Wanderlei Barbosa coloca educação no centro da agenda em Colinas e transforma crise do João XXIII em vitrine de obras e reação do governo

Wanderlei Barbosa coloca educação no centro da agenda em Colinas e transforma crise do João XXIII em vitrine de obras e reação do governo
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 13 de abril de 2026 1

A passagem do governador Wanderlei Barbosa por Colinas do Tocantins ocorre em um momento simbólico para a rede estadual. Depois do desabamento do teto de uma sala do Colégio Estadual Cívico-Militar João XXIII, que deixou estudantes e professora feridos e levou à interdição da unidade, o governo acelerou medidas emergenciais, reestruturação da escola e reorganização do atendimento aos alunos. Agora, a agenda em Colinas reforça a narrativa de resposta rápida, obras e continuidade administrativa, já sob o início da gestão de Celestina Maria Pereira de Souza na Seduc, no lugar de Fábio Vaz.

A visita de Wanderlei Barbosa a Colinas do Tocantins reposiciona a cidade como um dos principais símbolos da política educacional do governo estadual em 2026. A agenda pública relacionada ao município inclui a entrega do prédio provisório para funcionamento do Colégio Militar João XXIII, visita às obras de reestruturação da unidade atingida pela crise estrutural e ato para avanço de investimentos em outra escola importante da cidade. O gesto político é claro: transformar um episódio de forte repercussão em demonstração de presença do governo, reconstrução e retomada.

O caso que colocou Colinas no centro do debate educacional começou em agosto de 2025, quando o teto de uma sala do Colégio Estadual Cívico-Militar João XXIII desabou durante o período letivo. A ocorrência deixou 24 estudantes e uma professora com ferimentos leves, provocou comoção entre famílias, mobilizou a Secretaria de Estado da Educação e obrigou a interdição da escola para avaliações técnicas e providências emergenciais. A unidade atendia 903 estudantes do ensino fundamental e do ensino médio, o que ampliou a pressão por uma resposta rápida e efetiva do Estado.

Desde então, a situação do João XXIII passou a ser tratada não apenas como um problema estrutural, mas como um teste de gestão. O governo precisou reorganizar o calendário, garantir espaços alternativos para os alunos e acelerar uma resposta pública capaz de reduzir o desgaste político e administrativo. Nesse contexto, Colinas deixou de ser apenas palco de uma crise e passou a ser apresentada como exemplo de reação institucional, com foco em segurança escolar, manutenção das aulas e modernização da infraestrutura.

A estratégia do Palácio Araguaia foi dar visibilidade à reconstrução. O investimento informado para a reestruturação do Colégio Militar João XXIII é de R$ 3,4 milhões, valor que sustenta a narrativa de que o governo não ficou apenas no discurso emergencial, mas avançou para a fase de recuperação concreta da unidade. Ao mesmo tempo, a rede estadual buscou manter o vínculo da comunidade escolar com a rotina pedagógica, usando espaço provisório para evitar interrupção prolongada das atividades.

A agenda em Colinas também amplia o foco para além do João XXIII. O governo estadual colocou no roteiro a reforma do Centro de Ensino Médio Castelo Branco, com investimento anunciado de R$ 2,6 milhões. Entre as melhorias previstas estão passarelas cobertas, troca de telhado, reforma de banheiros e pisos, pintura, paisagismo, adequações elétricas para climatização e implantação de estrutura de prevenção e combate a incêndio. A mensagem é que Colinas não receberá apenas uma resposta pontual à crise, mas um pacote mais amplo de valorização da educação pública.

Esse novo momento da educação tocantinense também passa por uma mudança importante no comando da Seduc. Fábio Vaz deixou a Secretaria de Estado da Educação em 1º de abril de 2026, após quatro anos de gestão, para se descompatibilizar do cargo e disputar uma vaga na Câmara Federal. Na despedida, o ex-secretário foi homenageado e teve reconhecida sua atuação em programas como o PROFE e nas ações de infraestrutura escolar.

No lugar de Fábio Vaz, o governo nomeou a professora Celestina Maria Pereira de Souza como nova secretária de Estado da Educação. Segundo o governo, ela é servidora efetiva desde 2002, vinha atuando como superintendente de Educação Básica e acumulou funções como diretora de Educação Básica, gerente de Currículo e Avaliação da Aprendizagem e gerente de Formação e Apoio à Pesquisa. Celestina também atuou como avaliadora educacional no Ministério da Educação e interlocutora da Seduc junto ao Inep, além de ser mestre em Educação pela UFT e doutoranda em Educação na Amazônia.

A chegada de Celestina ao posto reforça a aposta do governo em continuidade técnica dentro da própria rede estadual. Na cerimônia de transição, ela foi apresentada como nome de perfil interno, com conhecimento acumulado da estrutura da educação tocantinense e compromisso de manter as ações já em andamento. Isso é relevante porque a agenda de Colinas ocorre justamente quando a nova gestão precisa mostrar firmeza, capacidade de execução e segurança política para tocar um dos casos mais sensíveis da educação estadual recente.

Politicamente, a visita de Wanderlei Barbosa a Colinas serve para três objetivos ao mesmo tempo. O primeiro é administrativo: demonstrar que o Estado agiu após o desabamento e que as obras estão em curso. O segundo é simbólico: recolocar a educação como uma marca positiva do governo em uma cidade que virou vitrine involuntária de um problema grave. O terceiro é estratégico: dar musculatura ao início da gestão de Celestina Souza, mostrando que a troca no comando da Seduc não significou paralisia, mas continuidade de ações e presença do governo no interior.

Com isso, Colinas passa a ocupar um lugar especial no discurso do governo Wanderlei Barbosa. O município virou palco de uma transição delicada: da crise estrutural à reconstrução, da pressão da comunidade escolar à retomada das obras, da saída de um secretário politicamente projetado à entrada de uma nova titular com perfil técnico. E é justamente nessa travessia que a educação volta a ser usada como eixo de visibilidade, gestão e discurso público do Executivo estadual.

A ida de Wanderlei Barbosa a Colinas não é apenas mais uma agenda de governo. Ela funciona como resposta pública a uma crise que abalou a confiança da comunidade escolar, como vitrine de investimentos na infraestrutura da rede estadual e como palco da nova fase da Seduc com Celestina Maria Pereira de Souza. Após o desabamento no João XXIII, o governo tenta mostrar que a educação saiu do campo do problema para o campo da reação, da obra e da reconstrução. Em Colinas, essa disputa de narrativa agora tem endereço, investimento, nova secretária e forte peso político.

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