Tocantins acelera quase o dobro do Brasil nas exportações e transforma semestre em superávit de US$ 1,7 bilhão

Tocantins acelera quase o dobro do Brasil nas exportações e transforma semestre em superávit de US$ 1,7 bilhão
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 12 de agosto de 2026 0

O Tocantins encerrou o primeiro semestre de 2026 com um dos resultados mais fortes de sua história no comércio exterior. Entre janeiro e junho, o Estado exportou US$ 1,905 bilhão, crescimento de 20,17% em relação aos US$ 1,585 bilhão registrados no mesmo período de 2025. Com importações bem inferiores às vendas externas, a balança comercial tocantinense terminou o período com superávit próximo de US$ 1,7 bilhão.

Apuração do Diário Tocantinense mostra que o resultado ganha ainda mais peso quando colocado diante do desempenho nacional. O Brasil encerrou os primeiros seis meses de 2026 com superávit comercial de US$ 42,4 bilhões, US$ 12,2 bilhões acima do registrado no mesmo intervalo do ano passado. Nesse cenário, os aproximadamente US$ 1,7 bilhão obtidos pelo Tocantins representam algo em torno de 4% de todo o saldo positivo da balança comercial brasileira no semestre.

Embora esteja longe dos maiores estados exportadores em valores absolutos, o Tocantins chama atenção pelo ritmo de expansão. O Estado ficou na 15ª posição nacional entre as unidades da Federação em valor exportado e na terceira colocação da Região Norte, respondendo por aproximadamente 11% das exportações regionais no primeiro semestre.

A comparação com estados de economia agroexportadora ajuda a dimensionar o resultado. Mato Grosso do Sul, por exemplo, exportou US$ 5,912 bilhões no primeiro semestre e acumulou superávit de US$ 4,648 bilhões. O Tocantins exportou um volume significativamente menor, mas seu saldo de aproximadamente US$ 1,7 bilhão já corresponde a mais de um terço do superávit sul-mato-grossense.

O grande motor tocantinense continua sendo a soja. O produto gerou US$ 1,139 bilhão em vendas ao exterior somente entre janeiro e junho de 2026. Em seguida vieram as carnes bovinas congeladas, com US$ 306,5 milhões, o ouro, com US$ 152,4 milhões, e tortas e resíduos da extração do óleo de soja, com cerca de US$ 117,9 milhões.

A China permanece no centro dessa movimentação. O país asiático comprou aproximadamente US$ 1,22 bilhão em produtos tocantinenses no primeiro semestre, correspondendo a 64,41% de tudo o que o Estado vendeu para o exterior. Sozinha, a soja enviada ao mercado chinês respondeu por mais de US$ 1 bilhão.

Entre os municípios, Porto Nacional liderou o ranking estadual, com aproximadamente US$ 362 milhões em exportações, seguido por Santa Rosa do Tocantins, Almas, Palmas e Campos Lindos. A concentração evidencia como determinados municípios transformaram produção agrícola, agroindústria e estrutura empresarial em operações internacionais registradas diretamente em seus territórios.

Colinas do Tocantins apresenta uma situação diferente e que merece atenção. No levantamento municipal baseado no Comex Stat, o município não registrou valor relevante de exportação entre julho de 2025 e junho de 2026. Apenas entre janeiro e junho deste ano, porém, as importações registradas no município somaram aproximadamente US$ 3,7 milhões, considerando os valores mensais disponibilizados na base. Fertilizantes aparecem entre os principais produtos adquiridos no exterior.

O dado não significa, entretanto, que a produção agropecuária de Colinas ou da região não chegue ao mercado externo. O próprio Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços explica que, no módulo municipal do Comex Stat, as operações são atribuídas ao domicílio fiscal da empresa responsável pela exportação ou importação, independentemente do município onde a mercadoria tenha sido efetivamente produzida ou extraída. Uma carga produzida na região de Colinas, portanto, pode aparecer estatisticamente vinculada a outro município onde esteja instalada a sede fiscal da exportadora.

Essa particularidade é fundamental para compreender a posição de Colinas. A cidade está diretamente conectada à Ferrovia Norte-Sul e possui histórico de integração ao sistema ferroviário. Documentos oficiais registram a ligação ferroviária entre Araguaína e o Pátio Multimodal de Colinas e, posteriormente, a extensão do trecho entre Colinas e Guaraí.

A Ferrovia Norte-Sul operada pela VLI entre Açailândia, no Maranhão, e Porto Nacional integra o Corredor Centro-Norte, conectando a produção tocantinense ao sistema logístico que alcança o Maranhão e o Porto de Itaqui. Para municípios localizados nesse eixo, como Colinas, a ferrovia representa uma vantagem estratégica para receber, armazenar e movimentar cargas agrícolas.

Outro sinal dessa vocação está no investimento da Castrolanda Cooperativa Agroindustrial no município. A cooperativa escolheu Colinas para implantar um novo entreposto agrícola destinado ao recebimento de grãos. O projeto prevê capacidade estática inicial de aproximadamente 44 mil toneladas, reforçando Colinas como ponto de apoio à expansão do agronegócio no centro-norte tocantinense.

Por isso, o desafio de Colinas é diferente do enfrentado pelos municípios que já lideram diretamente as exportações. A cidade possui localização privilegiada junto à BR-153, acesso ferroviário e novos investimentos no armazenamento e comercialização de grãos, mas ainda há espaço para transformar essa posição logística em maior presença industrial, atração de empresas exportadoras e geração local de valor agregado.

Para o Diário Tocantinense, os números ajudam a revelar duas realidades complementares. De um lado, o Tocantins está ganhando mercado internacional em velocidade elevada, sustentado sobretudo por soja, carne, mineração e produtos da agroindústria. Do outro, cidades estratégicas como Colinas precisam avançar da condição de corredor e suporte ao agronegócio para uma etapa em que mais empresas estejam instaladas, industrializem a matéria-prima e registrem suas operações comerciais dentro do próprio município.

O avanço da indústria de transformação já começa a aparecer no resultado estadual. No primeiro semestre, o setor respondeu por cerca de 33,83% das exportações tocantinenses, movimentando aproximadamente US$ 644,7 milhões. Isso mostra que existe espaço para o Tocantins crescer não apenas aumentando a produção de soja e carne, mas processando parte maior dessa riqueza dentro de suas próprias cidades.

No caminho inverso, os fertilizantes permanecem como ponto de dependência. As importações tocantinenses chegaram a US$ 192,6 milhões no semestre, dos quais cerca de US$ 113,3 milhões, ou 58,8%, foram gastos com adubos e fertilizantes. É justamente um dos segmentos que também aparece nas compras internacionais registradas em Colinas, evidenciando a ligação direta entre o comércio exterior e a expansão agrícola regional.

O Tocantins chega, assim, à segunda metade de 2026 com um superávit bilionário e uma oportunidade ainda maior diante de si: transformar os dólares gerados pelo campo em indústria, empregos e renda dentro do Estado. Para Colinas do Tocantins, situada em um dos corredores mais importantes da produção regional, o próximo passo é aproveitar ferrovia, rodovia, armazenamento de grãos e novos investimentos para deixar de ser apenas um ponto estratégico de passagem e se consolidar também como polo de agroindustrialização e comércio exterior.

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