Laurez, que teve apoio de Lula no primeiro turno, confirma adesão a Vicentinho Júnior e levanta dúvidas sobre posição do PT; Dorinha reúne lideranças da direita no Tocantins
A decisão do vice-governador Laurez Moreira (PSD) de declarar apoio a Vicentinho Júnior (PSDB) no segundo turno das eleições para o Governo do Tocantins pegou integrantes de seu grupo político de surpresa nesta quinta-feira, 8 de outubro. O posicionamento, anunciado em entrevista ao Jornal Opção Tocantins, provocou questionamentos sobre o futuro da aliança construída no primeiro turno, especialmente entre lideranças ligadas ao Partido dos Trabalhadores (PT), que estiveram ao lado de Laurez durante a campanha.
A movimentação chama atenção pelo cenário político que se formou após a votação de domingo, 4 de outubro. Laurez disputou o governo com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de representantes da esquerda, enquanto Vicentinho Júnior construiu sua candidatura com alianças no campo da direita. Professora Dorinha (União Brasil), adversária do tucano no segundo turno, também reúne lideranças conservadoras e conta com o apoio de Flávio Bolsonaro (PL) e do senador reeleito Eduardo Gomes (PL).
No primeiro turno, Dorinha terminou na liderança, com 386.260 votos, equivalentes a 45,52% dos votos válidos. Vicentinho Júnior recebeu 372.848 votos, ou 43,94%, uma diferença de 13.412 votos. Laurez ficou na terceira colocação, com 69.967 votos, correspondentes a 8,24%. O resultado colocou o vice-governador em posição de destaque nas articulações políticas, já que sua votação foi numericamente superior à diferença registrada entre os dois candidatos que avançaram à etapa decisiva.
Entretanto, o anúncio de apoio não significa transferência automática dos votos conquistados no primeiro turno. O eleitorado de Laurez reúne diferentes segmentos políticos, e a decisão individual do vice-governador não representa, necessariamente, o posicionamento dos partidos e das lideranças que integraram sua candidatura.
Durante a campanha, Laurez procurou fortalecer sua ligação com o governo federal e participou de agendas ao lado de representantes do presidente Lula. Entre os aliados estava Paulo Mourão (PT), candidato ao Senado, que integrou o mesmo projeto político. A presença de lideranças petistas no palanque do vice-governador tornou a aliança uma das particularidades da disputa estadual.
Com a declaração de apoio a Vicentinho Júnior, surge um novo questionamento: o PT acompanhará Laurez no segundo turno ou adotará uma posição independente? A dúvida também alcança outras lideranças que participaram da campanha e que agora precisam definir como se posicionar diante de uma disputa protagonizada por dois candidatos com apoio de setores da direita.
Outro aspecto que chama atenção é o processo de construção da decisão. Após o primeiro turno, Laurez havia sinalizado que ouviria suas bases e conversaria com integrantes de seu grupo antes de anunciar o caminho que seguiria. A confirmação do apoio nesta quinta-feira, entretanto, surpreendeu aliados, levantando questionamentos sobre a participação das diferentes forças políticas nas articulações.
O cenário se torna ainda mais complexo quando considerado o desempenho de Lula no Tocantins. O presidente recebeu 404.009 votos no estado no primeiro turno, número significativamente superior aos 69.967 votos conquistados por Laurez na disputa pelo governo. Os resultados mostram que o eleitorado que apoiou Lula para presidente não necessariamente acompanhou o candidato apoiado por seu grupo na eleição estadual.
Enquanto isso, Dorinha mantém sua candidatura associada a importantes lideranças da direita, incluindo Flávio Bolsonaro e Eduardo Gomes. Já Vicentinho, com a adesão de Laurez, passa a reunir apoios de políticos que estiveram em campos distintos no primeiro turno, ampliando a diversidade de sua articulação política.
A decisão também abre espaço para uma discussão sobre o papel das alianças partidárias no Tocantins. Embora acordos entre lideranças sejam comuns entre os turnos, a composição de Laurez envolveu partidos e representantes com trajetórias políticas diferentes das forças que apoiam Vicentinho. Por isso, o anúncio exige uma definição sobre a continuidade ou não dos compromissos firmados anteriormente.
Até o momento, não há confirmação de que a direção estadual do PT tenha decidido acompanhar o posicionamento de Laurez. Também permanece em aberto a manifestação de Paulo Mourão e de outros integrantes da aliança sobre a declaração feita ao Jornal Opção.
O Diário Tocantinense mantém espaço aberto para manifestações de Laurez Moreira, Paulo Mourão, das direções estaduais do PT e do PSD, dos demais integrantes do grupo político e das assessorias de Vicentinho Júnior e Professora Dorinha. A reportagem poderá ser atualizada com os esclarecimentos e posicionamentos dos envolvidos.
O segundo turno das eleições para o Governo do Tocantins está marcado para 25 de outubro, quando os eleitores voltarão às urnas para escolher entre Professora Dorinha e Vicentinho Júnior.