União Europeia exclui Brasil de lista de exportação de carnes e decisão pressiona agronegócio
A decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e produtos de origem animal para o bloco europeu provocou reação imediata do governo brasileiro e preocupação no agronegócio. O veto foi anunciado nesta terça-feira (12) pela Comissão Europeia e passa a valer em 3 de setembro.
Na prática, o Brasil poderá perder autorização para exportar carne bovina, carne de frango, ovos, mel, peixes e animais vivos destinados à alimentação humana para os 27 países da União Europeia. O motivo apresentado pelas autoridades europeias envolve o controle sanitário e o uso de antimicrobianos na pecuária brasileira.
Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias suficientes de que os produtos exportados ao bloco estejam livres do uso inadequado de antibióticos e substâncias antimicrobianas durante todo o ciclo de vida dos animais. A União Europeia endureceu as regras sanitárias nos últimos anos dentro da estratégia “One Health”, voltada ao combate da resistência bacteriana e ao controle do uso de medicamentos na produção animal.
O governo brasileiro afirmou ter recebido a decisão “com surpresa” e anunciou reação diplomática imediata. O Ministério da Agricultura informou que representantes brasileiros terão reuniões com autoridades sanitárias europeias para tentar reverter a medida antes da entrada em vigor das restrições.
A crise ocorre em um momento sensível para as relações comerciais entre Mercosul e União Europeia. O veto foi anunciado poucos dias após a entrada provisória em vigor do acordo comercial entre os dois blocos, negociado durante mais de duas décadas.
Nos bastidores do agronegócio, a avaliação é de que o impacto econômico pode atingir principalmente frigoríficos exportadores de carne premium, aves e mel. Em 2025, a União Europeia foi o terceiro principal destino da carne bovina brasileira, atrás apenas de China e Estados Unidos.
Dados citados pelo jornal espanhol El País mostram que o Brasil exportou mais de 370 mil toneladas de carne bovina para a União Europeia em 2025, movimentando cerca de US$ 1,8 bilhão.
Os estados potencialmente mais afetados são Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que concentram parte relevante da produção exportadora de proteína animal brasileira.
Especialistas avaliam que o impacto imediato sobre o mercado interno tende a ser limitado, porque a maior parte das exportações brasileiras de carne ainda tem como destino China, Oriente Médio e Estados Unidos. Mesmo assim, o veto europeu amplia a pressão internacional sobre os protocolos sanitários brasileiros e pode influenciar negociações com outros mercados.
Outro fator que preocupa o setor é o fato de Argentina, Paraguai e Uruguai terem permanecido na lista europeia de exportadores autorizados, enquanto o Brasil foi excluído isoladamente dentro do Mercosul.
Entidades do agronegócio avaliam que o episódio também possui dimensão política e comercial. Agricultores europeus vinham pressionando governos locais contra o avanço do acordo Mercosul-União Europeia, alegando concorrência desleal, diferenças ambientais e custos de produção menores na América do Sul.
A expectativa agora é sobre o resultado das negociações diplomáticas entre Brasília e Bruxelas nas próximas semanas. O governo brasileiro tenta demonstrar conformidade sanitária para evitar que o veto entre efetivamente em vigor em setembro.