Dinheiro começa a definir o ritmo das campanhas: candidatos no Tocantins aguardam Fundo Eleitoral para segunda-feira

Dinheiro começa a definir o ritmo das campanhas: candidatos no Tocantins aguardam Fundo Eleitoral para segunda-feira
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RicardoPor Ricardo 20 de agosto de 2026 5

A campanha eleitoral já está nas ruas do Tocantins, mas uma parte decisiva da estrutura dos candidatos ainda é aguardada: a chegada dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). Nos bastidores das campanhas tocantinenses, a expectativa é de que repasses importantes comecem a chegar a partir de segunda-feira, 24 de agosto, permitindo ampliar equipes, materiais, viagens, publicidade, carros, eventos e mobilizações pelos municípios.

A expectativa para segunda-feira não representa, porém, um prazo determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral para que todos os candidatos recebam dinheiro nessa data. A liberação depende dos procedimentos nacionais e, depois, das decisões internas das direções partidárias sobre quanto cada Estado e cada candidatura receberão.

Para 2026, o Fundo Eleitoral possui R$ 4.961.519.777,00, quase R$ 5 bilhões em recursos públicos destinados ao financiamento das campanhas. O TSE calcula a parcela pertencente a cada partido, mas são as executivas nacionais das legendas que estabelecem os critérios para distribuir esse dinheiro entre candidatos e Estados.

É justamente por isso que ainda não é possível afirmar que determinado partido terá, por exemplo, R$ 20 milhões, R$ 30 milhões ou R$ 50 milhões exclusivamente para o Tocantins. O valor nacional de cada legenda já é conhecido; a fatia efetivamente destinada ao Tocantins depende da decisão partidária e dos repasses realizados às contas eleitorais.

O maior Fundo Eleitoral do país pertence ao PL, que dispõe de R$ 881.657.477,34. Na sequência aparece o PT, com R$ 615.367.980,20, seguido pelo União Brasil, com R$ 526.242.858,11. Somadas, essas três legendas concentram parcela expressiva dos quase R$ 5 bilhões disponíveis para as eleições.

O PSD possui R$ 421.008.404,89, enquanto o Progressistas (PP) recebeu uma cota nacional de R$ 417.067.738,40. O MDB aparece logo depois, com R$ 400.000.239,99, e o Republicanos conta com R$ 348.587.815,77.

O Podemos tem R$ 245.969.763,68 para distribuir nacionalmente. O PDT dispõe de R$ 169.285.643,92; o PSB, de R$ 152.252.956,07; e o PSDB, de R$ 147.895.172,40.

O PSOL recebeu R$ 131.506.284,42, enquanto o Solidariedade tem R$ 88.526.669,83. O Avante aparece com R$ 72.516.777,19, o PRD com R$ 71.819.227,37 e o PCdoB com R$ 60.531.914,25.

O Cidadania possui R$ 60.174.157,11, enquanto o PV conta com R$ 45.183.873,26. O Novo, partido que também possui candidatura ao Governo do Tocantins, tem R$ 37.044.203,26, e a Rede Sustentabilidade recebeu R$ 35.803.821,03.

Na faixa mínima definida pelo cálculo do Fundo Eleitoral estão Agir, DC, Democrata, Missão, Mobiliza, PCB, PCO, PRTB, PSTU e UP, cada um com R$ 3.307.679,85 para as eleições de 2026.

E quanto têm as federações?

Há uma diferença importante quando se fala das federações partidárias. O TSE não entrega uma nova cota de Fundo Eleitoral diretamente à federação como se ela fosse um partido adicional. Os valores continuam sendo destinados às legendas integrantes. Por isso, para mostrar o peso financeiro de cada federação, é possível somar os fundos dos partidos que a compõem.

A maior delas em volume de recursos é a Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas. O União possui R$ 526.242.858,11 e o PP, R$ 417.067.738,40. Juntas, as duas legendas reúnem R$ 943.310.596,51 em Fundo Eleitoral nacional. A federação foi registrada pelo TSE em março deste ano e atua eleitoralmente como uma única agremiação.

No Tocantins, a força dessa federação é particularmente relevante porque o União Brasil tem a Professora Dorinha na disputa pelo Governo, além de candidaturas proporcionais, enquanto o PP também participa da composição eleitoral. O volume nacional próximo de R$ 1 bilhão não significa que esse dinheiro será destinado ao Estado, mas revela o tamanho da estrutura financeira à disposição das duas legendas no país.

A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, reúne a segunda maior soma entre as federações. O PT tem R$ 615.367.980,20; o PCdoB, R$ 60.531.914,25; e o PV, R$ 45.183.873,26. Somados, os três partidos chegam a R$ 721.083.767,71.

A federação tem presença direta na eleição tocantinense. O PT participa da corrida ao Senado com Paulo Mourão e possui candidaturas proporcionais, enquanto o PV também possui nomes competitivos na disputa estadual. Quanto desse montante nacional chegará efetivamente ao Tocantins dependerá das prioridades estabelecidas pela direção da federação e das respectivas legendas.

A Federação PSDB Cidadania reúne PSDB e Cidadania. O PSDB possui R$ 147.895.172,40 e o Cidadania tem R$ 60.174.157,11. A soma chega a R$ 208.069.329,51. No Tocantins, o peso dessa estrutura ganha destaque porque Vicentinho Júnior disputa o Governo pelo PSDB.

A Federação PSOL Rede possui, somando seus dois integrantes, R$ 167.310.105,45. O PSOL recebeu R$ 131.506.284,42, enquanto a Rede dispõe de R$ 35.803.821,03. No Estado, o PSOL tem Professor Witer Naves como candidato ao Governo e a federação também participa das chapas proporcionais.

Já a Federação Renovação Solidária, formada pelo PRD e Solidariedade, soma R$ 160.345.897,20. O PRD dispõe nacionalmente de R$ 71.819.227,37, enquanto o Solidariedade tem R$ 88.526.669,83. A federação foi registrada pelo TSE em dezembro de 2025 e disputa sua primeira eleição geral neste ano.

Assim, considerando a soma das cotas dos partidos integrantes, o mapa financeiro das cinco federações fica da seguinte maneira: União Progressista, R$ 943,31 milhões; Brasil da Esperança, R$ 721,08 milhões; PSDB Cidadania, R$ 208,07 milhões; PSOL Rede, R$ 167,31 milhões; e Renovação Solidária, R$ 160,35 milhões. Esses valores são nacionais e representam a soma dos recursos dos partidos integrantes, e não uma nova cota adicional entregue pelo TSE às federações.

As cinco federações atualmente registradas no Tribunal Superior Eleitoral são justamente União Progressista, Brasil da Esperança, PSDB Cidadania, PSOL Rede e Renovação Solidária. Ao todo, elas agrupam 11 partidos políticos.

No Tocantins, o ponto que agora interessa diretamente às campanhas é outro: quanto desse dinheiro nacional efetivamente desembarcará no Estado. Uma legenda possuir R$ 500 milhões ou R$ 800 milhões nacionalmente não significa que uma fatia proporcional será automaticamente reservada aos candidatos tocantinenses.

As executivas nacionais podem priorizar determinados Estados, candidaturas ao Governo, Senado ou Câmara dos Deputados, além de precisarem cumprir as regras de distribuição dos recursos destinados às candidaturas femininas e de pessoas negras e indígenas.

É por isso que a expectativa em torno de segunda-feira, 24 de agosto, ganhou força nos bastidores. Com o avanço dos repasses, as campanhas que até agora funcionam em ritmo inicial poderão ganhar uma estrutura completamente diferente.

O reflexo deve aparecer rapidamente nas ruas. Mais carros adesivados, equipes contratadas, material gráfico, viagens para o interior, eventos, impulsionamento nas redes sociais, produção audiovisual e mobilização de apoiadores dependem diretamente da capacidade financeira de cada candidatura.

No Tocantins, essa diferença também poderá indicar quais campanhas receberam tratamento prioritário de suas direções nacionais. Candidatos ao Governo, ao Senado e à Câmara Federal tendem a disputar as maiores fatias, enquanto candidatos a deputado estadual também aguardam a definição de quanto terão disponível para chegar aos eleitores.

Para o Diário Tocantinense (DT), a próxima etapa será justamente acompanhar as contas eleitorais e mostrar quanto cada partido efetivamente enviará ao Tocantins, quais candidatos receberão os maiores valores e quem ficará com as maiores fatias do Fundo Eleitoral.

A corrida já começou nas ruas. Agora, com a expectativa de dinheiro entrando nas contas a partir da próxima segunda-feira, começa também uma segunda disputa — menos visível ao eleitor, mas determinante para o tamanho das campanhas: a corrida pelos milhões do Fundo Eleitoral.

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