Brasil encara Escócia sob pressão por desempenho e liderança do grupo
Sem Raphinha e com expectativa pela volta de Neymar, Seleção busca convencer torcida e garantir classificação com mais tranquilidade para o mata-mata
A Seleção Brasileira entra em campo nesta quarta-feira (24) diante da Escócia carregando mais do que a responsabilidade de buscar a classificação para a próxima fase da Copa do Mundo. Após uma estreia abaixo das expectativas no empate com Marrocos e uma atuação mais consistente na vitória por 3 a 0 sobre o Haiti, o time comandado por Carlo Ancelotti chega ao último compromisso da fase de grupos pressionado por desempenho, identidade de jogo e respostas à torcida.
O confronto será disputado no Hard Rock Stadium, em Miami, e pode definir não apenas a liderança do Grupo C, mas também o ambiente em torno da equipe para a sequência do Mundial. Uma vitória garante a classificação brasileira e pode consolidar a evolução que a comissão técnica afirma enxergar desde a estreia.
A principal baixa brasileira é Raphinha. O atacante sofreu lesão muscular na coxa direita durante a partida contra o Haiti e está fora do confronto. A comissão técnica ainda avalia o substituto, com nomes como Luiz Henrique, Rayan e até Martinelli aparecendo entre as alternativas.
Em contrapartida, a grande expectativa gira em torno de Neymar. Recuperado de uma lesão na panturrilha, o camisa 10 voltou a ficar à disposição de Ancelotti e pode fazer sua primeira aparição nesta Copa do Mundo. O treinador, no entanto, evitou confirmar se utilizará o jogador diante dos escoceses.
Torcida quer mais do que resultado
Se a classificação parece próxima, o desempenho ainda gera desconfiança entre torcedores. Em Goiânia e Aparecida de Goiânia, bares, restaurantes e espaços que promovem transmissões coletivas esperam movimento intenso ao longo da tarde e da noite.
O vendedor Lucas Ferreira, de 29 anos, morador do Setor Garavelo, afirma que a preocupação da torcida vai além do placar.
“Eu quero ganhar, claro, mas também quero ver um time com personalidade. O Brasil tem camisa, tem tradição, mas até agora não mostrou um futebol que empolgue”, avalia.
Já o estudante Gabriel Oliveira, de 22 anos, acredita que Vinícius Júnior pode ser decisivo.
“É o jogador que mais desequilibra hoje. Sem Raphinha, a responsabilidade dele aumenta ainda mais.”
Adversário chega vivo
A Escócia entra em campo sonhando com uma classificação histórica. A equipe venceu o Haiti na estreia, perdeu para Marrocos e ainda possui chances reais de avançar. O técnico Steve Clarke aposta principalmente na experiência de jogadores como Scott McTominay, John McGinn e Andrew Robertson.
O retrospecto favorece amplamente os brasileiros. Em dez confrontos oficiais entre as seleções, o Brasil venceu oito e empatou dois. Os escoceses nunca derrotaram a equipe brasileira.
O que está em jogo
Mais do que três pontos, a partida representa uma oportunidade para a Seleção recuperar a confiança da torcida. Desde a conquista do pentacampeonato em 2002, o Brasil acumula eliminações dolorosas e chega a mais uma Copa cercado por expectativas e questionamentos.
Ancelotti reconheceu que a equipe ainda busca evolução, mas afirmou que espera apresentar sua melhor atuação justamente diante da Escócia.
Se confirmar o favoritismo, o Brasil seguirá para o mata-mata com classificação assegurada. Caso tropece, aumentará a pressão sobre um elenco que ainda tenta convencer os próprios torcedores de que pode voltar a sonhar com o hexacampeonato.