Fábio Vaz deixa o comando da Secretaria de Estado da Educação do Tocantins em meio ao calendário de desincompatibilização e abre uma nova fase no tabuleiro político de 2026. A saída do agora ex-secretário ocorre no momento em que ele passa a ser colocado oficialmente no jogo eleitoral, com pré-candidatura à Câmara Federal, dentro da reorganização promovida pela base governista nesta quarta-feira.
Quem assume a condução da Seduc é Celestina Maria, nome que já ocupava posição estratégica dentro da estrutura da Educação e que aparece, inclusive, ao lado do governador Wanderlei Barbosa na imagem do ato político. Markes é a atual secretária-executiva da Secretaria de Estado da Educação e, segundo perfil oficial, é servidora efetiva da pasta desde 2002, com passagem por funções como gerente de educação básica, coordenadora regional de ensino, chefe da assessoria jurídica e superintendente de educação básica.
A escolha não surge do nada. Celestina já havia sido oficializada no primeiro escalão como cargo de importância da Educação e, em ato anterior do governo, também foi colocada como responsável interina pela Seduc nos impedimentos legais e eventuais do titular, com autorização para conduzir a pasta e ordenar despesas. Isso mostra que a transição na Educação não acontece por improviso, mas dentro de uma preparação administrativa que já vinha sendo desenhada.
Politicamente, porém, a mudança tem peso maior do que a simples troca de comando. Fábio Vaz sai de uma das áreas mais capilares do governo, com visibilidade institucional, mas entra agora numa fase em que precisará provar força fora da estrutura administrativa. A vitrine da Seduc lhe deu exposição, agenda e presença em todas as regiões do Estado. Mesmo assim, a disputa eleitoral cobra outro tipo de musculatura: articulação mais ampla com líderes políticos, consolidação de base regional e conversão de imagem de gestor em voto real.
É justamente aí que mora a incerteza. Fábio deixa uma secretaria robusta, mas ainda entra na corrida cercado por dúvidas sobre sua densidade política para uma disputa proporcional de alto custo e alta concorrência. No papel, o currículo ajuda. Na urna, porém, o desafio é outro. O que vai definir seu tamanho eleitoral não será apenas o peso do cargo que ocupou, mas a capacidade de transformar trânsito no governo em lastro entre prefeitos, vereadores, lideranças locais e eleitorado disperso pelo interior.
Para o governo, a nomeação de Celestina ajuda a preservar a linha de continuidade na Educação. Por ser um nome técnico, de dentro da estrutura e com trajetória consolidada na rede, a expectativa é de menor ruído administrativo justamente num momento em que a pasta não pode perder ritmo. Para Fábio Vaz, por outro lado, a saída representa o início do teste mais duro: mostrar que consegue sobreviver politicamente sem a cadeira da Seduc e sem o peso direto da máquina.
No resumo do movimento, o cenário é claro: Fábio Vaz deixa a Seduc para entrar no jogo eleitoral, e Celestina assume a Educação com perfil de continuidade, experiência interna e respaldo administrativo. Ao lado de Wanderlei, ela passa de peça estratégica de bastidor para rosto visível de uma das pastas mais sensíveis do governo. Já Fábio sai do gabinete e entra, de vez, no teste do voto.