vice Atos Gomes, do Republicanos, informou não possuir bens a declarar nos dados disponíveis até o levantamento consultado.
O mesmo ocorre com Jair Medeiros, que também aparece sem patrimônio declarado nas informações eleitorais levantadas até o momento.
Já os dados patrimoniais da candidata a vice da chapa de Ataídes Oliveira ainda não estavam disponíveis no sistema quando o levantamento original foi realizado, situação que pode mudar à medida que os pedidos de registro e documentos forem processados pela Justiça Eleitoral.
O próprio Tribunal Superior Eleitoral mantém o DivulgaCandContas, sistema oficial destinado à divulgação de informações sobre candidatos que solicitaram registro, incluindo dados pessoais, situação da candidatura, prestação de contas e declaração patrimonial.
A declaração de bens integra o processo de registro das candidaturas e permite que o eleitor conheça o patrimônio informado por quem pretende ocupar um cargo público.
Os valores são apresentados pelos candidatos à Justiça Eleitoral e podem incluir imóveis, terrenos, veículos, participações empresariais, aplicações financeiras e outros bens e direitos.
É importante destacar que possuir patrimônio elevado, reduzido ou mesmo não possuir bens a declarar não representa, isoladamente, irregularidade eleitoral. A informação tem principalmente função de transparência e permite acompanhar também a evolução patrimonial dos candidatos ao longo de diferentes eleições.
O caso de Lúcia Viana, porém, mostra como um erro de preenchimento pode alterar drasticamente a fotografia patrimonial apresentada ao eleitor.
Uma diferença de três casas decimais foi suficiente para transformar cerca de R$ 2 milhões em mais de R$ 2 bilhões.
Com o esclarecimento apresentado pela candidata e o pedido de retificação, a expectativa é que os registros eleitorais sejam atualizados com os valores corretos após o processamento da solicitação pela Justiça Eleitoral.
Até o momento, considerando os números divulgados e desconsiderando o valor bilionário que será objeto de correção, Amélio Cayres aparece com o maior patrimônio entre os candidatos a vice citados no levantamento, com R$ 14,46 milhões. Silva Neto declarou aproximadamente R$ 839,7 mil, enquanto Atos Gomes e Jair Medeiros aparecem sem bens declarados.
Já Lúcia Viana deverá figurar na faixa dos R$ 2,07 milhões, caso a Justiça Eleitoral processe a retificação nos termos informados pela candidatura.
O Diário Tocantinense ressalta que os registros eleitorais ainda podem sofrer atualizações durante o período de análise das candidaturas. O prazo legal para apresentação dos pedidos de registro nas eleições de 2026 segue até 15 de agosto, e informações apresentadas pelos partidos e candidatos podem passar por análise e ajustes previstos no processo eleitoral.
Os primeiros números, porém, já revelam um contraste expressivo entre os candidatos que pretendem ocupar a Vice-Governadoria do Estado.
De nenhum bem declarado a mais de R$ 14 milhões, as declarações oferecem ao eleitor uma nova camada de informações sobre os nomes que integram as principais chapas do Tocantins.
E, em meio aos milhões apresentados à Justiça Eleitoral, um simples erro de digitação produziu o número mais surpreendente até agora: um patrimônio de aproximadamente R$ 2 milhões que apareceu publicamente como R$ 2 bilhões.