Interdição de ponte na BR-235 ameaça escoamento da safra e amplia pressão econômica no Tocantins
A ponte sobre o Rio Tocantins, na BR-235, entre Pedro Afonso e Tupirama, foi totalmente interditada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes no fim da tarde de terça-feira (20), após novas inspeções técnicas identificarem agravamento das fissuras e surgimento de novas trincas na estrutura.
A decisão alterou imediatamente a rotina logística de uma das regiões mais estratégicas do agronegócio tocantinense.
Até horas antes da interdição completa, o DNIT ainda permitia a passagem controlada de veículos de até 12 toneladas em sistema “pare e siga”. A medida havia substituído uma restrição inicial de apenas quatro toneladas após pressão de produtores rurais e transportadores da região.
Com o bloqueio total, caminhões passaram a percorrer rotas alternativas mais longas envolvendo BR-153, TO-239, travessia por balsa em Tupiratins e acesso por Itacajá e Santa Maria do Tocantins até retornar a Pedro Afonso.
A mudança afeta diretamente um corredor importante da BR-235, rodovia considerada eixo estratégico do Matopiba — região agrícola formada por Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia e responsável por parte relevante da expansão da soja, milho e algodão no país.
Na prática, produtores relatam aumento imediato no custo operacional do transporte.
O produtor rural João Mendes, que atua na região de Pedro Afonso, afirma que a interrupção ocorre justamente em um momento sensível para o planejamento logístico das propriedades.
“O problema não é apenas aumentar quilometragem. O caminhão demora mais, consome mais combustível, aumenta desgaste, muda prazo de entrega e afeta toda a cadeia”, afirmou.
Segundo ele, parte dos produtores agora tenta reorganizar contratos de frete e transporte de insumos diante da indefinição sobre a duração do bloqueio.
O economista Ricardo Almeida, especialista em logística agroindustrial, avalia que o impacto tende a atingir não apenas produtores, mas também comércio, abastecimento regional e arrecadação.
“O Tocantins depende fortemente do transporte rodoviário. Quando uma estrutura estratégica é interrompida, o efeito se espalha rapidamente pela economia regional. Isso afeta frete, competitividade e previsibilidade logística”, disse.
A preocupação aumentou porque a ponte já vinha apresentando sinais de desgaste há meses.
Em fevereiro, imagens de rachaduras circularam entre moradores e motoristas da região. Na época, o DNIT afirmou que realizava monitoramento preventivo e manutenção programada da estrutura.
Agora, a interdição reacendeu cobranças sobre manutenção preventiva de pontes federais e capacidade de resposta emergencial diante de crises logísticas.
O Governo do Tocantins anunciou medidas emergenciais para tentar reduzir os impactos da paralisação. Entre elas estão manutenção das rotas alternativas, apoio operacional nas estradas estaduais e articulação para travessias por balsa.
O DNIT informou que ainda realiza estudos técnicos e não há prazo oficial para reabertura da ponte. O órgão também confirmou que avalia a implantação emergencial de balsas para reduzir os impactos à população e ao transporte regional.
Enquanto isso, produtores, caminhoneiros e moradores reorganizam a rotina diante de uma interrupção que atingiu mais do que uma travessia rodoviária.
Atingiu uma das principais rotas econômicas do Tocantins.