“A indicação depende do quadro clínico”: Anvisa aprova caneta semanal com insulina e semaglutida para diabetes tipo 2
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do Kyinsu, medicamento que combina insulina icodeca e semaglutida em uma aplicação semanal. Publicada em 28 de setembro, a autorização amplia as alternativas para adultos com diabetes tipo 2 que não conseguem controlar adequadamente a glicemia com determinados tratamentos.
Produzido pela Novo Nordisk, o medicamento é destinado a pacientes cujo diabetes permanece insuficientemente controlado com insulina basal ou medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1. A indicação prevê uso associado à alimentação adequada, à prática de exercícios e a medicamentos antidiabéticos orais.
A aprovação não significa que todas as pessoas com diabetes devam utilizar a combinação. A escolha exige avaliação individual, considerando o histórico de tratamento e as necessidades de cada paciente. “A indicação depende do quadro clínico, do controle da glicemia, dos tratamentos já utilizados e dos objetivos do paciente”, afirmou a endocrinologista Fernanda Parra, em declaração publicada pela Folha de S.Paulo.
A associação reúne componentes com funções complementares no controle da doença. A insulina basal ajuda a manter a glicose controlada entre as refeições e durante a noite. A semaglutida pertence à classe dos agonistas de GLP-1, utilizada no tratamento do diabetes tipo 2. A formulação semanal permite reduzir a frequência das aplicações em comparação com esquemas que exigem injeções diárias.
Segundo a Anvisa, o Kyinsu é a primeira combinação de dose fixa de insulina basal e agonista do receptor de GLP-1 destinada à aplicação uma vez por semana.
A avaliação considerou estudos do programa COMBINE, realizados durante 52 semanas. Nos ensaios, a associação apresentou maior redução da hemoglobina glicada em comparação com a insulina icodeca e a semaglutida utilizadas isoladamente. Esse exame é empregado no acompanhamento do controle do diabetes.
Também foi demonstrada não inferioridade em relação ao esquema com insulina glargina e insulina asparte. Dentro dos critérios estabelecidos pelo estudo, a combinação semanal não apresentou desempenho inferior ao tratamento comparado para o resultado avaliado.
A agência informou que o perfil de segurança foi compatível com os efeitos já conhecidos dos componentes, sem identificação de novos riscos relevantes. Isso não significa ausência de efeitos adversos nem dispensa acompanhamento médico.
O comunicado de aprovação não informa preço ou data de chegada às farmácias. O registro sanitário também não equivale a um anúncio de fornecimento pelo Sistema Único de Saúde.
Para quem já trata o diabetes, a autorização representa uma nova possibilidade terapêutica, não uma recomendação para substituir medicamentos por conta própria. A indicação aprovada é para diabetes tipo 2 nas condições estabelecidas pela Anvisa, e não uma autorização geral para uso com finalidade de emagrecimento.