Fim de uma geração? Senado terá 54 cadeiras em jogo e dezenas de nomes podem deixar Brasília; veja o mapa do Brasil
As eleições de 2026 poderão provocar uma das maiores mudanças da última década no Senado Federal. Em outubro, estarão em disputa 54 das 81 cadeiras, o equivalente a dois terços da Casa. Cada estado e o Distrito Federal elegerão dois senadores para mandatos de oito anos e, por isso, cada eleitor poderá escolher dois candidatos diferentes. Os dois mais votados em cada unidade da Federação serão eleitos, sem segundo turno.
Levantamento nacional realizado pelo Diário Tocantinense, atualizado nesta quinta-feira, 13 de agosto, mostra um cenário que mistura tentativa de sobrevivência de políticos experientes, aposentadorias eleitorais, mudanças de cargo, desistências ocorridas depois das convenções e uma nova geração tentando chegar ao Senado.
O retrato ainda não é absolutamente definitivo. As convenções partidárias terminaram em 5 de agosto, mas os partidos, federações e coligações têm até as 19 horas deste sábado, 15 de agosto, para apresentar os pedidos de registro das candidaturas à Justiça Eleitoral. Até lá ainda podem ocorrer ajustes nas chapas e nos registros.
Antes das convenções, levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) indicava que 34 dos 54 senadores em fim de mandato pretendiam buscar a reeleição. Uma atualização posterior apontou 35 interessados em continuar na Casa. O número, porém, foi novamente alterado por decisões tomadas nas últimas semanas, como as desistências de Irajá, no Tocantins; Nelsinho Trad, em Mato Grosso do Sul; e Confúcio Moura, em Rondônia.
Entre os nomes que não tentarão continuar como titulares do Senado estão figuras conhecidas da política nacional. Paulo Paim e Luis Carlos Heinze, no Rio Grande do Sul; Flávio Arns e Oriovisto Guimarães, no Paraná; Jorge Kajuru, em Goiás; Rodrigo Pacheco, em Minas Gerais; Irajá, no Tocantins; Nelsinho Trad, em Mato Grosso do Sul; Daniella Ribeiro, na Paraíba; Jader Barbalho, no Pará; Flávio Bolsonaro, no Rio de Janeiro; Confúcio Moura e Marcos Rogério, em Rondônia; Roberta Acioly, em Roraima; Giordano e Mara Gabrilli, em São Paulo, estão entre os atuais ocupantes ou titulares do ciclo que não seguem em busca do mesmo mandato. Alguns deixam as urnas, enquanto outros disputam cargos diferentes ou passam a integrar chapas como suplentes.
O precedente mostra que ocupar o cargo não significa garantia de permanência. Em 2018, quando também foram disputadas 54 vagas, a renovação chegou a 85,1% das cadeiras colocadas em votação, segundo levantamento citado pelo Poder360 a partir dos dados do DIAP.
O Diário Tocantinense mostra, estado por estado, como está o mapa neste momento:
- Acre: as cadeiras que encerram mandato são de Márcio Bittar (PL) e Sérgio Petecão (PSD). Os dois apareciam no levantamento nacional do DIAP buscando a reeleição. Dessa forma, a renovação no Acre dependerá diretamente das urnas, porque os dois titulares pretendem defender seus mandatos.
- Alagoas: os mandatos em jogo são os de Renan Calheiros (MDB) e Dra. Eudócia (PSDB). Ambos aparecem no ciclo eleitoral buscando permanecer no Senado. Renan chega à disputa como um dos parlamentares mais experientes do Congresso, aumentando o peso político da eleição alagoana.
- Amapá: Lucas Barreto (PSD) e Randolfe Rodrigues (PT) ocupam as duas cadeiras que vencem e aparecem no projeto de reeleição. Nesse caso, os adversários terão que retirar ao menos um dos dois titulares para produzir renovação.
- Amazonas: Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB) chegam ao fim dos mandatos e os dois aparecem buscando mais oito anos no Senado. Trata-se de outra unidade da Federação onde não há, por enquanto, cadeira automaticamente aberta pela desistência de um titular.
- Bahia: as cadeiras são ocupadas por Jaques Wagner (PT) e Angelo Coronel (Republicanos), e os dois entram no ciclo tentando continuar. A Bahia, pelo tamanho de seu eleitorado e pelo peso de suas lideranças, será um dos estados observados nacionalmente na disputa pelo equilíbrio político do Senado.
- Ceará: Cid Gomes (PSB) tenta renovar o mandato. A outra cadeira do ciclo 2019-2027 passou por uma mudança recente e, desde 11 de agosto, é ocupada por Sargento Reginauro (PSDB). A disputa eleitoral, entretanto, está concentrada em outros nomes. Pesquisa Atlas/Focus divulgada em 12 de agosto mostrou Luizianne Lins, Cid Gomes e Capitão Wagner tecnicamente empatados, tornando o Ceará uma das batalhas mais apertadas pelo Senado neste momento.
- Distrito Federal: Leila Barros (PDT) disputa a permanência, enquanto Izalci Lucas (PL) deixou o projeto de reeleição ao Senado e optou pela Câmara dos Deputados, conforme o levantamento do DIAP. A corrida pelas duas vagas ganhou nomes de grande projeção nacional e uma das cadeiras está necessariamente aberta a um novo titular.
- Espírito Santo: Fabiano Contarato (PT) e Marcos do Val (Avante) estão no caminho da reeleição. Marcos do Val chegou a considerar uma candidatura ao Governo, mas recuou e o Avante oficializou sua tentativa de permanecer no Senado. Assim, os dois atuais mandatos têm titulares na disputa.
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Goiás: aqui o cenário merece atenção especial. As cadeiras em jogo pertencem hoje a Vanderlan Cardoso (PSD) e Jorge Kajuru (PSB). Vanderlan tenta a reeleição, mas Kajuru decidiu não disputar novo mandato. Com isso, pelo menos uma cadeira goiana obrigatoriamente terá novo titular em 2027.
Depois das convenções, Goiás chegou a 11 nomes para as duas vagas: Gracinha Caiado (União Brasil), Gustavo Mendanha (PRD), Vanderlan Cardoso (PSD), Zacharias Calil (MDB), Gustavo Gayer (PL), Oséias Varão (PL), Iure Castro (Cidadania), Ernesto Roller (PSDB), Cíntia Dias (PSOL), Isaura Lemos (PSB) e Guilherme Darques (UP). A quantidade e o peso político dos concorrentes fazem de Goiás uma das disputas mais fragmentadas do país.
- Maranhão: Eliziane Gama (PSD) e Weverton Rocha (PDT) ocupam as duas cadeiras que encerram o mandato e aparecem tentando permanecer. Além dos titulares, o estado colocou na discussão eleitoral outros nomes de grande conhecimento público, ampliando a competitividade da disputa.
- Mato Grosso: Carlos Fávaro (PSD) tenta continuar no Senado. Jayme Campos (União Brasil) não optou pela reeleição ao cargo e chegou ao período pré-eleitoral mirando o Governo do Estado. Independentemente do desfecho de seu projeto político, sua cadeira no Senado entra na disputa sem uma candidatura dele à recondução.
- Mato Grosso do Sul: o cenário mudou às vésperas das convenções. Nelsinho Trad (PSD) desistiu da reeleição e passou a integrar como suplente a chapa de Reinaldo Azambuja (PL). Já Soraya Thronicke (PSB) confirmou a candidatura a um novo mandato. Assim, uma das duas cadeiras já terá obrigatoriamente um novo titular.
- Minas Gerais: Carlos Viana (PSD) está novamente na corrida pelo Senado e tenta a reeleição. O cenário mudou depois do levantamento preliminar do DIAP, que inicialmente o colocava fora. Rodrigo Pacheco (PSB), por outro lado, não busca renovar seu mandato. Dessa forma, uma das duas vagas mineiras necessariamente terá mudança de titular.
- Pará: a mudança tem forte componente geracional. Jader Barbalho (MDB) não disputa novamente como titular do Senado e integra a chapa do filho Helder Barbalho como primeiro suplente. Já Zequinha Marinho (Podemos) ocupa a outra cadeira em fim de mandato. A saída de Jader da disputa como titular garante renovação em pelo menos uma vaga.
- Paraíba: Veneziano Vital do Rêgo (MDB) busca permanecer. Daniella Ribeiro (PP) abriu mão da tentativa de reeleição e decidiu integrar como primeira suplente a chapa de Nabor Wanderley. Com isso, ao menos uma cadeira paraibana mudará de titular.
- Paraná: é um dos estados com renovação total garantida. Flávio Arns (PSB) e Oriovisto Guimarães (PSDB) decidiram não disputar a reeleição. Isso significa que os dois senadores eleitos pelo Paraná em outubro serão novos titulares das cadeiras. Entre os nomes que passaram a ocupar espaço na disputa estão políticos como Alexandre Curi, Cristina Graeml, Deltan Dallagnol, Filipe Barros, Gleisi Hoffmann e outros concorrentes apresentados pelas forças estaduais.
- Pernambuco: Humberto Costa (PT) e Fernando Dueire (PSD) estão nas duas cadeiras que terminam em 2027 e aparecem no ciclo de reeleição. A entrada de outros nomes competitivos, entre eles Marília Arraes, aumenta a pressão sobre os atuais senadores.
- Piauí: Ciro Nogueira (PP) e Marcelo Castro (MDB) tentam continuar na Casa. São dois políticos com forte presença partidária nacional e regional, o que transforma a disputa em um teste de força para os grupos que tentam renovar a representação piauiense.
- Rio de Janeiro: Carlos Portinho (PL) busca renovar o mandato. Flávio Bolsonaro (PL) deixou a disputa pela reeleição ao Senado para concorrer à Presidência da República. Isso garante pelo menos um novo senador pelo Rio de Janeiro a partir de 2027. Nesta quinta-feira, 13, a campanha presidencial de Flávio ainda enfrentava um problema no registro relacionado à sua filiação partidária, situação que o PL tentava regularizar junto ao TSE.
- Rio Grande do Norte: Styvenson Valentim (Podemos) e Zenaide Maia (PSD) aparecem buscando novos mandatos. Os dois atuais titulares, portanto, entram diretamente na eleição para defender as cadeiras conquistadas no ciclo de 2018.
- Rio Grande do Sul: é outro estado de renovação completa. Nem Paulo Paim (PT) nem Luis Carlos Heinze (PP) disputarão a reeleição. Paim encerra um longo ciclo no Congresso e sua saída tem forte simbolismo para a esquerda. Heinze também deixa a vaga aberta. Com isso, os dois nomes eleitos em outubro serão diferentes dos atuais titulares. Entre os candidatos que passaram a ocupar o centro da corrida estão Manuela D’Ávila, Paulo Pimenta, Germano Rigotto, Marcel van Hattem e Ubiratan Sanderson, em um cenário fragmentado.
- Rondônia: o estado passou de uma projeção de apenas uma mudança para a possibilidade de renovação das duas cadeiras. Marcos Rogério (PL) deixou o Senado como objetivo eleitoral para concorrer ao Governo estadual. Já Confúcio Moura (MDB) anunciou posteriormente que não disputará a reeleição. Dessa maneira, nenhum dos dois atuais titulares das vagas em jogo tenta permanecer no Senado.
- Roraima: Chico Rodrigues (PSB) aparece no projeto de reeleição. Roberta Acioly (Republicanos), que atualmente ocupa a outra cadeira do ciclo, direcionou seu projeto para uma candidatura a deputada federal. Assim, uma das duas vagas roraimenses terá novo titular.
- Santa Catarina: Esperidião Amin (PP) busca mais um mandato. Ivete da Silveira (MDB) ocupa a outra cadeira que termina em 2027 e não vinha sendo colocada entre os nomes da disputa pela reeleição. A corrida catarinense ganhou ainda maior projeção com candidaturas de nomes ligados aos principais grupos nacionais.
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São Paulo: o maior colégio eleitoral do país terá renovação das duas cadeiras. Giordano (Podemos) não aparece buscando novo mandato e Mara Gabrilli (PSD) decidiu deixar a corrida ao Senado para disputar uma vaga de deputada estadual. Portanto, os dois senadores eleitos por São Paulo serão novos titulares.
E a batalha paulista está aberta. Pesquisa Ideia/ACSP divulgada em agosto colocou Simone Tebet com 26,8%, Marina Silva com 23,3%, Guilherme Derrite com 19,4%, André do Prado com 19% e Ricardo Salles com 16,4%, considerando a soma dos dois votos possíveis para senador. Dez candidaturas já haviam sido confirmadas ou oficializadas pelas convenções até 11 de agosto.
- Sergipe: Alessandro Vieira (MDB) e Rogério Carvalho (PT) aparecem buscando permanecer no Senado. Como os dois titulares concorrem, a renovação sergipana dependerá exclusivamente do desempenho dos adversários nas urnas.
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Tocantins: o cenário também mudou profundamente após as convenções. As cadeiras em fim de mandato pertencem a Eduardo Gomes (PL) e Irajá (PSD), mas somente Eduardo Gomes tenta a reeleição. Irajá anunciou em 6 de agosto que não será candidato, após afirmar que seu nome e o de Ivanete Lima foram excluídos da documentação da convenção do PSD. Com a desistência, uma das duas vagas tocantinenses terá obrigatoriamente um novo titular em 2027.
Após o encerramento das convenções, 11 nomes de dez partidos foram apresentados para disputar as duas vagas do Tocantins: Alexandre Guimarães (MDB), Eduardo Gomes (PL), Carlos Gaguim (União Brasil), Eli Borges (Republicanos), Ronaldo Dimas (Podemos), Vanderlei Luxemburgo (Podemos), Paulo Mourão (PT), Fábio Ribeiro (Rede), Osvaldo Soares (PSOL), Nilton Santos (Novo) e Flávio Alves Braga (DC). Irajá não integra mais essa relação.
O mapa nacional mostra, portanto, três cenários diferentes. Há estados em que os dois titulares tentam continuar, casos em que apenas um senador busca a reeleição e unidades onde as duas vagas já estão abertas para novos nomes.
Entre os exemplos de renovação total estão Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia e São Paulo, considerados os movimentos mais expressivos desta eleição. Já Tocantins, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Rio de Janeiro, Roraima e outros estados terão pelo menos uma cadeira necessariamente ocupada por um nome diferente do atual titular.
Também é necessário separar quem não quer mais disputar eleição de quem simplesmente escolheu outro caminho. Paulo Paim, Oriovisto Guimarães e Jorge Kajuru estão entre os nomes que sinalizaram encerramento ou afastamento das disputas eleitorais. Outros continuam politicamente ativos: Flávio Bolsonaro disputa a Presidência; Marcos Rogério foi para a corrida estadual; Roberta Acioly busca a Câmara Federal; Mara Gabrilli mira a Assembleia Legislativa; Daniella Ribeiro, Nelsinho Trad e Jader Barbalho aceitaram posições de suplência.
No Tocantins, Irajá representa uma situação diferente. O senador pretendia inicialmente disputar a reeleição, mas retirou sua candidatura depois do processo de composição partidária. Sua saída muda diretamente o tabuleiro: Eduardo Gomes passa a ser o único dos atuais ocupantes das duas vagas tentando permanecer, enquanto dez adversários disputam espaço por uma das duas cadeiras.
Em Goiás, o fenômeno é semelhante em parte. Vanderlan Cardoso defende o mandato, mas Jorge Kajuru está fora. A diferença é o tamanho da concorrência: são 11 nomes saídos das convenções para apenas duas cadeiras, incluindo Gracinha Caiado, Gustavo Mendanha, Zacharias Calil, Gustavo Gayer e outros políticos conhecidos do eleitor goiano.
O peso dessa eleição vai muito além das carreiras individuais. O Senado analisa indicações para tribunais superiores e outras autoridades, participa da elaboração das leis, possui competências específicas previstas na Constituição e será peça fundamental na relação entre o próximo presidente da República e o Congresso Nacional. Uma mudança de 54 cadeiras tem potencial para alterar significativamente a correlação de forças dentro da Casa.
Por isso, partidos de diferentes campos políticos tratam a eleição ao Senado como uma das prioridades estratégicas de 2026. Com duas vagas por estado, há espaço tanto para chapas formadas por aliados quanto para o chamado voto cruzado, quando o eleitor escolhe candidatos vinculados a grupos políticos distintos.
A fotografia levantada pelo Diário Tocantinense nesta quinta-feira, 13, ainda poderá receber ajustes até sábado, quando termina o prazo de registro. Mas uma conclusão já é possível: o Senado que tomará posse em fevereiro de 2027 será diferente do atual. Veteranos estão deixando as urnas, titulares trocaram a reeleição por outros projetos e estados importantes já sabem, antes mesmo da votação, que terão novos representantes.
Se o precedente de 2018 voltar a se repetir, a transformação pode ser ainda maior. Naquele pleito, mesmo com dezenas de senadores tentando permanecer, a renovação alcançou 85,1% das 54 cadeiras disputadas. Agora, oito anos depois, uma nova batalha por dois terços do Senado começa com veteranos tentando resistir, nomes tradicionais se despedindo e dezenas de candidatos buscando ocupar o espaço deixado por uma geração que começa a sair de cena.