Chuva de meteoros Líridas volta a iluminar o céu de abril e pode render espetáculo raro no Brasil

Chuva de meteoros Líridas volta a iluminar o céu de abril e pode render espetáculo raro no Brasil
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 16 de abril de 2026 2

A madrugada de abril pode reservar um dos fenômenos astronômicos mais antigos já registrados pela humanidade. A chuva de meteoros Líridas volta a cruzar o céu neste mês e deve atingir o pico entre a noite de 21 de abril e a madrugada de 22 de abril, com possibilidade de até 18 meteoros por hora em condições ideais de observação. A informação é do Astrônomo, Renato Poltronieri da Astrocan ligada a Bramon.

Considerada uma das chuvas de meteoros mais antigas conhecidas, as Líridas carregam registros históricos que remontam a 687 antes de Cristo, o que transforma o fenômeno em mais do que um espetáculo visual. Trata-se de um evento que atravessa séculos e continua sendo acompanhado por astrônomos, observadores e curiosos em diferentes partes do planeta. Em 2026, o fenômeno volta a ganhar destaque por reunir boa visibilidade, apelo científico e um cenário favorável para observação em várias regiões do Brasil.

A chuva de meteoros é provocada pela passagem da Terra pela trilha de detritos deixada pelo cometa C/1861 G1 Thatcher, um cometa de longo período que leva cerca de 415 anos para completar uma volta ao redor do Sol. Quando essas partículas entram na atmosfera terrestre em alta velocidade, queimam e produzem os rastros luminosos conhecidos popularmente como “estrelas cadentes”. Apesar do nome popular, o fenômeno não tem relação com estrelas. São fragmentos de poeira e rocha espacial entrando em combustão ao tocar as camadas atmosféricas do planeta.

Em 2026, a atividade das Líridas deve ocorrer entre a segunda quinzena de abril, com maior intensidade concentrada na madrugada do dia 22. O índice máximo estimado para o pico é de 18 meteoros por hora, número conhecido entre astrônomos como taxa horária zenital, uma projeção teórica obtida em condições perfeitas de céu escuro, ausência de poluição luminosa e com o radiante no ponto mais alto. Na prática, a quantidade percebida pelo observador costuma ser menor, mas ainda assim suficiente para tornar a madrugada especial.

Outro fator que favorece a observação neste ano é a condição da Lua. Segundo calendários astronômicos internacionais, o pico ocorre com a Lua em fase crescente, com cerca de 27% de iluminação, o que reduz a interferência do brilho lunar em comparação com anos de Lua mais intensa. Em termos práticos, isso significa uma janela melhor para observar meteoros mais fracos, especialmente após a meia-noite, quando o céu fica mais escuro e o radiante da chuva sobe mais no horizonte.

O radiante das Líridas fica na constelação de Lira, próximo da estrela Vega, uma das mais brilhantes do céu noturno. Ainda assim, especialistas explicam que não é necessário olhar fixamente para esse ponto. Os meteoros podem surgir em diferentes partes do céu, o que amplia a chance de visualização. A recomendação para quem pretende acompanhar o fenômeno é procurar locais afastados da iluminação urbana, com horizonte aberto, pouca interferência de prédios e árvores, e reservar alguns minutos para que os olhos se adaptem à escuridão. Não há necessidade de telescópios ou binóculos. O melhor instrumento, neste caso, continua sendo o olho humano.

As Líridas costumam apresentar atividade entre 10 e 20 meteoros por hora, o que as coloca em uma faixa intermediária quando comparadas a outras grandes chuvas do calendário astronômico, como as Perseidas, em agosto, e as Geminídeas, em dezembro, que costumam registrar taxas superiores. Ainda assim, o que torna as Líridas especialmente observadas é o seu comportamento histórico imprevisível. Há registros raros de explosões muito acima do padrão, com episódios que ultrapassaram 100 meteoros por hora. Não é a expectativa para 2026, mas essa possibilidade histórica ajuda a explicar por que o fenômeno segue entre os mais aguardados por observadores do céu.

Mais do que um evento astronômico, a chuva de meteoros Líridas oferece uma experiência rara em tempos de rotina dominada por telas, iluminação artificial e vida urbana acelerada. Para o público, é uma oportunidade de contemplação. Para a ciência, é um lembrete anual de como a Terra continua atravessando trilhas cósmicas deixadas por corpos celestes que levam séculos para retornar. E, para quem conseguir um céu limpo na madrugada certa, abril pode entregar um dos espetáculos mais antigos e simbólicos ainda visíveis a olho nu.

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