Máquinas começam a derrubar casas em chácaras às margens da Usina de Lajeado após decisão judicial

Máquinas começam a derrubar casas em chácaras às margens da Usina de Lajeado após decisão judicial
Crédito: Divulgação
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 19 de agosto de 2026 24

Máquinas começaram a derrubar casas e outras construções existentes em chácaras às margens do reservatório da Usina Hidrelétrica Luís Eduardo Magalhães, conhecida como Usina de Lajeado, em Palmas, durante o cumprimento de uma ordem de reintegração de posse determinada pela Justiça Federal.

Conforme informações obtidas pelo Diário Tocantinense (DT), a operação teve início nesta terça-feira, 18 de agosto, e alcança cerca de 50 chácaras situadas principalmente na região dos quilômetros 36 e 37, no sentido Palmas–Lajeado. Policiais federais, oficiais de Justiça e forças de segurança acompanharam o cumprimento da medida, enquanto estruturas construídas ao longo dos anos começaram a ser retiradas das áreas.

A reintegração de posse atende a uma ação apresentada pela Investco, concessionária responsável pela Usina de Lajeado, e faz parte de uma disputa judicial que se arrasta desde 2014. Os ocupantes haviam sido notificados para deixar os imóveis e retirar as benfeitorias existentes.

De acordo com as informações levantadas pelo DT sobre o processo, a Justiça estabeleceu um cronograma para a desocupação das propriedades. Após o prazo concedido aos ocupantes, teve início o cumprimento forçado da decisão, incluindo a retirada das construções existentes nas áreas abrangidas pela ordem judicial.

A determinação não se restringe à saída dos moradores. Ela também prevê a retirada de casas, estruturas e outras benfeitorias construídas nas propriedades, razão pela qual máquinas passaram a atuar diretamente na demolição dos imóveis.

As imagens da operação chamaram atenção pela dimensão da medida. Construções erguidas ao longo de anos começaram a ser derrubadas enquanto moradores acompanhavam a movimentação das equipes responsáveis pelo cumprimento da decisão.

O caso provoca forte reação entre os ocupantes. Moradores sustentam que adquiriram as áreas acreditando na regularidade das negociações e relatam investimentos feitos ao longo dos anos. Algumas propriedades eram utilizadas como moradia, enquanto outras funcionavam como espaços de lazer ou faziam parte de projetos comerciais e familiares.

Entre os relatos estão famílias que afirmam ter investido economias na construção de casas, estruturas de lazer e empreendimentos na região. Com a ordem judicial sendo cumprida, parte desses moradores tenta buscar alternativas jurídicas para reduzir os impactos da desocupação.

O caso também levanta questionamentos sobre a comercialização dessas áreas ao longo dos anos e sobre a situação das pessoas que adquiriram propriedades e construíram no local antes da execução da atual ordem de reintegração.

A região localizada às margens do reservatório da Usina de Lajeado reúne chácaras utilizadas para diferentes finalidades e se tornou, ao longo dos anos, uma área procurada para lazer, moradia e atividades ligadas ao turismo.

A Investco sustenta que a reintegração de posse ocorre em cumprimento a uma determinação da Justiça Federal e que as áreas envolvidas estão relacionadas à concessão da Usina Hidrelétrica de Lajeado. A empresa também afirma possuir obrigações legais e contratuais relacionadas à proteção dessas áreas.

O cumprimento da decisão transforma agora em realidade uma disputa judicial que se prolongou por mais de uma década. De um lado, está a concessionária, respaldada pela determinação judicial. Do outro, moradores que afirmam ter comprado, construído e investido nas propriedades ao longo dos anos.

Com as máquinas já atuando no local, a situação ganha uma nova dimensão. O que durante anos permaneceu nos tribunais agora pode ser visto às margens do lago: casas sendo derrubadas, estruturas retiradas e famílias acompanhando a perda de imóveis que, em muitos casos, faziam parte de projetos construídos ao longo de anos.

O Diário Tocantinense (DT) acompanha o caso e mantém o espaço aberto para manifestação dos moradores, representantes da Investco, autoridades responsáveis pelo cumprimento da decisão e demais partes envolvidas. Eventuais posicionamentos encaminhados à reportagem poderão ser acrescentados à matéria.

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