Com Vicentinho, Tocantins terá “grande movimento pela proteção animal”, diz Diane da Vitória dos Bichos após trocar PSB pelo PSDB
Vereadora de Gurupi deixa o PSB, confirma pré-candidatura à Câmara Federal e leva a pauta da causa animal para o centro da articulação eleitoral do grupo de Vicentinho Júnior
A pré-campanha de 2026 no Tocantins ganhou nesta semana um ingrediente que vai além da tradicional disputa por espaço partidário: a causa animal entrou oficialmente no tabuleiro eleitoral. A vereadora de Gurupi Diane Goretti Perinazzo, conhecida politicamente como Diane da Vitória dos Bichos, oficializou sua saída do PSB e migrou para o PSDB, passando a integrar a base liderada pelo deputado federal Vicentinho Júnior, pré-candidato ao governo do Estado. Na chegada à nova sigla, Diane fez uma declaração que dá o tom da movimentação: ao lado de Vicentinho, afirmou que o Tocantins dará início a “um grande movimento pela proteção animal em todo o Estado”.
A mudança partidária não é apenas burocrática. Ela sinaliza um reposicionamento político com potencial de repercussão em um nicho que, embora ainda subestimado por parte da classe política tradicional, cresce em mobilização social, capacidade de engajamento digital e apelo urbano. Em vez de apresentar sua filiação apenas como reforço de nominata, Diane chegou ao PSDB com uma narrativa clara: transformar a defesa animal em bandeira estruturante de campanha e vinculá-la diretamente ao projeto político de Vicentinho Júnior para o Palácio Araguaia. Segundo a própria vereadora, a escolha ocorreu por enxergar no deputado “credibilidade” e confiança para construir essa agenda em escala estadual.
A fala que mais chamou atenção foi justamente a que conecta a mudança de partido a uma pauta temática. “Tenho a confiança que, ao seu lado, daremos início a um grande movimento pela proteção animal em todo o Tocantins”, declarou Diane, em manifestação divulgada pela assessoria e reproduzida por veículos locais. A frase é politicamente relevante porque retira a proteção animal do campo periférico do voluntarismo e a coloca dentro da engrenagem eleitoral de uma chapa majoritária em construção. Em outras palavras: a causa deixa de ser apenas bandeira municipal e passa a ser tratada como ativo político estadual.
Do lado de Vicentinho Júnior, o movimento também é calculado. O deputado federal e presidente estadual do PSDB tratou a chegada de Diane como reforço qualificado para a chapa proporcional e a inseriu dentro de um discurso de valorização de mulheres com atuação temática consolidada. Ao citar outros nomes femininos ligados a áreas como segurança pública, empreendedorismo e defesa dos povos indígenas, Vicentinho indicou que a estratégia do grupo passa por montar uma nominata com identidades claras, bases específicas e forte capacidade de mobilização segmentada. Nesse contexto, Diane entra não apenas como vereadora de Gurupi, mas como um nome com marca política própria e reconhecimento regional associado à proteção animal.
E essa marca não é improvisada. No perfil oficial da Câmara Municipal de Gurupi, Diane é apresentada como fundadora da Associação Vitória dos Bichos (AVB), projeto que, segundo a própria biografia institucional, atua há mais de 14 anos na região sul do Tocantins. O material informa que a associação já realizou mais de 11 mil castrações, com estrutura de quatro blocos cirúrgicos e equipe de dez médicos veterinários, números que ajudam a sustentar a imagem pública da vereadora como ativista com atuação prática, e não apenas discursiva. A mesma biografia destaca ainda o projeto “Amigos dos Pets”, voltado à produção de casinhas para animais com materiais recicláveis, envolvendo inclusive participação comunitária e mão de obra carcerária.
Na política local, esse histórico tem peso. Em um ambiente em que muitos mandatos ainda se organizam em torno de demandas generalistas, Diane construiu uma identidade de nicho com forte aderência emocional e visual nas redes, algo que costuma ter desempenho relevante em campanhas proporcionais. A proteção animal reúne características que a tornam eleitoralmente potente: mobiliza afetos, cria comunidades digitais fiéis, atravessa classes sociais e tem baixa rejeição pública. Ao mesmo tempo, quando bem trabalhada, permite conexão com saúde pública, zoonoses, abandono, castração, políticas urbanas e até segurança, ampliando o alcance para além do discurso sentimental.
A troca do PSB pelo PSDB ocorreu dentro da janela partidária e, segundo os relatos publicados, com carta de anuência do diretório nacional do PSB, respeitando os trâmites legais para a desfiliação sem perda de mandato. Isso dá segurança jurídica à movimentação e evita que o episódio seja lido como ruptura litigiosa. Politicamente, porém, o gesto é expressivo: Diane sai de uma legenda historicamente mais associada a um campo de centro-esquerda e se reposiciona em uma construção liderada por Vicentinho, hoje um dos nomes mais ativos na reorganização do xadrez de 2026 no Tocantins.
Há ainda um aspecto geográfico relevante. Diane é vereadora em Gurupi, uma das principais cidades do sul do Tocantins, região que pesa eleitoralmente e costuma ser estratégica na montagem de chapas competitivas. Ao levá-la para o PSDB, Vicentinho fortalece presença territorial em uma área importante do Estado e agrega uma liderança com forte identificação temática, algo que pode ajudar tanto na composição da nominata quanto na narrativa de campanha.
No pano de fundo, a movimentação expõe uma tendência que deve se repetir em 2026: candidaturas com causa definida tendem a ganhar mais espaço do que nomes genéricos. Em vez de apenas buscar votos difusos, partidos começam a apostar em figuras com comunidades organizadas, identidade pública consolidada e agenda clara. Diane se encaixa nesse modelo. Sua entrada no grupo de Vicentinho, portanto, vale menos pelo número bruto da filiação e mais pelo símbolo: a proteção animal deixa de ser apenas uma pauta de militância e passa a ser tratada como ativo eleitoral estruturado no Tocantins.
Se essa promessa de “grande movimento” vai se converter em política pública, capital eleitoral ou apenas em retórica de campanha, isso ainda dependerá do ritmo da pré-campanha e da capacidade de transformar bandeira em proposta concreta. Mas uma coisa já está posta: a disputa de 2026 no Tocantins acaba de ganhar uma nova frente de mobilização — e ela vem com nome, nicho e narrativa.