Análise DT: Dorinha chega à frente nas pesquisas, aliados precisam vestir a camisa e governo enfrenta pressão por mudanças no secretariado; Senado vira corrida aberta

Análise DT: Dorinha chega à frente nas pesquisas, aliados precisam vestir a camisa e governo enfrenta pressão por mudanças no secretariado; Senado vira corrida aberta
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Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 3 de setembro de 2026 5

A eleição de 2026 no Tocantins entra em setembro com Professora Dorinha no centro do tabuleiro político. A candidata do União Brasil aparece numericamente à frente de Vicentinho Júnior nos principais levantamentos recentes de primeiro turno e possui uma das maiores estruturas partidárias e municipais já montadas nesta campanha. O desafio agora é transformar tamanho político em voto. Para isso, prefeitos, vereadores, deputados e candidatos proporcionais precisam “vestir a camisa” da majoritária e ampliar a presença da campanha nos 139 municípios tocantinenses.

Na Quaest, Dorinha chegou a 37%, contra 28% de Vicentinho Júnior. Laurez Moreira apareceu com 7%, Ataídes Oliveira com 3% e Luiz Carlos com 2%. A Lucro Ativo também mostrou vantagem maior para Dorinha, com 39,27%, contra 25,67% de Vicentinho. Já Paraná Pesquisas e Real Time Big Data apresentaram uma eleição mais apertada, colocando os dois principais adversários em situação de empate técnico.

É justamente essa diferença entre os institutos que impede qualquer acomodação. Dorinha lidera, possui musculatura política e uma ampla rede municipal, mas Vicentinho continua vivo e competitivo. O deputado aposta em Amélio Cayres na vice, Alexandre Guimarães como principal nome para o Senado e passou a defender também Vanderlei Luxemburgo como segundo voto senatorial.

Dorinha, por outro lado, tem Atos Gomes como vice e concentra ao redor de sua candidatura uma grande frente partidária, além do apoio político do governador Wanderlei Barbosa e de importantes gestores municipais. Wagner Rodrigues, em Araguaína, Eduardo Siqueira Campos, em Palmas, Josi Nunes, em Gurupi, Ronivon Maciel, em Porto Nacional, e dezenas de prefeitos espalhados pelo interior fazem parte de uma estrutura que dá à candidata presença em praticamente todas as regiões do Tocantins. Mas apoio declarado não é voto depositado na urna.

A reta final exige mais dos proporcionais. A coligação que sustenta Dorinha possui dezenas de candidatos competitivos para deputado estadual e federal. Cada um deles carrega grupos próprios, vereadores, líderes comunitários, coordenadores, empresários, segmentos religiosos, associações e bases eleitorais. A campanha majoritária precisa chegar junto com essas estruturas aos bairros, distritos, assentamentos e municípios menores.

É nesse ponto que nomes como Cláudia Lelis ganham importância. Ex-vice-governadora e deputada estadual em segundo mandato, Cláudia não entra em 2026 apenas com discurso eleitoral. Sua trajetória reúne atuação no Executivo, experiência parlamentar, presença municipalista e trabalho em áreas como saúde, infraestrutura, turismo, educação, esporte, meio ambiente e políticas de proteção às mulheres.

Cláudia também apresenta crescimento eleitoral. Depois de conquistar 6.746 votos em 2018, praticamente dobrou sua votação em 2022, chegando a 12.674 votos. Desde então, ampliou presença política no interior e fortaleceu bases em diferentes regiões. Em 2026, abriu sua caminhada reunindo lideranças de dezenas de municípios e chega à disputa com capacidade própria de mobilização.

Para uma majoritária, esse tipo de candidatura proporcional possui peso especial. Cláudia consegue conversar com bases que ultrapassam um único município, tem histórico no Executivo estadual e possui reconhecimento em segmentos diferentes. Se candidatos com essa estrutura entrarem efetivamente na defesa da chapa majoritária, Dorinha amplia enormemente sua capacidade de chegar ao eleitor.

O mesmo raciocínio vale para candidatos a deputado federal e estadual espalhados pela ampla composição. A campanha não pode funcionar como dezenas de projetos individuais. Quem integra uma aliança majoritária também precisa deixar claro ao eleitor qual projeto de Governo defende.

O governador Wanderlei Barbosa também entra nessa equação. Ele é um dos principais articuladores da candidatura de Dorinha e possui influência sobre prefeitos, vereadores e lideranças do interior. Politicamente, seu governo será inevitavelmente colocado no centro da eleição, tanto pelos aliados quanto pelos adversários.

Dentro desse cenário, cresce também a discussão sobre eventuais mudanças no primeiro e segundo escalões. Secretários e presidentes de autarquias que apresentam baixa capacidade de entrega, desgaste administrativo ou pouca eficiência podem naturalmente entrar em uma avaliação do governador. Uma reforma precisa, entretanto, obedecer a critérios administrativos e técnicos, jamais transformar cargos ou estruturas públicas em instrumentos eleitorais.

Se houver setores do Governo do Tocantins que precisam melhorar, este é também o momento de cobrar resultados. Uma administração mais eficiente pode melhorar a avaliação pública do grupo; uma estrutura que acumula problemas poderá ser usada pela oposição contra a candidatura apoiada por Wanderlei.

Vicentinho já tenta explorar exatamente esse caminho, associando Dorinha à atual gestão. A candidata, por sua vez, trabalha para manter o apoio do governador sem perder identidade própria, apresentando propostas e destacando sua trajetória no Congresso, especialmente nas áreas de educação, municipalismo e articulação de recursos.

Laurez Moreira tenta ocupar uma terceira via nesse confronto. Com apoio de PSD, PT, PDT, PSB e partidos da Federação Brasil da Esperança, possui Paulo Mourão como seu principal candidato ao Senado e trabalha para romper a polarização entre Dorinha e Vicentinho. No Senado, a eleição é outra guerra.

O Tocantins terá duas vagas e cada eleitor poderá votar em dois candidatos. Isso muda completamente o comportamento das alianças. Eduardo Gomes aparece como o nome mais consistente na liderança quando os levantamentos recentes são observados em conjunto. Na Quaest, marcou 14%, seguido por Gaguim com 13%, Paulo Mourão com 9%, Alexandre Guimarães com 8%, Ronaldo Dimas com 6%, Luxemburgo com 5% e Eli Borges com 4%.

Outros institutos apresentam diferenças importantes. O Real Time colocou Eduardo com 26%, Alexandre com 18%, Gaguim com 10%, Luxemburgo com 9%, Ronaldo Dimas com 8%, Eli Borges com 7% e Paulo Mourão com 6%. Já o Paraná também mostrou Eduardo na frente, seguido por Alexandre e Gaguim. A leitura política é clara: Eduardo Gomes começa setembro ocupando a posição mais consistente no primeiro pelotão. A segunda vaga, entretanto, está completamente aberta.

Gaguim possui forte ligação com Dorinha, inclusive por pertencer ao mesmo partido. Alexandre Guimarães aparece diretamente associado à chapa de Vicentinho e Amélio. Paulo Mourão busca consolidar o eleitor ligado ao campo de Laurez e Lula. Ronaldo Dimas aposta no recall de sua trajetória em Araguaína. Luxemburgo tenta transformar conhecimento nacional em voto político. E Eli Borges precisa estar no centro das atenções dessa corrida.

O deputado federal aparece atrás do primeiro pelotão em alguns levantamentos, mas outros cenários já mostraram capacidade de crescimento. Além disso, possui um ativo político importante: o Republicanos está diretamente ligado à chapa de Dorinha por meio do candidato a vice, Atos Gomes, e também integra o grupo político do governador Wanderlei Barbosa.

Isso significa que Eli possui estrutura partidária, mandato, eleitorado próprio e espaço para crescer. O desafio é transformar essa estrutura em presença estadual e fazer com que seu nome seja lembrado quando o eleitor pensar no segundo voto para senador. Esse segundo voto poderá decidir a eleição.

Um eleitor de Dorinha pode votar em Eduardo e Eli. Outro pode escolher Eduardo e Gaguim. Um eleitor de Vicentinho pode seguir Alexandre e Luxemburgo. Outros podem misturar candidatos pertencentes a grupos diferentes. Não existe obrigação de chapa fechada para o Senado. É por isso que as campanhas senatoriais precisam caminhar pelos 139 municípios com intensidade própria.

Palmas, Araguaína, Gurupi, Porto Nacional, Paraíso, Colinas, Guaraí, Araguatins, Augustinópolis, Tocantinópolis e Dianópolis são polos importantes, mas a soma das pequenas cidades continua decisiva. O Tocantins possui uma enorme quantidade de municípios com eleitorados menores, e juntos eles conseguem definir uma eleição estadual.

Dorinha chega a setembro com a vantagem de possuir mais capilaridade política, uma ampla coligação e liderança numérica em diferentes pesquisas de primeiro turno. Vicentinho chega competitivo e procurando abrir fissuras dentro dessa estrutura. Laurez tenta evitar que a campanha se transforme definitivamente numa polarização.

Para o grupo de Dorinha, a mensagem da reta final é simples: estrutura sem mobilização não basta. Prefeitos precisam aparecer. Vereadores precisam trabalhar suas bases.

Candidatos proporcionais precisam caminhar junto com a majoritária. Lideranças como Cláudia Lelis, que possuem voto, história, mandato, entregas e presença regional, podem ter papel relevante nessa multiplicação.

O governo precisa entregar resultados e corrigir setores que eventualmente não estejam funcionando.

E no Senado, Eduardo Gomes tenta consolidar a dianteira enquanto Gaguim, Alexandre Guimarães, Paulo Mourão, Ronaldo Dimas, Luxemburgo e Eli Borges travam uma disputa em que a segunda cadeira continua sem dono.

A eleição chega, portanto, ao momento em que fotografia deixa de ser suficiente. Depois de convenções, grandes eventos e declarações de apoio, começa a fase em que cada grupo terá de mostrar sua verdadeira força nas ruas.

Dorinha tem hoje uma enorme estrutura à disposição. O desafio é fazê-la funcionar por inteiro.

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