Paraná colocou Janad à frente em 2024, mas Eduardo venceu; nova pesquisa sobre Vicentinho e Dorinha exige atenção ao histórico
O Paraná Pesquisas apresentou nesta segunda-feira, 19 de outubro, Vicentinho Júnior com 56,5% dos votos válidos, contra 43,5% de Professora Dorinha, na disputa pelo Governo do Tocantins. A diferença de 13 pontos recoloca em discussão o desempenho do instituto nas eleições locais. Em Palmas, em 2024, sua última pesquisa mostrou Janad Valcari numericamente à frente, mas Eduardo Siqueira Campos venceu.
O levantamento mais recente foi contratado pela Federação das Indústrias do Estado do Tocantins, a FIETO, e ouviu 1.500 eleitores entre 14 e 17 de outubro. A margem de erro informada é de 2,5 pontos percentuais, com confiança de 95% e registro TO-09349/2026. Nas intenções totais, Vicentinho aparece com 52,5% e Dorinha com 40,4%. Os percentuais de votos válidos resultam da exclusão de indecisos e respostas de nenhum, branco e nulo.
A pesquisa ainda não pode ser classificada como acerto ou erro. Essa avaliação dependerá das urnas de 25 de outubro. O histórico permite, entretanto, verificar onde estimativas anteriores se aproximaram da votação e onde se afastaram.
Na última rodada do Paraná antes do segundo turno de Palmas em 2024, Janad apareceu com 50,3% dos votos válidos e Eduardo com 49,7%. O levantamento indicava empate técnico, com margem de erro geral de 3,5 pontos. Eduardo venceu com 53,03%, contra 46,97% de Janad.
A estimativa central ficou 3,33 pontos abaixo da votação de Eduardo e 3,33 pontos acima da de Janad. A ordem numérica da última pesquisa foi diferente da registrada nas urnas, embora o empate técnico não permitisse anunciar uma vitória assegurada da candidata.
Em rodada anterior, o próprio Paraná havia colocado Eduardo numericamente à frente, com 47,4% das intenções totais, contra 44,1% de Janad. O instituto chegou a registrar a liderança do candidato eleito, mas sua última medição indicou uma inversão que não se confirmou.
Entre as últimas rodadas localizadas de seis institutos em Palmas, o Veritá/FIETO apresentou a menor distância em relação aos percentuais finais: Eduardo com 53,9% e Janad com 46,1%, diferença de 0,87 ponto para a votação individual de ambos. A AtlasIntel apontou 55,2% para Eduardo e 44,8% para Janad, afastando-se 2,17 pontos do resultado de cada candidato.
A Futura mostrou Eduardo com 55,5% dos válidos, distância de 2,47 pontos de sua votação. Quaest e Real Time Big Data apresentaram Janad com 51% e Eduardo com 49%, diferença de 4,03 pontos para o resultado individual dos candidatos. A comparação descreve essas rodadas e não estabelece um ranking geral dos institutos, que trabalharam com datas, métodos e amostras diferentes.
No primeiro turno estadual de 2026, o Paraná acertou a ordem dos finalistas, mas subestimou Vicentinho. Dorinha recebeu 45,52% dos votos válidos, contra 43,94% do adversário. A diferença foi de 1,58 ponto, equivalente a 13.412 votos.
O instituto havia estimado Dorinha com 46,4% e Vicentinho com 39,4%, distância de sete pontos. A estimativa da candidata ficou 0,88 ponto acima de sua votação; a do adversário, 4,54 pontos abaixo. A distância entre os dois foi superestimada em 5,42 pontos. A Quaest, com 46% para Dorinha e 41% para Vicentinho, ficou mais próxima da votação individual dos finalistas entre esses dois levantamentos.
Depois do primeiro turno, Seta e Quaest também apresentaram Vicentinho numericamente à frente. O Seta registrou 46% das intenções totais para ele e 38,3% para Dorinha, em entrevistas realizadas entre 8 e 10 de outubro. A Quaest apresentou 49% e 42%, respectivamente, com entrevistas entre 10 e 13.
Já o agregador da Inteligov apresentou Dorinha com 52,53% e Vicentinho com 47,47% na rodada de 13 de outubro. O indicador combina pesquisas com pesos diferentes conforme características metodológicas e antiguidade. Não corresponde a uma nova coleta de entrevistas e antecede o encerramento do campo do Paraná, ocorrido em 17 de outubro.
Os chamados trackings também precisam ser diferenciados. São pesquisas repetidas, frequentemente diárias ou semanais, para acompanhar mudanças nas intenções de voto. Alguns modelos acrescentam entrevistas novas e retiram as antigas, formando médias móveis. Números atribuídos a levantamentos internos sem identificação, amostra, período e método não oferecem elementos suficientes para avaliação.
O debate desta segunda-feira, promovido pela TV Norte/SBT, acrescentou outro elemento ao cenário. Vicentinho voltou a associar Dorinha a Wanderlei Barbosa, buscando caracterizar a adversária como continuidade do grupo que administra o estado.
Ao defender o governo aliado, Dorinha assume o peso político dessa associação. Mas a candidata não tem a caneta do Executivo estadual: como senadora, não comanda as secretarias nem determina diretamente a execução das decisões do governador. Cabe a ela explicar quais políticas manteria, quais corrigiria e como exerceria autonomia diante dos aliados.
Vicentinho, por sua vez, precisa acompanhar as críticas a Wanderlei com respostas sobre como pretende governar, financiar compromissos e executar mudanças. A cobrança por seriedade alcança os dois candidatos e deve considerar propostas, custos, prazos e disposição para responder a questionamentos.
Permanece aberto o espaço para manifestações dos institutos, contratantes e assessorias citados. Esta análise reúne os levantamentos localizados para a comparação, sem representar a totalidade das pesquisas dos dois pleitos. O histórico permite apontar divergências; o desempenho da nova pesquisa só poderá ser avaliado depois da apuração.