Colômbia sob escombros: balanços passam de 200 mortos, milhares seguem desaparecidos e presidentes mobilizam ajuda
A Colômbia entra nesta quarta-feira, 12 de agosto, em uma fase decisiva das buscas por sobreviventes do terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste do país na manhã de segunda-feira, 10. Levantamento atualizado pelo Diário Tocantinense mostra que balanços regionais e reportagens que acompanham a tragédia já apontam pelo menos 224 mortes, enquanto o último consolidado nacional divulgado por fontes colombianas citado pela imprensa registrava 188 vítimas fatais. A diferença ocorre porque os números das cidades e departamentos afetados são atualizados em ritmos diferentes e ainda passam por consolidação nacional.
O cenário continua mudando rapidamente. A Associated Press informou que, até a atualização de terça-feira, havia pelo menos 181 mortos, 2.595 feridos e quase 4 mil pessoas reportadas como desaparecidas. Já levantamentos posteriores elevaram a contagem de mortes para 224. Por isso, o Diário Tocantinense trata os números como provisórios e sujeitos a novas atualizações ao longo desta quarta-feira.
O Serviço Geológico Colombiano confirmou que o terremoto ocorreu às 7h34, horário local, com epicentro em San José del Palmar, no departamento de Chocó, e profundidade de 103 quilômetros. A magnitude foi de 7,4, tornando o tremor o mais forte registrado na Colômbia no século XXI. O abalo foi sentido em todo o país e também houve relatos no Panamá e na Venezuela.
Cali, Pereira, Manizales, Quibdó e outras cidades do oeste colombiano concentram alguns dos maiores danos. Equipes de resgate trabalham entre prédios destruídos e estruturas consideradas instáveis, enquanto hospitais e serviços públicos tentam responder ao grande número de feridos. A extensão dos estragos inclui milhares de residências atingidas, além de escolas, unidades de saúde e outras estruturas públicas.
A corrida contra o tempo é ainda mais dramática porque as primeiras 72 horas após grandes desastres são consideradas fundamentais para encontrar pessoas vivas sob os escombros. Bombeiros, militares, policiais, equipes especializadas e moradores participam das operações, algumas delas realizadas manualmente em áreas onde máquinas pesadas ainda não conseguem entrar.
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, que assumiu o governo poucos dias antes da tragédia, suspendeu compromissos e passou a comandar a resposta nacional. Ele declarou situação de emergência e afirmou que a prioridade é encontrar sobreviventes, atender os feridos e garantir apoio às famílias afetadas. Em suas manifestações públicas, o presidente buscou transmitir à população a mensagem de que os atingidos não estão sozinhos e que o Estado permanecerá mobilizado durante a emergência e a reconstrução.
O terremoto tornou-se, assim, a primeira grande crise enfrentada pelo novo governo colombiano. Além da emergência humanitária, De la Espriella terá de lidar com os impactos econômicos, a reconstrução de infraestrutura e a situação de regiões onde pobreza, dificuldade de acesso e conflitos armados já complicavam a presença do Estado antes mesmo do desastre.
A tragédia também provocou uma forte mobilização internacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade à Colômbia e colocou o Brasil à disposição para colaborar com as ações de emergência. O Itamaraty informou inicialmente não ter registro de brasileiros entre as vítimas e sinalizou que o país poderia apoiar os colombianos conforme as necessidades apresentadas pelo governo de Bogotá.
Lula lamentou as mortes e transmitiu solidariedade às famílias atingidas. A disposição brasileira ocorre poucos meses depois de o país mobilizar ajuda humanitária em resposta a outros grandes desastres na região, o que abre a possibilidade de envio de equipamentos, insumos e equipes especializadas caso haja uma solicitação formal da Colômbia.
No México, a presidente Claudia Sheinbaum afirmou que seu governo dará “todo o apoio” de que a Colômbia precisar. O país já preparou uma operação de grande porte com 255 integrantes, entre militares, médicos, profissionais de busca e salvamento e equipes com cães treinados. O contingente aguardava a solicitação formal colombiana para iniciar o deslocamento.
Além dos profissionais, o México preparou toneladas de medicamentos, alimentos, ferramentas, barracas, telefones por satélite, geradores e outros equipamentos. A operação foi estruturada para utilizar aeronaves militares no deslocamento até a região de Cali.
Do Equador, o presidente Daniel Noboa colocou à disposição da Colômbia uma equipe USAR formada por 47 especialistas em busca e salvamento, além de cães treinados e equipamentos com autonomia para operar durante sete dias. “Colômbia, Equador está com vocês”, afirmou Noboa ao anunciar a oferta de ajuda.
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, também se manifestou. Ele afirmou que seu país estava em contato com autoridades colombianas e pronto para fornecer equipes de resgate, médicos, paramédicos, suprimentos e qualquer outro apoio considerado necessário. Bukele também disse que suas orações estavam com as famílias das vítimas, os feridos e todos os colombianos afetados pela tragédia.
No Chile, o presidente José Antonio Kast lembrou a experiência de seu próprio país com grandes terremotos. Segundo ele, o Chile conhece “a dor e o desafio” deixados pelos sismos e está disponível para ajudar no que a Colômbia necessitar. O governo chileno colocou sua experiência em emergências e equipes especializadas à disposição dos colombianos.
O presidente argentino Javier Milei também manifestou condolências e solidariedade ao povo colombiano. O governo argentino indicou disposição para prestar a assistência que venha a ser solicitada por Bogotá.
Da China, o presidente Xi Jinping enviou mensagem diretamente a Abelardo de la Espriella. Xi afirmou estar profundamente consternado com as vítimas e os danos provocados pelo terremoto, transmitiu condolências às famílias dos mortos e desejou recuperação aos feridos.
Os Estados Unidos anunciaram um dos maiores aportes financeiros imediatos. A administração de Donald Trump comprometeu US$ 15,5 milhões para ações emergenciais envolvendo abrigo, alimentos, proteção das populações atingidas e avaliação dos danos provocados pelo terremoto. O secretário de Estado Marco Rubio afirmou que Washington acompanha a situação e está pronto para apoiar a população colombiana e o governo de De la Espriella.
Até o momento, não há registro, nas fontes consultadas pelo Diário Tocantinense, de uma declaração pessoal de Trump detalhando a resposta ao terremoto. O anúncio formal da ajuda norte-americana partiu de sua administração e do Departamento de Estado. O DT evita atribuir ao presidente norte-americano uma fala que não tenha sido diretamente confirmada.
A União Europeia anunciou nesta quarta-feira € 2 milhões em ajuda humanitária. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, informou o aporte para apoiar as comunidades atingidas. A União Europeia também mobilizou recursos de monitoramento por satélite para auxiliar na avaliação dos danos e nas operações de emergência.
Outros países também ofereceram algum tipo de colaboração. Entre os governos que manifestaram apoio ou disponibilidade para enviar equipes, suprimentos ou assistência estão Peru, Panamá, Venezuela, Israel, Espanha, Itália, Cuba, Bolívia, Guatemala e Ucrânia. As ofertas incluem equipes de busca, pessoal médico, ajuda logística, alimentos e materiais emergenciais.
Nem toda oferta internacional, entretanto, significa que equipes estrangeiras já estejam atuando no território colombiano. Parte dos países permanece aguardando autorização ou pedido formal de Bogotá. A coordenação da entrada de pessoal externo é considerada essencial para impedir sobreposição de equipes e garantir que os recursos sejam enviados para as áreas onde realmente são necessários. O caso mexicano é um exemplo: toda a estrutura foi preparada, mas o governo aguardava sinal verde colombiano para mobilizá-la.
Enquanto os governos discutem a ajuda internacional, histórias de sobrevivência continuam surgindo entre os escombros. Equipes conseguiram retirar pessoas com vida de estruturas destruídas horas depois do terremoto, alimentando a esperança das famílias que ainda procuram parentes.
O Serviço Geológico Colombiano alerta ainda para a possibilidade de novas réplicas. Nas primeiras horas após o terremoto, pelo menos 18 movimentos secundários já haviam sido registrados, com magnitudes entre 1,4 e 4,8. O órgão afirma que as réplicas podem continuar durante dias, semanas ou até meses.
A explicação para a intensa atividade sísmica está na localização geológica da Colômbia. No Pacífico colombiano ocorre o processo de subducção, em que a placa de Nazca mergulha sob a placa Sul-Americana. A liberação de energia nesse encontro entre placas provoca terremotos e faz da região uma das áreas de maior atividade sísmica do continente.
Na manhã desta quarta-feira, a prioridade continua sendo encontrar sobreviventes. A contagem das vítimas ainda não está encerrada, há divergências entre balanços locais e o consolidado nacional e novas informações podem alterar significativamente o tamanho da tragédia.
O Diário Tocantinense seguirá acompanhando as atualizações da Colômbia ao longo do dia, principalmente a evolução do número de mortos e desaparecidos, novas réplicas, eventuais brasileiros afetados, a chegada das equipes internacionais e a decisão do governo colombiano sobre quais ofertas de ajuda serão efetivamente utilizadas.