El Niño entra no radar da saúde: Ministério prepara SUS para calor, seca, queimadas e doenças respiratórias

El Niño entra no radar da saúde: Ministério prepara SUS para calor, seca, queimadas e doenças respiratórias
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 16 de setembro de 2026 16

Governo federal classifica fenômeno como forte e nova nota técnica determina reforço da vigilância de covid-19, influenza e outros vírus respiratórios.

O El Niño voltou a ocupar o centro das preocupações do Ministério da Saúde. Com previsão de impactos mais intensos entre outubro de 2026 e março de 2027, o Governo Federal começou a preparar estados e municípios para os efeitos que alterações de temperatura, seca, queimadas, temporais e outros eventos extremos podem provocar diretamente na saúde da população.

O Ministério apresentou aos secretários estaduais, no fim de agosto, o Plano de Preparação e Resposta a Emergências em Saúde Pública associadas ao El Niño 2026-2027.

Segundo a pasta, o fenômeno estava classificado como forte, com possibilidade de alcançar patamar muito forte. Para as regiões Norte e Centro-Oeste, onde está inserido o Tocantins, o cenário envolve principalmente risco de seca, estiagem, temperaturas elevadas e queimadas.

A preocupação não está limitada às consequências ambientais.

Na segunda-feira, 14 de setembro, o Ministério publicou a Nota Técnica Conjunta nº 308/2026, direcionada à vigilância epidemiológica de covid-19, influenza e outros vírus respiratórios diante dos impactos previstos do El Niño.

Calor extremo, fumaça proveniente de incêndios, baixa umidade, alterações na circulação de vírus e maior exposição de grupos vulneráveis podem aumentar a pressão sobre unidades de saúde dependendo da região e da intensidade do fenômeno.

O plano federal foi estruturado em cinco frentes: coordenação entre União e estados, monitoramento interno pelo setor de saúde e clima, disponibilização de medicamentos e kits emergenciais, mobilização da Força Nacional do SUS e adaptação dos serviços e protocolos às características de cada região.

Outra preocupação é garantir que vacinas e outros imunobiológicos permaneçam armazenados adequadamente diante de eventos extremos. Uma nota técnica específica estabelece medidas de contingência para proteger a chamada Rede de Frio do Programa Nacional de Imunizações.

No Tocantins, onde o período seco tradicionalmente combina altas temperaturas, redução da umidade e aumento de focos de incêndio, a preparação ganha importância adicional.

A atenção deverá se voltar especialmente para idosos, crianças, pessoas com doenças respiratórias e cardiovasculares e moradores de regiões expostas à fumaça ou com maior dificuldade de acesso aos serviços.

O desafio agora é transformar os alertas nacionais em planejamento local antes do período apontado como mais crítico.

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