Motta diz que PEC do fim da escala 6×1 é pauta da Câmara e amplia pressão sobre Congresso
A proposta que prevê o fim da escala 6×1 ganhou novo peso político dentro do Congresso Nacional após o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmar que a discussão deixou de ser uma pauta de partido para se tornar um debate institucional da própria Câmara.
A declaração foi dada durante agenda pública em um campo de futebol, em vídeo que passou a circular nas redes sociais e ampliou a repercussão da Proposta de Emenda à Constituição que discute mudanças na jornada semanal de trabalho.
“O debate sobre a escala 6×1 não pertence a um partido político. É um tema da Câmara dos Deputados e precisa ser tratado ouvindo trabalhadores, empresários e todos os setores envolvidos”, afirmou Hugo Motta.
A PEC ganhou força nos últimos meses após pressão crescente nas redes sociais e mobilizações organizadas por trabalhadores que defendem redução da jornada semanal, argumentando impactos sobre saúde mental, qualidade de vida e produtividade.
Hoje, a escala 6×1 funciona com seis dias consecutivos de trabalho para um dia de descanso. O modelo é comum em setores como comércio, supermercados, serviços, segurança privada, restaurantes e parte da indústria.
Debate ultrapassa redes sociais
O avanço da discussão dentro da Câmara marca uma mudança importante no cenário político da proposta. Até então, o tema era tratado principalmente por movimentos sindicais, influenciadores digitais e parlamentares ligados à pauta trabalhista.
Com a entrada formal da presidência da Câmara no debate, lideranças políticas passaram a enxergar potencial impacto nacional sobre relações trabalhistas, produtividade e custos empresariais.
Setores empresariais demonstram preocupação com aumento de custos operacionais, especialmente em áreas de funcionamento contínuo, enquanto defensores da proposta afirmam que jornadas menos intensas podem melhorar produtividade e reduzir afastamentos por adoecimento.
O que prevê a PEC
A proposta em discussão altera dispositivos constitucionais ligados à jornada de trabalho e ao descanso semanal. O texto ainda pode sofrer mudanças durante tramitação nas comissões da Câmara.
Entre os pontos debatidos estão:
- redução da jornada semanal;
- ampliação do período de descanso;
- flexibilização de escalas;
- negociação coletiva por categoria;
- impactos sobre produtividade e saúde do trabalhador.
Parlamentares ligados ao setor produtivo defendem cautela para evitar impactos econômicos sobre pequenas e médias empresas. Já centrais sindicais argumentam que o modelo atual se tornou incompatível com a realidade contemporânea do mercado de trabalho.
Tema entra no centro da disputa política
A discussão também passou a mobilizar governo e oposição, porque envolve temas sensíveis como geração de emprego, custo da folha salarial, informalidade e direitos trabalhistas.
Nos bastidores da Câmara, líderes partidários avaliam que a pressão popular nas redes sociais ajudou a acelerar o debate dentro do Congresso, principalmente entre parlamentares mais jovens e ligados ao eleitorado urbano.
Apesar do avanço político, ainda não existe consenso sobre o formato final da PEC nem previsão oficial de votação em plenário. A tendência é que o tema continue sendo discutido ao longo de 2026 diante do impacto econômico e social da proposta.