EXCLUSIVO DT | “A gente mora no trecho”: May e Gabi abrem o coração em Colinas e revelam bastidores da vida na estrada

EXCLUSIVO DT | “A gente mora no trecho”: May e Gabi abrem o coração em Colinas e revelam bastidores da vida na estrada
Crédito: DT
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 9 de setembro de 2026 4

May e Gabi chegaram a Colinas do Tocantins carregando na bagagem músicas, histórias, saudade e a experiência de quem praticamente transformou as estradas do Brasil em casa. Em entrevista exclusiva ao Diário Tocantinense, durante participação no Hora da Fama, as cantoras falaram sobre carreira, família, composições, influências musicais e a relação construída com o público tocantinense.

Conhecidas por transformar acontecimentos da vida real em música, May e Gabi explicaram que essa característica nasceu antes mesmo da construção de uma identidade artística para a dupla. “Primeiro de tudo, nós somos pessoas reais”, disseram.

As artistas destacaram que são compositoras e participam diretamente da construção do repertório que apresentam ao público. Segundo elas, os álbuns já lançados contam com músicas autorais, algumas compostas exclusivamente pela dupla e outras produzidas ao lado de parceiros. “Nós somos compositoras, então nós escrevemos nossas músicas. Hoje todos os nossos álbuns já lançados são autorais”, afirmaram durante a entrevista ao Diário Tocantinense.

Foi justamente escrevendo sobre aquilo que viviam ou acompanhavam de perto que as duas perceberam que sentimentos aparentemente individuais também faziam parte da realidade de milhares de outras pessoas. “Começamos a compartilhar histórias nossas, histórias que nós conhecemos muito de perto. Histórias pessoais, de pessoas que a gente conhece. E nós começamos a entender que muitos sentimentos eram comuns”, relataram.

A partir daí, surgiu uma das definições que melhor representa o trabalho das artistas: contadoras de histórias da vida real. “Entendemos que nós éramos contadoras de histórias da vida real. Então a gente decidiu escrever sobre isso”, explicaram.

A ligação com o sertanejo também começou muito antes da formação da dupla. Curiosamente, May e Gabi viveram experiências semelhantes durante a infância mesmo sem se conhecerem naquela época. Uma cresceu no Mato Grosso e a outra no interior de São Paulo. Em comum, tiveram pais ligados ao violão, à música sertaneja e ao hábito de cantar dentro de casa.

“Meu pai e o pai da Gabi tocavam violão e cantavam e ensinaram a gente. Nessa época a gente nem se conhecia. Gabi no interior de São Paulo, eu no Mato Grosso”, contou May. Foi dentro de casa que elas aprenderam também elementos tradicionais do gênero, como a segunda voz, característica marcante da música sertaneja.

Ao mesmo tempo, as mães apresentaram estilos completamente diferentes às futuras cantoras. Flashbacks, músicas italianas, francesas, artistas brasileiros e referências internacionais se misturaram ao sertanejo raiz ouvido com os pais.

Essa diversidade acabou influenciando a construção musical de May e Gabi, que carregam elementos do sertanejo tradicional, mas não escondem referências vindas de diferentes gêneros.

Hoje, as duas vivem oficialmente em Goiânia, Goiás, um dos principais centros da música sertaneja brasileira. Mas a resposta dada ao Diário Tocantinense sobre onde realmente moram arrancou risadas e resumiu perfeitamente a rotina atual das artistas. “A gente mora no trecho.”

A frase revela uma realidade comum para artistas que vivem entre shows, hotéis, aeroportos, estradas, entrevistas e compromissos profissionais em diferentes estados do Brasil. “Tem uma casa em Goiânia, mas a gente mora no trecho”, brincaram.

A vida na estrada, segundo May e Gabi, exige dedicação e também algumas renúncias. Apesar do ritmo intenso, elas afirmam que conhecer pessoas e criar conexão com o público faz com que todo o esforço tenha sentido.

“A vida na estrada é muito sobre conexão. Ela não é fácil porque é uma correria. Mas os presentes que a música traz para a gente, essa conexão com as pessoas, a quantidade de pessoas que a gente consegue conhecer e as histórias que muitas vezes viram músicas fazem valer tudo a pena”, disseram. A passagem por Colinas do Tocantins também ganhou um significado especial. Essa foi a primeira vez que May e Gabi estiveram no município, no norte do estado.

As artistas disseram ao Hora da Fama que chegaram ansiosas para conhecer a cidade e foram surpreendidas pelo carinho do público desde os primeiros momentos. “Colinas tem nos recebido muito bem. A gente já chegou no hotel com uma recepção supercarinhosa”, contaram.

O Tocantins, entretanto, já faz parte da trajetória da dupla. May e Gabi afirmaram que o estado tem recebido o trabalho delas de maneira especial. “Tocantins é uma terra que a gente gosta muito. A gente sempre foi muito bem recebida aqui no Tocantins”, destacaram.

Palmas também ocupa espaço nessa relação. A capital tocantinense foi cenário para a gravação do clipe da música “Menina Leve”, um dos trabalhos citados pelas artistas durante a entrevista.

“É uma terra que tem abraçado muito as nossas músicas. Toda cidade que a gente chega, a gente é muito bem recebida”, disseram.

Por trás da agenda, dos palcos e da alegria apresentada ao público, existe também um lado mais delicado da carreira. A distância da família é um dos maiores desafios enfrentados pelas artistas.“A família é a saudade. É a casa da saudade”, resumiram.

Estar na estrada significa, em algumas oportunidades, deixar de participar presencialmente de aniversários, festas, casamentos e outros acontecimentos importantes.“São momentos que nós deixamos de participar. Uma festa, um casamento, um aniversário, momentos que são importantes e às vezes até alguns momentos mais delicados”, relataram.

Mesmo assim, May e Gabi procuram maneiras de permanecer presentes na vida das pessoas que amam. Ligações telefônicas, chamadas de vídeo e mensagens ajudam a diminuir a distância provocada pela agenda.

Um dos exemplos lembrados durante a entrevista ocorreu no nascimento de um sobrinho. Mesmo longe fisicamente, uma delas participou da preparação do chá revelação e chegou a produzir a música utilizada pela família naquele momento.

“Eu não estava lá presente de corpo, mas estava em ligação de vídeo. Então a gente consegue fazer essas coisas”, contou.

E existe um lugar onde, segundo May e Gabi, a saudade parece diminuir por alguns instantes: o palco. “Quando a gente sobe no palco, acontece uma coisa mágica. É como se tudo desaparecesse e fosse só nós e você que está aí”, afirmaram.

Para as cantoras, essa ligação com os fãs é uma das principais razões para continuar enfrentando quilômetros de estrada e uma rotina intensa.

“A gente trabalha, graças a Deus, com o que ama. A gente realmente ama isso que faz. E quando a gente se conecta com os fãs, com o público no show, é uma conexão mágica.” A passagem de May e Gabi pelo Diário Tocantinense mostrou justamente a essência que as artistas afirmam carregar para dentro das próprias músicas: histórias reais.

Entre a viola que remete à infância, as lembranças dos pais, a influência musical das mães, a casa em Goiânia e os quilômetros percorridos pelo Brasil, May e Gabi seguem construindo uma trajetória baseada na conexão com quem está do outro lado.

E, desta vez, essa história ganhou um novo capítulo em Colinas do Tocantins.

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