Unabomber: “Duas ideias de filme competindo pelo mesmo tempo”, avalia crítico; saiba o que dizem os especialistas e veja o trailer
Unabomber, lançado pela Netflix em 25 de setembro de 2026, revisita a trajetória de Ted Kaczynski, o matemático que se tornou responsável por uma campanha de atentados nos Estados Unidos. Dirigido por Janus Metz e estrelado por Jacob Tremblay, Russell Crowe e Shailene Woodley, o filme recebe elogios pelas atuações, mas enfrenta críticas à maneira como tenta explicar os crimes do protagonista.
O roteiro alterna duas épocas: a juventude de Kaczynski em Harvard e a investigação do FBI. Tremblay interpreta o estudante, enquanto Crowe vive Henry Murray, professor responsável pelos experimentos psicológicos apresentados na trama. Woodley interpreta Joanne Miller, personagem ligada à busca pelo criminoso.
A divisão da narrativa é um dos pontos questionados pelo crítico Diego Almeida. Em análise publicada em 25 de setembro, ele identifica “duas ideias de filme competindo pelo mesmo tempo”. Para Almeida, tanto o drama universitário quanto a investigação poderiam render histórias mais aprofundadas, mas acabam disputando espaço.
Na avaliação do crítico, os momentos em Harvard são os mais fortes. Tremblay transmite o isolamento de Kaczynski, enquanto Crowe constrói um professor cuja frieza torna as situações desconfortáveis. Já a investigação recebe menos desenvolvimento, apesar da atuação segura de Woodley.
Jonathon Wilson, crítico e editor do Ready Steady Cut, também reconhece qualidades nas interpretações. Sua principal ressalva está na representação de Kaczynski: para ele, o destaque dado aos experimentos universitários pode levar o espectador a enxergar o criminoso principalmente como vítima dos adultos ao seu redor.
Wilson questiona a aproximação entre o sofrimento vivido pelo estudante e os atentados posteriores. Sua crítica é que o filme sugere uma explicação excessivamente direta para uma trajetória complexa. Apresentar acontecimentos anteriores aos crimes não equivale a demonstrar que eles foram sua causa.
O crítico também identifica Joanne Miller como uma personagem fictícia. A investigação conduzida por ela no longa, portanto, não deve ser entendida como uma reprodução literal da atuação de uma agente real. As avaliações reunidas pelo Rotten Tomatoes mostram divergências. Mick LaSalle destaca positivamente Russell Crowe, enquanto Tim Robey considera pouco inventiva a abordagem biográfica do roteiro. O reconhecimento ao elenco não se traduz, assim, em aprovação unânime do conjunto.
Os especialistas citados são críticos de cinema. Suas análises discutem o roteiro, as interpretações e as escolhas narrativas, não constituindo avaliações clínicas de Kaczynski ou entrevistas exclusivas concedidas ao Diário Tocantinense.
Segundo o histórico oficial do FBI, a campanha de atentados começou em 1978 e se estendeu até 1995. Foram atribuídos a Kaczynski 16 artefatos, responsáveis pela morte de três pessoas e por ferimentos em quase duas dezenas de outras. A publicação de seu manifesto, em 1995, foi decisiva para a investigação. David Kaczynski reconheceu características da escrita do irmão e forneceu documentos às autoridades. A análise linguística, combinada com outras informações, ajudou a fundamentar a busca que levou à prisão de Ted em 3 de abril de 1996, em Montana.
Unabomber deve ser visto como uma dramatização inspirada em acontecimentos reais, não como documentário ou explicação científica para os crimes. Nas críticas consultadas, as atuações aparecem como principal qualidade, enquanto a tentativa de explicar a transformação do estudante em terrorista concentra os questionamentos.
Com aproximadamente uma hora e quarenta minutos, o filme está disponível na Netflix. A prévia apresenta o ambiente universitário, os experimentos e a investigação.