Dinheiro entra na disputa: campanhas ao Governo do Tocantins começam a revelar quem banca a corrida eleitoral
quem banca a corrida eleitoral
O dinheiro começou oficialmente a entrar na corrida pelo Palácio Araguaia. Levantamento sobre as prestações de contas das candidaturas ao Governo do Tocantins mostra que os primeiros recursos já foram declarados à Justiça Eleitoral e começam a revelar quem está financiando a disputa de 2026. Neste início de campanha, Ataídes Oliveira (Novo) e Professora Dorinha (União Brasil) são os candidatos que aparecem com receitas identificadas, enquanto as demais candidaturas ainda não apresentavam arrecadação nos registros divulgados no recorte consultado. Somadas, as primeiras entradas chegam a R$ 85 mil.
Quem larga na frente em volume arrecadado é Ataídes Oliveira, candidato do Novo. A campanha registra R$ 70 mil em recursos recebidos. A maior parte desse dinheiro saiu do próprio bolso do candidato: Ataídes colocou R$ 50 mil na própria campanha, o equivalente a 71,43% de tudo o que havia sido arrecadado até aquele momento.
Os outros R$ 20 mil registrados na campanha de Ataídes foram doados por Nathalia de Souza Povoa, que responde por 28,57% da arrecadação. O modelo inicial de financiamento, portanto, mostra uma candidatura sustentada principalmente por recursos próprios, embora já conte também com uma contribuição de pessoa física.
Do lado da Professora Dorinha, a arrecadação registrada inicialmente é de R$ 15 mil. Todo o montante declarado até então veio de uma única doadora, Melina da Silva Abreu. Assim, 100% da receita registrada pela candidatura de Dorinha nesse primeiro momento tem origem nessa contribuição de pessoa física.
A diferença entre as duas campanhas que já apresentaram entrada de dinheiro é expressiva neste estágio inicial. Ataídes aparece com R$ 70 mil, enquanto Dorinha registra R$ 15 mil. Isso significa que o candidato do Novo começou a movimentação financeira com um volume quase cinco vezes superior ao registrado pela candidata do União Brasil. O cenário, porém, ainda está muito distante de indicar qual candidatura terá maior estrutura financeira ao longo da eleição.
Nas demais campanhas ao Governo do Tocantins — Vicentinho Júnior (PSDB), Laurez Moreira (PSD), Du Pereira (DC), Professor Witer Naves (PSOL) e Subtenente Luiz Carlos (Democrata) — ainda não apareciam, no levantamento que revelou as primeiras doações, receitas de campanha semelhantes às já registradas por Dorinha e Ataídes. O Tocantins possui atualmente sete candidaturas ao governo registradas na base consultada.
Quando o olhar passa do dinheiro que entrou para o dinheiro que saiu, o retrato ainda é de uma campanha em fase inicial. As despesas informadas aparecem zeradas nos registros disponíveis dos candidatos consultados, o que significa que ainda não havia gastos declarados nessas atualizações da base — e não necessariamente que as campanhas não estivessem realizando atividades políticas ou assumindo compromissos que seriam informados posteriormente.
No perfil da Professora Dorinha, atualizado com informações do TSE em 24 de agosto, constavam R$ 0,00 em despesas informadas. O dado contrasta com os R$ 15 mil já registrados como receita e mostra que, até aquela atualização, o recurso recebido ainda não aparecia convertido em despesa declarada na base consultada.
A situação era semelhante para Laurez Moreira. O perfil atualizado em 24 de agosto também indicava R$ 0,00 em despesas informadas. Portanto, apesar da movimentação política da campanha e das agendas pelo Estado, os gastos ainda não apareciam contabilizados naquele retrato público da prestação de contas.
Vicentinho Júnior também aparecia com R$ 0,00 em despesas informadas na atualização consultada. A candidatura do PSDB, que integra a coligação Pra Cima Tocantins, ainda não tinha gasto financeiro declarado nesse registro, assim como não apareceu entre as campanhas com as primeiras receitas identificadas no levantamento divulgado em 24 de agosto.
Na campanha de Ataídes Oliveira, apesar dos R$ 70 mil já registrados como entrada, o perfil consultado também apresentava R$ 0,00 em despesas informadas em sua atualização disponível. Com isso, Ataídes aparece neste início como o candidato que mais arrecadou entre aqueles com receitas já divulgadas, mas sem despesas registradas naquele momento da prestação de contas.
O mesmo quadro de R$ 0,00 em despesas informadas aparecia nas candidaturas de Du Pereira, do Democracia Cristã, Professor Witer Naves, do PSOL, e Subtenente Luiz Carlos, do Democrata. Os registros reforçam que a prestação de contas ainda está no começo e deverá sofrer mudanças significativas à medida que contratos, pagamentos, doações e transferências partidárias forem inseridos no sistema.
Assim, considerando as primeiras receitas divulgadas, o placar financeiro inicial da corrida ao Governo do Tocantins fica com Ataídes Oliveira, R$ 70 mil recebidos; Professora Dorinha, R$ 15 mil; e os demais candidatos ainda sem arrecadação identificada no levantamento publicado sobre as primeiras entradas de recursos. Nas despesas declaradas disponíveis nos perfis consultados, os sete candidatos ainda aparecem com valor zerado.
Mas os números atuais representam apenas a largada. As campanhas ao Governo do Tocantins podem gastar até R$ 6.226.082,16 no primeiro turno. Caso haja segundo turno, o limite adicional é de R$ 3.113.041,08. Isso coloca cada candidatura diante da possibilidade de movimentar milhões de reais durante a campanha, muito acima dos R$ 85 mil que aparecem nesse primeiro retrato das receitas.
É justamente por isso que a fotografia financeira deverá mudar rapidamente. Até agora, ainda não aparecem grandes transferências dos diretórios partidários nem repasses expressivos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha nas receitas mencionadas das candidaturas ao governo. Quando esse dinheiro começar a chegar, a diferença de estrutura entre os grupos políticos poderá ficar muito mais evidente.
No caso de Dorinha, por exemplo, a candidata está à frente de uma ampla coligação formada por Republicanos, Podemos, Avante, PL, Federação Renovação Solidária e Federação União Progressista. Laurez disputa pela coligação Pra Frente Tocantins, formada por PDT, PSB, PSD e Federação Brasil da Esperança. Vicentinho Júnior concorre pela coligação Pra Cima Tocantins, que reúne MDB e Federação PSDB Cidadania. Essas estruturas partidárias são relevantes porque podem influenciar diretamente a capacidade de financiamento das respectivas campanhas ao longo das próximas semanas.
A eleição de 2026, portanto, começa a apresentar uma segunda disputa paralela à das pesquisas, apoios políticos e agendas de rua: a corrida pelo caixa de campanha. Por enquanto, Ataídes colocou mais dinheiro na pista, principalmente com recursos próprios, e Dorinha registrou a primeira contribuição externa de sua candidatura. Vicentinho, Laurez e os demais ainda aparecem sem receitas identificadas nesse primeiro levantamento.
A tendência é que os valores cresçam substancialmente com a proximidade do início da propaganda eleitoral gratuita e a intensificação das viagens, produção de programas de rádio e televisão, contratação de equipes, publicidade digital, material gráfico, estruturas de comitês, combustível, eventos e mobilização de rua.
Mais do que revelar quem tem mais dinheiro, a prestação de contas permitirá acompanhar quem financia cada candidatura e onde cada campanha está gastando. Conforme novos recursos entrarem e as primeiras despesas forem registradas, o eleitor começará a enxergar com maior clareza o tamanho financeiro de cada projeto que disputa o comando do Tocantins.
Retrato das contas no início da campanha: Ataídes, R$ 70 mil recebidos; Dorinha, R$ 15 mil; total identificado, R$ 85 mil. Nas despesas informadas das sete candidaturas consultadas, os registros disponíveis ainda apontavam R$ 0,00. Os valores são parciais e poderão ser alterados a qualquer momento com novas informações encaminhadas à Justiça Eleitoral.