Hantavírus já registra casos no Brasil e acende alerta após repercussão internacional
O hantavírus voltou ao centro das atenções internacionais após casos registrados em um navio de cruzeiro e novas confirmações da doença no Brasil. O Paraná confirmou neste mês dois casos de hantavirose, além de outras notificações ainda em análise pelas autoridades sanitárias. O episódio reacendeu dúvidas sobre os riscos da doença, as formas de transmissão e o cenário brasileiro da infecção.
A hantavirose é uma zoonose viral aguda causada por vírus da família Hantaviridae. No Brasil, a doença se manifesta principalmente na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, quadro que pode provocar comprometimento grave dos pulmões e do coração.
A transmissão ocorre principalmente pelo contato com partículas presentes na urina, saliva e fezes de roedores silvestres infectados. Essas partículas podem se espalhar pelo ar em ambientes fechados, pouco ventilados ou com presença de ratos, aumentando o risco de contaminação humana.
Os sintomas iniciais costumam ser parecidos com os de uma gripe forte: febre, dores no corpo, mal-estar, náuseas e dores de cabeça. Em quadros mais graves, a doença evolui rapidamente para insuficiência respiratória, falta de ar intensa, alterações cardíacas e falência de órgãos.
Especialistas alertam que a hantavirose possui alta taxa de mortalidade. Dados do Ministério da Saúde apontam que, entre 2013 e 2023, o Brasil registrou 758 casos confirmados e 299 mortes, com letalidade próxima de 40%. Desde os primeiros registros da doença no país, em 1993, mais de 2,4 mil casos já foram confirmados nacionalmente.
Apesar da repercussão internacional, autoridades brasileiras afirmam que não há relação entre os casos confirmados no Paraná e o episódio monitorado pela Organização Mundial da Saúde envolvendo passageiros de um cruzeiro marítimo. O Ministério da Saúde informou ainda que o risco de disseminação ampla da doença permanece considerado baixo no país.
Outro ponto que chama atenção é que o Brasil não registra circulação do chamado genótipo Andes, variante identificada em episódios raros de transmissão entre pessoas na Argentina e no Chile. No território brasileiro, a transmissão segue ligada principalmente ao contato com ambientes contaminados por roedores.
As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste concentram a maior parte dos casos brasileiros. As infecções costumam ocorrer em áreas rurais, especialmente em atividades ligadas à agricultura, armazenamento de grãos, galpões e depósitos.
Para reduzir os riscos, especialistas orientam evitar contato com fezes e urina de ratos, manter ambientes ventilados, vedar frestas, controlar presença de roedores e utilizar equipamentos de proteção durante limpezas em locais fechados ou abandonados. Atualmente, não existe antiviral específico contra a doença, e o tratamento depende de suporte intensivo hospitalar.