Senado em ebulição no Tocantins: Dorinha apoia fim da 6×1, ministro fortalece Mourão e Michelle entra na campanha de Eli

Senado em ebulição no Tocantins: Dorinha apoia fim da 6×1, ministro fortalece Mourão e Michelle entra na campanha de Eli
Crédito: Divulgação
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 4 de setembro de 2026 10

Votação trabalhista em Brasília e entrada de personagens nacionais na disputa tocantinense mostram como a corrida pelas duas vagas ao Senado ganhou novas camadas na reta final

A disputa pelas duas vagas do Tocantins no Senado atravessa uma semana de forte movimentação. Em Brasília, Professora Dorinha ficou entre os senadores favoráveis ao avanço da proposta que põe fim à escala 6×1. Em Palmas, uma agenda do ministro dos Transportes ampliou a exposição política de Paulo Mourão. Na direita, Michelle Bolsonaro entrou diretamente na propaganda de Eli Borges.

Os três fatos são diferentes, mas têm algo em comum: aproximam a corrida tocantinense de temas e personagens nacionais.

Na quarta-feira, 2, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a PEC 221/2019, que estabelece dois dias de descanso remunerado por semana e reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas, sem redução salarial. A votação foi simbólica. Dos 27 senadores presentes, quatro registraram posição contrária: Rogério Marinho, Hamilton Mourão, Tereza Cristina e Jaime Bagattoli.

Professora Dorinha esteve entre os parlamentares alinhados à aprovação do texto. Tecnicamente, por ter sido votação simbólica, não houve contagem nominal individual como ocorre em votações eletrônicas, mas não houve registro de voto contrário da senadora tocantinense.

A PEC ainda não está aprovada em definitivo. Precisa passar pelo Plenário do Senado em dois turnos e alcançar pelo menos 49 dos 81 votos em cada votação. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, afirmou que a análise deverá ocorrer depois das eleições, ainda em 2026.

Os efeitos econômicos e trabalhistas dividem especialistas. Os professores Ricardo Calcini, do Insper, e Eduardo Gomes Gaelzer, pesquisador do GTrab-USP, apontam mudanças relevantes na organização das folgas e da jornada se o texto for promulgado. Já entidades empresariais alertam para necessidade de contratação adicional em setores que funcionam continuamente, enquanto o Dieese avalia que o impacto agregado sobre custos pode ser absorvível em diferentes segmentos.

Enquanto Dorinha ganhou exposição nacional pela pauta trabalhista, Paulo Mourão buscou vincular sua candidatura ao diálogo com o governo federal.

Em Palmas, o ministro dos Transportes, George Santoro, participou de agenda sobre infraestrutura e integração multimodal após convite de Mourão. A presença de um ministro do governo Lula ao lado do candidato petista fortaleceu politicamente a imagem de interlocução de Mourão com Brasília, embora as fontes consultadas não permitam afirmar que Santoro tenha formalizado apoio eleitoral ao candidato. Essa distinção é importante.

No campo conservador, Eli Borges recebeu um reforço de grande alcance.

Michelle Bolsonaro gravou mensagem pedindo voto ao candidato do Republicanos ao Senado. A ex-primeira-dama destacou valores conservadores e religiosos associados a Eli. O movimento tem uma particularidade: Michelle já havia também manifestado apoio a Eduardo Gomes, outro candidato ao Senado no Tocantins.

Com duas vagas em disputa, apoios nacionais podem ser distribuídos entre mais de um nome, o que aumenta a complexidade da corrida.

A Quaest divulgada em agosto mostrou Eduardo Gomes com 14%, Carlos Gaguim com 13% e Paulo Mourão com 9%, além de parcela expressiva de eleitores ainda sem definição. Esse grau de abertura ajuda a explicar por que cada candidato tenta adicionar novas referências nacionais à própria campanha.

O resultado é um Senado em ebulição: pauta trabalhista, governo Lula, bolsonarismo, lideranças religiosas e grupos estaduais disputam simultaneamente a atenção do eleitor tocantinense.

E, como cada eleitor poderá escolher dois nomes para o Senado, as combinações de segundo voto podem ser tão importantes quanto a liderança isolada de cada candidato.

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