A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES/TO) divulgou um novo levantamento sobre a vacinação contra a dengue, realizado nos 31 municípios contemplados pelo Programa Nacional de Imunização (PNI). A boa notícia é que mais da metade das doses já foi aplicada: das 37.164 vacinas distribuídas, 19.482 foram utilizadas pela população.
Atualmente, a Gerência de Imunização da SES/TO ainda conta com um estoque de 10.534 doses da vacina Qdenga, com vencimento previsto a partir de julho deste ano.
O levantamento foi motivado por uma nota técnica do Ministério da Saúde, que autorizou estados a aplicarem doses próximas ao vencimento em um público ampliado. A recomendação previa o remanejamento para municípios ainda não contemplados ou a expansão da faixa etária: de 6 a 16 anos para vacinas com dois meses de validade e até 59 anos para doses com apenas um mês restante.
No entanto, segundo a gerente de Imunização e Doenças Imunopreveníveis da SES/TO, Diandra Sena, nenhuma das doses atualmente disponíveis no Tocantins se enquadra nesses critérios. “Não seguiremos a recomendação de ampliação. Lembrando que, para as pessoas que moram nas localidades contempladas, com idade de 10 a 14 anos, é importante manter o cartão de vacina atualizado”, reforçou.
A vacinação foi iniciada em fevereiro de 2024 e está disponível em municípios como Palmas, Araguaína, Miracema do Tocantins e Xambioá, com o objetivo de reduzir hospitalizações e óbitos causados pela dengue, doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.
Casos de dengue em queda
Dados do monitoramento epidemiológico mostram que o número de casos confirmados da dengue no Tocantins caiu 70% entre as semanas 1 e 6 de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Foram 112 casos este ano, contra 378 em 2024. O resultado é um indicativo do impacto positivo das estratégias de vacinação e controle do vetor.
Alerta para leptospirose durante o período chuvoso
Além da dengue, o período chuvoso traz uma preocupação extra: o aumento dos casos de leptospirose, especialmente em áreas ribeirinhas. A doença é causada pelo contato com água contaminada por urina de roedores e pode provocar sérias complicações. Autoridades de saúde orientam o uso de equipamentos de proteção, especialmente por trabalhadores expostos a ambientes alagados.
Rede pública enfrenta escassez de medicamentos
Apesar dos avanços na imunização, a rede pública de saúde do estado enfrenta dificuldades na distribuição de medicamentos básicos. Pacientes relatam a falta de remédios essenciais para tratamentos crônicos e de emergência, o que tem levado gestores a revisar estoques e otimizar os processos de fornecimento.
Medicina comunitária: solução em áreas isoladas
Para driblar os desafios logísticos e ampliar o acesso à saúde, o Tocantins aposta na medicina comunitária. Novos projetos da Estratégia Saúde da Família têm levado equipes a comunidades isoladas, oferecendo consultas e acompanhamento direto aos pacientes. A ação busca reduzir a pressão sobre as unidades de referência e fortalecer a atenção primária em todo o estado.
Conclusão
O Tocantins avança na imunização contra a dengue com responsabilidade e cautela, mantendo o foco na faixa etária prioritária e investindo em estratégias integradas de saúde. Em meio a desafios como o período chuvoso e a falta de medicamentos, o estado aposta na presença ativa da medicina comunitária para proteger sua população — um passo importante rumo a um sistema de saúde mais humano e eficiente.
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