Wanderlei Barbosa prepara legado de um Tocantins mais próximo dos municípios e deixa sua marca da política de base ao Governo do Estado

Wanderlei Barbosa prepara legado de um Tocantins mais próximo dos municípios e deixa sua marca da política de base ao Governo do Estado
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 8 de setembro de 2026 7

Quando Wanderlei Barbosa encerrar seu ciclo à frente do Governo do Tocantins, sua passagem pelo Palácio Araguaia será analisada para além das obras, investimentos e números. O governador deixará também uma trajetória marcada pela política municipalista, pela proximidade com prefeitos e lideranças, pela relação direta com o interior e pela decisão política de colocar sua força e seu grupo na continuidade de um projeto que hoje tem a Professora Dorinha como candidata ao Governo do Estado.

Natural de Porto Nacional, Wanderlei construiu uma carreira que praticamente atravessa todos os degraus da política tocantinense. Começou como vereador, exerceu funções na administração de Taquaruçu durante os primeiros anos de Palmas, conquistou sucessivos mandatos na Câmara Municipal da Capital, chegou à Assembleia Legislativa, tornou-se vice-governador e, posteriormente, assumiu definitivamente o comando do Tocantins. Em 2022, recebeu nas urnas a confirmação popular para permanecer governador.

Essa origem ajuda a explicar uma das principais marcas de seu governo: a relação com os municípios. Wanderlei nunca construiu sua imagem como um político restrito aos corredores de Brasília ou aos gabinetes do Palácio Araguaia. Sua base sempre esteve ligada ao contato com prefeitos, vereadores, produtores, trabalhadores, lideranças comunitárias e moradores das cidades do interior.

Ao longo da gestão, infraestrutura esteve entre as áreas mais visíveis. Rodovias, pontes, pavimentação urbana, parques industriais e obras estruturantes chegaram a diferentes regiões do Tocantins. Em Paraíso, por exemplo, o Governo participou da revitalização do Parque Agroindustrial. Em Gurupi, ações de infraestrutura buscaram fortalecer o desenvolvimento econômico e a logística regional. Colinas do Tocantins também esteve presente nessa agenda, com discussões e investimentos relacionados ao Anel Viário Braço Norte, pavimentação e recuperação de importantes corredores rodoviários.

Na saúde, a gestão buscou ampliar serviços e estruturar uma rede capaz de reduzir a necessidade de deslocamento dos tocantinenses para outros Estados. Entre as ações estão investimentos na assistência hospitalar, no tratamento oncológico e a continuidade de grandes estruturas planejadas para atender principalmente o norte do Estado, como o Hospital Geral de Araguaína.

Na educação, Wanderlei chega ao período final do governo com investimentos em reformas, ampliações, climatização das escolas e valorização da estrutura física da rede estadual. O governo também promoveu medidas relacionadas à carreira e às progressões dos servidores públicos, um tema historicamente sensível para diferentes categorias do funcionalismo.

Mas um legado político também é feito de escolhas sobre quem continuará um projeto.

E nesse ponto Wanderlei Barbosa fez sua escolha de maneira pública e clara: Professora Dorinha.

O governador tem colocado sua presença, sua estrutura política e seu próprio capital eleitoral ao lado da candidata. Não se trata apenas de participar de convenções ou aparecer em fotografias. Wanderlei vem percorrendo municípios, subindo em palanques, conversando com lideranças e pedindo diretamente votos para Dorinha.

Em um dos discursos mais simbólicos desta campanha, Wanderlei afirmou que “quem ajudou meu governo foi Dorinha”, reconhecendo a participação da senadora na articulação de recursos e ações destinadas ao Tocantins. Em outras agendas, declarou confiança na trajetória, no currículo e no compromisso da candidata para sucedê-lo no Governo.

É um apoio que, politicamente, pode ser definido como incondicional dentro do projeto de continuidade do grupo. Wanderlei não esconde sua escolha e procura transferir para Dorinha uma parte do patrimônio político construído durante sua gestão.

Mais do que indicar uma sucessora, o governador tenta convencer o eleitor de que Dorinha poderá preservar avanços do atual governo e, ao mesmo tempo, imprimir sua própria identidade administrativa. Em Gurupi, chegou a afirmar que deseja que a candidata faça uma continuidade “muito melhor”, numa demonstração de que o apoio não está baseado simplesmente em conservar tudo como está, mas em permitir que o próximo governo avance a partir da estrutura deixada.

Essa união também revela algo importante sobre o legado de Wanderlei: a tentativa de deixar um grupo político organizado depois de sua saída do Palácio Araguaia. Em vez de terminar o mandato sem um projeto sucessório, o governador trabalha diretamente para entregar sua base a uma candidata que considera preparada para continuar governando o Estado.

Ao lado dele aparece também uma figura que ganhou protagonismo próprio ao longo dos últimos anos: a primeira-dama Karynne Sotero.

Karynne construiu uma presença que vai além do papel tradicional de primeira-dama. Participando de agendas sociais, políticas e municipais, tornou-se uma das principais articuladoras femininas ligadas ao atual grupo de governo e assumiu participação ativa na campanha de Dorinha.

Dentro do Movimento Mulheres com Dorinha, Karynne vem reunindo prefeitas, primeiras-damas, vereadoras, lideranças comunitárias e mulheres de diferentes regiões. A mobilização já passou por Palmas, Jalapão, Bico do Papagaio e outras regiões, numa estratégia que pretende construir uma rede feminina nos 139 municípios.

Em suas manifestações públicas, Karynne tem apresentado Dorinha como uma mulher preparada para governar o Tocantins e reforçado especialmente a importância da representação feminina na política. Ao defender a candidatura, a primeira-dama também procura mobilizar mulheres que muitas vezes acompanham a política pelos municípios, associações, comunidades e trabalhos sociais, mas ainda possuem participação menor nos espaços formais de poder.

Essa parceria entre Wanderlei e Karynne acaba compondo uma parte importante da própria sucessão. De um lado, o governador coloca sua experiência, sua estrutura municipalista e sua força política. Do outro, a primeira-dama trabalha principalmente uma rede feminina e social que busca aproximar Dorinha das famílias e das lideranças locais.

É também uma construção de continuidade.

Wanderlei parece compreender que seu legado não será medido apenas pelo último dia de mandato. Parte dele dependerá do que permanecer funcionando depois que ele deixar o Governo e de quem estará no Palácio Araguaia para dar sequência aos projetos iniciados.

Por isso, a eleição de Dorinha passou a fazer parte da própria narrativa política do governador.

Ao apoiar a candidata de forma firme, Wanderlei coloca em jogo também a avaliação de seu governo. Se o eleitor entender que o Tocantins avançou durante sua gestão, a campanha tentará transformar essa percepção em voto para continuidade. Se houver cobranças, será Dorinha quem terá de mostrar como pretende corrigir problemas e avançar em novas áreas.

Essa é uma escolha política que também revela confiança. Wanderlei poderia terminar o mandato preservando distância da disputa sucessória. Preferiu fazer o contrário: entrou diretamente na campanha.

Ao lado de Dorinha, percorre cidades, conversa com lideranças e pede votos. Ao lado de Karynne, trabalha para manter unido um grupo que reúne prefeitos, vereadores, parlamentares e bases eleitorais espalhadas pelo Tocantins.

Quando deixar o Governo, Wanderlei Barbosa poderá ser lembrado pelas estradas, investimentos, escolas, hospitais, políticas para os servidores e pelo municipalismo que marcou sua relação com as cidades. Mas também poderá ser lembrado pela maneira como organizou sua sucessão e colocou seu peso político ao lado de uma mulher para comandar o Estado.

Há nisso um simbolismo importante. Depois de uma longa caminhada iniciada ainda na política municipal, Wanderlei chega ao final de seu ciclo defendendo a possibilidade de o Tocantins ter na Professora Dorinha uma mulher conduzindo o próximo capítulo dessa história.

Karynne Sotero também participa dessa construção, representando a força das mulheres dentro do grupo e funcionando como uma das pontes entre a campanha, as famílias e as lideranças femininas espalhadas pelo Estado.

O tempo será responsável por definir o tamanho definitivo do legado de Wanderlei Barbosa. Mas algumas marcas já estão colocadas: um governador de origem municipal, que conhece a política desde a base, que percorreu praticamente todos os caminhos até chegar ao Palácio Araguaia e que, na reta final de sua trajetória no Executivo estadual, decidiu não ficar em cima do muro.

Wanderlei escolheu Dorinha, colocou Karynne ao lado dessa caminhada e aposta na continuidade de um projeto que pretende entregar ao próximo governo um Tocantins mais estruturado do que aquele que recebeu.

Notícias relacionadas