Dinheiro da campanha começa a circular: como está a distribuição do Fundo Eleitoral no Tocantins?
O dinheiro das Eleições 2026 começou a circular com mais força pelo país e o Diário Tocantinense fez um levantamento das primeiras movimentações declaradas por candidatos ao Governo, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa do Tocantins. A fotografia desta quinta-feira, 27 de agosto, ainda é inicial e pode mudar rapidamente, já que as campanhas têm prazo para comunicar novos recebimentos à Justiça Eleitoral.
O Fundo Especial de Financiamento de Campanha, conhecido como Fundo Eleitoral, soma aproximadamente R$ 4,96 bilhões em 2026. Até a atualização nacional consultada pelo DT, cerca de R$ 1,56 bilhão do FEFC já havia sido declarado como recebido pelas candidaturas, o equivalente a aproximadamente 31,6% do total. Isso significa que a maior parte do dinheiro ainda permanecia nos diretórios partidários.
No Tocantins, a primeira constatação é importante: vários candidatos já possuem dinheiro na conta eleitoral, mas, entre os nomes analisados pelo DT, boa parte desse recurso ainda não veio do Fundo Eleitoral. São doações de pessoas físicas ou dinheiro colocado pelos próprios candidatos.
Na disputa pelo Governo, Ataídes Oliveira, do Novo, aparece com R$ 113 mil em receitas declaradas. Desse total, R$ 93 mil foram colocados pelo próprio candidato, distribuídos em três repasses de R$ 50 mil, R$ 26 mil e R$ 17 mil. Outros R$ 20 mil vieram de Nathalia de Souza Povoa, em duas doações de R$ 10 mil. Até o recorte consultado, Ataídes tinha R$ 0 de Fundo Eleitoral e R$ 0 de Fundo Partidário: os R$ 113 mil estavam classificados como outros recursos.
Professora Dorinha, do União Brasil, havia registrado R$ 15 mil no primeiro movimento financeiro identificado. O dinheiro veio de Melina da Silva Abreu e representava, naquele momento, 100% das receitas informadas pela campanha. Não se tratava de Fundo Eleitoral.
Vicentinho Júnior, do PSDB; Laurez Moreira, do PSD; Witer Naves, do PSOL; Du Pereira, do DC; e Luiz Carlos Ferreira, do Democrata, completam a disputa pelo Governo. No fechamento deste levantamento, o DT não localizou nas fontes processadas consultadas um valor individual atualizado e suficientemente seguro para atribuir a cada um deles. Isso não significa necessariamente receita zero: novos repasses podem estar dentro do prazo de declaração ou processamento.
A própria base de monitoramento indicava que três dos sete candidatos ao Governo do Tocantins já haviam declarado recebimentos. Por isso, o Diário Tocantinense opta por não transformar ausência de dado individual processado em “R$ 0”, evitando uma comparação incorreta.
Na disputa pelo Senado, Eli Borges, do Republicanos, aparece com R$ 43 mil recebidos. Todo o dinheiro veio de Suelismar Caetano Ferreira, que realizou uma doação de R$ 40 mil e outra de R$ 3 mil. Até o recorte consultado, Eli também tinha R$ 0 de FEFC e R$ 0 de Fundo Partidário.
Além de Eli Borges, concorrem ao Senado Eduardo Gomes, do PL; Carlos Gaguim, do União Brasil; Alexandre Guimarães, do MDB; Paulo Mourão, do PT; Ronaldo Dimas e Vanderlei Luxemburgo, do Podemos; Apóstolo Flávio Braga, do DC; Fábio Ribeiro, do Rede; Helio Rodrigues Bolsonaro e Osvany Luz, do Democrata; Nilton Santos, do Novo; e Professor Osvaldo, do PSOL. A base consultada indicava cinco das 13 candidaturas ao Senado com algum recebimento já declarado, mas nem todos os valores individuais estavam disponíveis de maneira segura nas páginas processadas utilizadas pelo DT no fechamento.
É justamente entre Eduardo Gomes, Gaguim, Alexandre Guimarães, Paulo Mourão, Eli Borges, Ronaldo Dimas e Luxemburgo que a movimentação partidária deverá ser observada com atenção. Eles estão vinculados a PL, União Brasil, MDB, PT, Republicanos e Podemos, legendas que administram algumas das maiores cotas nacionais do Fundo Eleitoral.
Na disputa pela Câmara dos Deputados, onde 98 candidatos concorrem às oito vagas do Tocantins, já é possível enxergar com mais clareza alguns valores.
Lucas Campelo, do Republicanos, recebeu R$ 100 mil. O valor foi repassado integralmente por Edivaldo Campelo Pinheiro em uma única doação. Até o recorte consultado, o candidato tinha R$ 0 de Fundo Eleitoral e R$ 0 de Fundo Partidário. Os R$ 100 mil eram recursos de pessoa física.
Maurício Buffon, do PL, aparece com R$ 34 mil. Foram quatro doações: R$ 10 mil de Lucas Zirondi Ludwig, R$ 10 mil de Ruben Ritter, R$ 10 mil de Sonia Mara Dalmolin Buffon e R$ 4 mil de Vlademir Comin. Também neste caso, o FEFC aparecia zerado.
Luana Nunes, do União Brasil, aparece com R$ 14,5 mil. Josiniane Braga Nunes doou R$ 5 mil; Salustriano Lucas Marquez Lemes, outros R$ 5 mil; e a própria Luana Nunes Garcia colocou R$ 4,5 mil na campanha. Até a consulta realizada, nenhum desses R$ 14,5 mil era proveniente do Fundo Eleitoral.
Osires Damaso, do PSDB, aparece com R$ 5 mil, integralmente colocados por ele próprio na campanha. O Fundo Eleitoral e o Fundo Partidário permaneciam zerados naquele recorte.
Tenente Célio aparece com R$ 1 mil. O único repasse foi realizado pelo próprio Célio Carmo de Sousa. Também não havia FEFC identificado.
Esses números mostram que os candidatos federais já começaram a formar caixa, mas os maiores aportes partidários ainda podem alterar completamente a fotografia. Um candidato que hoje possui R$ 5 mil ou R$ 15 mil poderá passar para centenas de milhares de reais após uma única transferência partidária.
A movimentação entre os candidatos a deputado estadual está mais pulverizada. São 206 nomes disputando apenas 24 vagas na Assembleia Legislativa.
Gipão, do PL, aparece com R$ 120 mil em receitas. O montante veio em uma única doação feita por Aldair da Costa Sousa. Até o recorte consultado, os R$ 120 mil estavam classificados como outros recursos, com R$ 0 de FEFC e R$ 0 de Fundo Partidário.
Professor Júnior Geo, do PSDB, aparece com R$ 113.750. Foram R$ 100 mil de Fábio Roque da Silva Araújo, R$ 12 mil de Elza de Sousa Pereira Armondes e R$ 1.750 de José Luiz Pereira Junior.
Marcos Duarte, do PRD, declarou R$ 37 mil em receitas. Desse total, R$ 27,5 mil vieram de pessoas físicas e R$ 9,5 mil foram recursos próprios. Entre os doadores aparecem Sthepany Fragoso Borges, Jonathas Coelho Silva, Lucivania Santana Sousa e outros. O Fundo Eleitoral permanecia zerado no levantamento.
Moisemar Marinho, do PL, aparece com R$ 31 mil, todos provenientes do próprio candidato. Os repasses foram de R$ 12 mil, R$ 10 mil, R$ 8 mil e R$ 1 mil. Não havia FEFC registrado.
Luana Ribeiro aparece com R$ 25 mil, provenientes de dois repasses. Também não havia Fundo Eleitoral identificado no valor registrado até aquele momento.
Vanda Monteiro, do União Brasil, aparece com R$ 15 mil. Foram R$ 10 mil doados por Antonio de Padua Soares Marques e R$ 5 mil por Vandelucia Monteiro de Castro Reis.
Dr. Danilo Alencar, do MDB, aparece com R$ 9,5 mil, colocados integralmente pelo próprio candidato.
Amastha aparece com R$ 9 mil. Carlos Enrique Franco Amastha repassou R$ 5 mil e Zaqueu Mello, R$ 4 mil.
Gleydson Nato, do PRD, aparece com R$ 6 mil. O valor foi dividido entre duas doações de R$ 3 mil, uma de Danyella Nato Pereira e outra de Vinicius Fernandes Martins. O Fundo Eleitoral seguia zerado.
André Cavalari, do PSDB, aparece com R$ 4 mil, valor colocado pelo próprio candidato.
Eduardo Fortes, do Republicanos, aparece com R$ 2 mil, também provenientes do próprio candidato.
Lamarck, do PV, registra R$ 700. Foram R$ 600 repassados por Jales Pimentel Marinho, em duas transferências, e R$ 100 de Maria Abadia Alves.
O Diário Tocantinense também incluiu no levantamento as candidaturas de Cláudia Lelis e Edy César.
No caso de Cláudia Lelis, do PV, o DT não localizou, no fechamento desta atualização, um valor de receita de campanha de 2026 já processado e individualizado nas bases consultadas. O dado disponível e consolidado mostra que sua campanha de 2022 arrecadou aproximadamente R$ 808 mil, dos quais R$ 799.997 vieram do Fundo Especial, representando cerca de 99% da arrecadação naquele pleito. Portanto, esse valor é histórico de 2022 e não pode ser apresentado como dinheiro recebido em 2026.
Edy César, do PT, candidato a deputado estadual com o número 13000, também não aparecia com valor de receita de campanha de 2026 confirmado nas fontes processadas consultadas pelo DT. A ficha eleitoral consultada indicava, naquele recorte, R$ 0 em despesas informadas. Edy declarou R$ 420 mil em patrimônio, dado que não deve ser confundido com dinheiro de campanha.
Assim, entre os estaduais acompanhados neste primeiro levantamento, o quadro de receitas confirmadas fica com Gipão em R$ 120 mil; Professor Júnior Geo em R$ 113.750; Marcos Duarte em R$ 37 mil; Moisemar Marinho em R$ 31 mil; Luana Ribeiro em R$ 25 mil; Vanda Monteiro em R$ 15 mil; Dr. Danilo Alencar em R$ 9,5 mil; Amastha em R$ 9 mil; Gleydson Nato em R$ 6 mil; André Cavalari em R$ 4 mil; Eduardo Fortes em R$ 2 mil; e Lamarck em R$ 700. Cláudia Lelis e Edy César permanecem, neste levantamento, sem valor de receita de 2026 que o DT tenha conseguido confirmar individualmente nas bases processadas consultadas.
Entre os federais citados, Lucas Campelo aparece com R$ 100 mil; Maurício Buffon, R$ 34 mil; Luana Nunes, R$ 14,5 mil; Osires Damaso, R$ 5 mil; e Tenente Célio, R$ 1 mil.
Entre os majoritários com valor individual confirmado pelo levantamento, Ataídes Oliveira soma R$ 113 mil; Professora Dorinha, R$ 15 mil; e Eli Borges, candidato ao Senado, R$ 43 mil.
Um detalhe chama atenção em praticamente todos esses números: até agora, os principais valores citados neste levantamento são de recursos próprios ou doações de pessoas físicas. O grande dinheiro público do Fundo Eleitoral ainda não apareceu de maneira expressiva entre esses candidatos do Tocantins.
É justamente isso que poderá mudar radicalmente nos próximos dias.
Hoje, o PL possui nacionalmente a maior fatia do Fundo Eleitoral. PT, União Brasil, PSD, Progressistas, MDB, Republicanos e Podemos também controlam centenas de milhões de reais. A pergunta que começa a ganhar peso no Tocantins não é apenas quanto cada partido possui no Brasil, mas quanto decidirá enviar ao Estado.
E mais: quem receberá esse dinheiro.
A distribuição não precisa ser igual entre candidatos do mesmo partido. Uma legenda pode colocar R$ 1 milhão em determinado candidato a deputado federal e entregar uma fração desse valor a outro concorrente da mesma chapa proporcional, desde que cumpra seus critérios internos e as regras eleitorais.
Na prática, o Fundo Eleitoral também revela onde os partidos enxergam possibilidade real de vitória.
Com sete candidatos ao Governo, 13 ao Senado, 98 candidatos a deputado federal e 206 candidatos a deputado estadual, a campanha tocantinense entra agora em uma segunda disputa, que acontece longe dos palanques: a corrida para saber quais candidaturas receberão estrutura financeira suficiente para ampliar equipes, publicidade, material gráfico, mobilização, deslocamentos e presença digital.
Os valores apresentados pelo Diário Tocantinense correspondem ao retrato disponível durante o levantamento e não representam o caixa definitivo das campanhas. Um novo repasse partidário pode alterar a posição de qualquer candidato em poucas horas.
Por isso, números ainda zerados ou muito baixos não significam necessariamente falta de apoio financeiro. Da mesma maneira, patrimônio pessoal declarado não significa dinheiro disponível na campanha.
O Diário Tocantinense seguirá acompanhando as prestações de contas e os repasses realizados para candidatos ao Governo, Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa para mostrar quanto do Fundo Eleitoral realmente chegará ao Tocantins e quem ficará com as maiores fatias.