TIME DE LULA VAI À CONVENÇÃO: PT, PV e PCdoB preparam chapa e selam projeto eleitoral no Tocantins
O Partido dos Trabalhadores e a Federação Brasil da Esperança realizam, na próxima terça-feira, 4 de agosto, a convenção estadual que definirá os rumos do grupo nas eleições de 2026 no Tocantins. O encontro está marcado para ocorrer das 10 às 19 horas, no auditório da Associação Tocantinense de Municípios, a ATM, na Quadra 502 Sul, em Palmas.
A convenção reunirá dirigentes, pré-candidatos, filiados e lideranças do PT, do Partido Verde e do PCdoB. As três legendas integram a Federação Brasil da Esperança e, por isso, atuam eleitoralmente como uma única organização partidária.
Apuração do Diário Tocantinense aponta que o principal movimento político do encontro será a aprovação formal da aliança com o vice-governador Laurez Moreira, presidente estadual do PSD e pré-candidato ao Governo do Tocantins.
Laurez foi escolhido pelo PT nacional para comandar o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Estado. A decisão encerrou meses de negociações internas e levou o partido a abrir mão de uma candidatura própria ao Palácio Araguaia para construir uma frente mais ampla em torno do nome do vice-governador.
A convenção da federação não homologará diretamente a candidatura de Laurez, porque ele pertence ao PSD. O encontro servirá para autorizar oficialmente a coligação, confirmar o apoio político e definir a participação de PT, PV e PCdoB na composição majoritária.
Outro nome que deverá ganhar destaque é o do ex-prefeito de Porto Nacional e ex-deputado Paulo Mourão. O PT trabalha para homologá-lo como candidato ao Senado, ocupando uma das duas vagas que estarão em disputa no Tocantins.
A candidatura de Mourão faz parte do acordo firmado com Laurez e com a direção nacional petista. O pré-candidato ao Governo já declarou publicamente que considera Paulo Mourão o nome do grupo para uma das vagas ao Senado, reforçando o compromisso assumido com o Partido dos Trabalhadores.
Com trajetória política iniciada na criação do Tocantins, Paulo Mourão já exerceu mandatos de deputado federal e estadual, além de ter administrado Porto Nacional. O PT pretende apresentá-lo como o candidato diretamente ligado ao projeto nacional de Lula e como uma voz do campo progressista na disputa pelo Senado.
A outra vaga ao Senado dentro da aliança ainda envolve articulações entre as forças que acompanham Laurez. O cenário reúne interesses do PSD e de outros aliados, e as decisões poderão continuar sendo ajustadas mesmo depois das convenções, dentro dos limites estabelecidos pela legislação eleitoral.
No campo proporcional, os convencionais decidirão as listas de candidatos a deputado federal e deputado estadual. PT, PV e PCdoB deverão apresentar nominatas conjuntas, respeitando as regras da federação e a legislação sobre participação feminina, cotas raciais e número máximo de candidaturas.
Entre os principais desafios está a montagem de chapas competitivas para preservar e ampliar a representação da federação. Atualmente, o grupo possui presença na Assembleia Legislativa e busca manter espaço no Parlamento estadual, além de conquistar representação na Câmara dos Deputados.
A deputada estadual Cláudia Lelis, do PV, integra o grupo de lideranças com mandato vinculadas à Federação Brasil da Esperança. O PCdoB também possui representação política no Estado, enquanto o PT aposta na força da candidatura de Lula e na aliança majoritária para impulsionar seus candidatos proporcionais.
Os nomes que disputarão as vagas de deputado estadual e federal somente serão considerados oficialmente escolhidos depois da votação dos convencionais. Até lá, as relações divulgadas pelos partidos permanecem como pré-candidaturas e podem passar por alterações.
Além das candidaturas, a convenção decidirá sobre a formação de coligações na disputa majoritária, os nomes que poderão representar a federação perante a Justiça Eleitoral e a delegação de poderes para que as direções partidárias façam substituições, ajustes e complementações nas chapas.
Os editais convocatórios estabelecem que essas decisões poderão ser tomadas pela direção executiva caso alguma composição ainda dependa de negociação após o encontro. Esse mecanismo é comum em convenções realizadas perto do encerramento do prazo eleitoral, especialmente quando existem alianças envolvendo vários partidos.
A convenção também deverá reforçar a candidatura de Lula à reeleição. No Tocantins, o PT pretende apresentar a aliança com Laurez como um palanque capaz de aproximar o Governo Federal dos municípios e ampliar investimentos em infraestrutura, programas sociais, saúde, educação e geração de empregos.
Laurez foi convidado pelo próprio presidente para participar da convenção nacional da Federação Brasil da Esperança, marcada para 2 de agosto, em São Paulo. O gesto foi interpretado politicamente como uma demonstração pública de que o vice-governador será o candidato apoiado por Lula na disputa pelo Palácio Araguaia.
A aproximação também representa uma mudança significativa no tabuleiro tocantinense. Laurez construiu parte de sua trajetória em partidos de centro e centro-direita, mas agora busca liderar uma frente que reúne o PSD e as principais legendas da esquerda.
Para o PT, a aliança oferece estrutura eleitoral e um candidato competitivo ao Governo. Para Laurez, o acordo garante o apoio do presidente da República, o engajamento da militância petista e a possibilidade de associar sua campanha aos programas e investimentos federais no Tocantins.
A direção estadual do partido pretende levar ao evento militantes de várias regiões, além de representantes de movimentos sociais, sindicatos, juventude, mulheres, trabalhadores rurais e setores ligados ao meio ambiente.
A convenção será realizada um dia antes do encerramento do prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral. De acordo com o calendário das eleições de 2026, partidos e federações podem promover convenções entre 20 de julho e 5 de agosto para escolher candidatos e deliberar sobre coligações.
Depois da convenção, as candidaturas e alianças aprovadas ainda precisarão ser registradas e analisadas pela Justiça Eleitoral. Somente após essa etapa os nomes passarão da condição política de pré-candidatos para candidatos formalmente registrados.
O encontro do dia 4 será, portanto, mais do que uma formalidade partidária. Será o momento em que PT, PV e PCdoB mostrarão se estão unidos em torno de Laurez, Paulo Mourão e Lula, além de revelar o tamanho e a competitividade das nominatas que levarão às urnas.
A mensagem política preparada pelo grupo é direta: o chamado “Time de Lula” pretende disputar espaço no Tocantins com candidatura ao Senado, chapas proporcionais próprias e participação efetiva no projeto de Laurez para o Governo do Estado.