“Nações democráticas dialogam, não interferem”: Nunes Marques defende soberania das eleições brasileiras

“Nações democráticas dialogam, não interferem”: Nunes Marques defende soberania das eleições brasileiras
Crédito: Rosinei Coutinho/STF
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 3 de outubro de 2026 6

Presidente do TSE destaca observação internacional e aponta desinformação, inteligência artificial e violência política entre os desafios da votação

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou na sexta-feira, 2 de outubro, que a cooperação entre países democráticos deve fortalecer as instituições sem interferir nas eleições de outras nações. A manifestação ocorreu em entrevista televisiva, dois dias antes do primeiro turno das eleições brasileiras.

“Nações democráticas dialogam, não interferem”, declarou. O ministro relacionou a troca de experiências à presença de observadores internacionais, que acompanham o processo sem substituir as autoridades responsáveis pela organização e pela apuração dos votos.

Nunes Marques informou que observadores de sete missões internacionais já estavam no Brasil. Também apontou a desinformação, o uso irregular da inteligência artificial, a violência política de gênero e os abusos na propaganda entre os desafios da Justiça Eleitoral nesta eleição.

Ao explicar a apresentação dos mecanismos eleitorais aos representantes estrangeiros, o ministro afirmou que a estratégia envolve “oferecer informações claras e confiáveis sobre esses procedimentos”. A declaração reforça a distinção entre permitir o acompanhamento técnico das eleições e admitir interferência em sua condução.

A observação eleitoral credenciada tem caráter técnico, independente e imparcial. Segundo o TSE, seu alcance inclui preparação, votação, apuração e totalização. A atividade permite que instituições acompanhem os procedimentos e produzam avaliações, mas não lhes atribui poder de organizar a eleição ou decidir seu resultado.

Entre os organismos que aceitaram participar das missões estão a Organização dos Estados Americanos, a União Europeia, o Parlamento do Mercosul, a União Interamericana de Organismos Eleitorais e a Rede dos Órgãos de Jurisdição e Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

A diretora de Assuntos Internacionais do TSE, Renata Gil, relaciona essa abertura ao controle público do processo. Em manifestação institucional sobre as missões, destacou o compromisso com “a abertura institucional, a prestação de contas e o aperfeiçoamento contínuo da democracia”.

A organização e as decisões sobre o pleito permanecem sob responsabilidade das instituições brasileiras. As declarações de sexta-feira integram o contexto nacional da votação deste domingo, 4 de outubro, quando os eleitores escolherão presidente, governadores, senadores e deputados.

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