Walter Viana defendeu canetas emagrecedoras no SUS antes de tema entrar na campanha presidencial; entenda

Walter Viana defendeu canetas emagrecedoras no SUS antes de tema entrar na campanha presidencial; entenda
Crédito: Divulgação
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 22 de setembro de 2026 7

Vereador de Palmas e candidato a deputado estadual levou discussão à rede pública ainda em julho; dois meses depois, medicamentos contra obesidade passaram a ocupar espaço na campanha presidencial e nos estudos do Ministério da Saúde.

Por Redação DT

Uma discussão que começou a ganhar espaço em Palmas meses antes da reta final das eleições de 2026 chegou ao centro do debate nacional. Em julho, o vereador de Palmas Walter Viana (PRD), hoje candidato a deputado estadual, protocolou pedido à Secretaria Municipal de Saúde para que o município estudasse a viabilidade de oferecer gratuitamente pela rede pública medicamentos modernos utilizados no tratamento da obesidade, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

A proposta apresentada por Walter previa que pacientes de baixa renda pudessem ter acesso ao tratamento mediante critérios médicos e acompanhamento multiprofissional. A ideia foi vinculada ao Núcleo de Combate à Obesidade e Doenças Crônicas de Palmas e citava medicamentos como Ozempic, à base de semaglutida, e Mounjaro, cujo princípio ativo é a tirzepatida. O pedido, no entanto, dependia de análise técnica, financeira e jurídica da administração municipal.

Pouco mais de dois meses depois, o assunto ultrapassou o debate local. Em 17 de setembro, durante agenda em Minas Gerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, defendeu a oferta gratuita de medicamentos desse tipo pelo Sistema Único de Saúde. No mesmo dia, o Ministério da Saúde informou que já conduz estudos para avaliar a incorporação desses tratamentos e afirmou que eventual disponibilização deverá seguir protocolo clínico e critérios definidos pelo sistema público.

Isso não significa, porém, que as canetas passarão a ser distribuídas imediatamente. A incorporação nacional de medicamentos ao SUS envolve avaliação técnica, definição do público que poderá receber o tratamento, análise de custo e impacto orçamentário, além dos procedimentos da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, a Conitec. O Ministério da Saúde também acompanha pacientes com obesidade grave para avaliar resultados do uso da semaglutida na rede pública.

A coincidência temática colocou novamente a iniciativa apresentada em Palmas em evidência. O debate que Walter Viana levantou no município passou a fazer parte de uma discussão nacional sobre obesidade, custo dos medicamentos e acesso da população de menor renda às novas terapias.

Especialistas e órgãos sanitários alertam, entretanto, que esses medicamentos não devem ser tratados como solução estética de uso indiscriminado. A indicação depende das condições clínicas de cada paciente e exige prescrição e acompanhamento profissional. A discussão que agora chega à política nacional é, principalmente, sobre de que maneira tratamentos de alto custo poderão ser incorporados com segurança e sustentabilidade à rede pública.

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