Tarifaço de Trump entra em vigor: quase 3 mil produtos ficam na mira e prejuízo pode chegar a US$ 11 bilhões

Tarifaço de Trump entra em vigor: quase 3 mil produtos ficam na mira e prejuízo pode chegar a US$ 11 bilhões
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 22 de julho de 2026 0

A tarifa adicional de 25% imposta pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira, 22 de julho. A medida alcança quase 3 mil mercadorias exportadas pelo Brasil e pode afetar aproximadamente US$ 11 bilhões em negócios com o mercado norte-americano.

A nova cobrança será somada às tarifas que já incidiam sobre os produtos. Na prática, mercadorias brasileiras ficarão mais caras nos Estados Unidos, perdendo competitividade diante de fornecedores de outros países.

Em entrevista ao Diário Tocantinense, representantes do setor produtivo alertaram que o valor de US$ 11 bilhões representa o volume de exportações que poderá ser atingido, e não um prejuízo já confirmado. O impacto dependerá da redução das compras, das renegociações comerciais e da capacidade das empresas brasileiras de encontrar novos mercados.

Entre os principais produtos atingidos estão etanol, calçados, roupas, artigos de vestuário, açúcar orgânico, papel, máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, máquinas elétricas, ferramentas, produtos químicos e bens industriais.

Também estão na lista determinados produtos de madeira, componentes industriais, equipamentos, peças, materiais processados e mercadorias manufaturadas que não foram incluídas nas exceções anunciadas pelos Estados Unidos.

O setor de calçados está entre os mais preocupados. Com a nova tarifa, produtos brasileiros poderão perder espaço no mercado norte-americano para concorrentes de países que não foram atingidos pela mesma cobrança.

A preocupação também alcança os setores de vestuário, máquinas e equipamentos. Muitas empresas trabalham com contratos fechados com antecedência e terão de decidir se assumem parte do custo, aumentam os preços ou renegociam os acordos com os importadores.

O etanol também foi atingido. O governo norte-americano alega que o Brasil dificulta a entrada do combustível produzido nos Estados Unidos. Representantes brasileiros contestam a justificativa e alertam para possíveis prejuízos às empresas, aos produtores e aos trabalhadores.

Apesar do alcance da medida, o governo de Donald Trump retirou mais de 2,1 mil produtos da nova cobrança. A decisão ocorreu após pressão de empresas e setores norte-americanos que dependem de matérias-primas e mercadorias brasileiras.

Entre os principais produtos isentos estão carne bovina, café, café solúvel, petróleo bruto, gás natural, laranja, suco de laranja, determinados peixes, crustáceos, castanhas e mel orgânico.

Também ficaram de fora alguns tipos de celulose, produtos de madeira, minérios, ferro-gusa, sucata de ferro e aço, hidróxido de alumínio e materiais considerados essenciais para a indústria dos Estados Unidos.

Aeronaves civis, helicópteros, motores, peças e componentes aeronáuticos também foram preservados. A lista de exceções inclui ainda medicamentos, insumos farmacêuticos, semicondutores, máquinas usadas na fabricação desses componentes, obras de arte, antiguidades e objetos de coleção.

A retirada desses produtos demonstra que o governo norte-americano tentou evitar impactos diretos sobre sua própria economia. Algumas mercadorias brasileiras possuem pouca oferta interna nos Estados Unidos e poderiam provocar aumento de preços ou desabastecimento caso fossem taxadas.

O governo dos Estados Unidos justificou a medida com críticas às práticas comerciais brasileiras. Entre os pontos citados estão regras para serviços de pagamento, plataformas digitais, propriedade intelectual, entrada do etanol norte-americano, combate à corrupção e questões ambientais.

O governo brasileiro contesta as acusações e considera a tarifa injustificada. O país avalia utilizar mecanismos de reciprocidade econômica e apresentar questionamentos em organismos internacionais. Ao mesmo tempo, representantes brasileiros tentam manter negociações diplomáticas abertas para reduzir os efeitos da medida e ampliar a lista de produtos isentos.

As mercadorias embarcadas antes da entrada em vigor da tarifa poderão receber tratamento diferenciado, desde que cumpram os prazos e as exigências estabelecidas pelas autoridades dos Estados Unidos.

Com o tarifaço em vigor, exportadores brasileiros terão de escolher entre absorver parte do custo, elevar os preços, renegociar contratos ou buscar compradores em outros países. O principal temor é que a perda de competitividade provoque cancelamento de pedidos, redução da produção e demissões nos setores mais dependentes do mercado norte-americano.

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